Queridos formandos 2021:

Conforme vocês vão começando suas carreiras universitárias inevitavelmente irão ficar confusos sobre o assunto “fascismo”, o qual tem aparecido muito nos noticiários recentemente. Por um lado, irão te ensinar que não há nada mais perverso, mais pérfido e mais deplorável que o fascismo e os fascistas. Você poderá até vir a ser convidado a se tornar um membro da “antifa”, a gangue criminosa violenta que taca fogo em carros e prédios, agride pessoas com pauladas, espirra spray de pimenta na cara delas, joga bloco de concreto em vitrines, arremessa garrafas cheias de urina e fezes na polícia etc., em supostos protestos contra o “fascismo”. (Dizem que “antifa” significa “anti-fascismo”).

Mas por outro lado também irão ensinar que as próprias coisas que os verdadeiros fascistas do século XX acreditavam e defendiam são as coisas que vocês deveriam acreditar e defender, e que vocês deveriam ter tolerância zero com qualquer um que discorde de vocês. Não vão chamar essas coisas do que elas são – fascismo – mas usarão eufemismos que soem bem, como “justiça social”, “democracia econômica”, “teologia da libertação” ou “socialismo democrático”. Também irão ensinar que dentre todos os políticos do planeta, o único que vocês deveriam reverenciar e idolatrar é o autoproclamado socialista de 70 anos Bernie Sanders (que entre todos os destinos do mundo, escolheu passar sua lua de mel em Moscou, no auge da Guerra Fria).

A verdade é que o fascismo – chamado de “nacional socialismo” pelos socialistas alemães do começo do século XX conhecido como “nazistas” – sempre foi uma forma de socialismo. Benito Mussolini, o fundador do fascismo italiano, era um “socialista internacional” antes de começar a se denominar como um socialista nacional. O socialismo nacionalista permitia que negócios privados existissem – diferente dos socialistas internacionais da União Soviética – contanto que que eles fossem geridos, controlados e ordenados por políticos com todos os tipos de regulamentações, controles, subsídios, resgates e impostos.

Praticamente nenhum, se algum, professor que vocês irão ter vão requerer ou encorajar vocês a lerem o famoso livro O caminho da servidão, do economista da Escola Austríaca ganhador do prêmio Nobel F. A. Hayek, mas você deveriam superar os outros universitários e incluir este livro em vossas listas. Uma das coisas que iriam aprender é que Hayek reconheceu que as posições políticas econômicas dos nazistas eram “repletas de ideias parecidas com as dos primeiros socialistas”. O “aspecto principal” do fascismo, ele escreveu, eram ataques e um ódio feroz a qualquer coisa capitalista – “busca pelo lucro individual, empresas de grande porte, bancos, companhias de capital aberto, lojas de departamento, financiamento internacional e empréstimo [privados] de capitais, o sistema de ‘juros abusivos’ em geral . . .” O programa econômico nazista, escreveu Hayek não era nada além de “um violento ataque anticapitalista”. Um dos slogans dos nazistas era na verdade “o fim do capitalismo”. Todos os “líderes” do fascismo italiano e alemão “de Mussolini em diante” . . . começaram como socialistas” disse Hayek.

Outro livro que poucos, se algum, de seus professores dificilmente recomendará é Liberalismo, de Ludwig von Mises.  Nele Mises descreve a estrutura filosófica e cultural que dá o suporte necessário ao livre mercado e a sociedade civil para progredir e prosperar. Estas ideias, que evoluíram durante séculos, são: direitos de propriedade, liberdade, paz, igualdade perante a lei, mercados livres e liberdade econômica, a aceitação da diferença de renda e riqueza baseada na realidade da singularidade humana, governo constitucional limitado e tolerância.

Todos estes elementos essenciais do liberalismo clássico (o exato oposto do que é chamado de “liberal” nos EUA, que é essencialmente um socialista de ideias totalitárias) eram veementemente condenados por todos os socialistas dos séculos XIX e XX. Na verdade, a primeira das dez plataformas de O Manifesto Comunista era “ABOLIÇÃO DA PROPRIEDADE PRIVADA”. Em seu livro, Fascism: Doctrine and Institutions (p. 29), Mussolini escreveu que “a concepção de vida fascista destaca a importância do Estado e aceita o indivíduo apenas na medida em que seus interesses coincidem com os do Estado . . .  Ele é oposto ao liberalismo clássico . . . [que] nega o Estado em nome do indivíduo.” “Se o século XIX foi o século do indivíduo (liberalismo implica em individualismo)”, escreveu Mussolini, “podemos crer que este é o século ‘coletivo’ e, portanto, o século do Estado. Se o liberalismo clássico expressa individualismo, Fascismo expressa governo.”

É claro que por “individualismo”, como Hayek explica, os liberais clássicos simplesmente entendem respeito por todos os seres humanos, toda vida humana, e não enxergar as pessoas como peões para serem usados por políticos, ou como ratos de laboratório para serem testados pelos engenheiros sociais do governo.

Assim como todo socialista, Mussolini denunciou o capitalismo como “a busca egoísta pela prosperidade material” e implorou para que os italianos “rejeitassem a literatura econômica do século XVIII”, presumivelmente se referindo a Riqueza das Nações de Adam Smith. Ser um ignorante em economia, em outras palavras, foi o conselho de Mussolini. Vocês, queridos estudantes, serão ensinados estas mesmas coisas, várias e várias vezes durante suas carreiras universitárias.

Os socialistas nacionais alemães (nazistas) disseram quase as mesmas coisas que os socialistas nacionais italianos. Por exemplo, em seu livro, Three Years of World Revolution (p. 176), Paul Lensch escreveu que o socialismo alemão (i.e., nazismo) “deve apresentar uma oposição consciente e determinada ao individualismo”. Ele atacou o liberalismo clássico e ridicularizou as ideias de “liberdade” e “direitos civis” (i.e., liberdade civis), constitucionalismo, parlamentarismo, e principalmente capitalismo. Na verdade, no “Programa de 25 pontos do Partido Nazista” é claramente declarado que o fascismo alemão deve “proceder” sob o slogan, “O bem comum está acima do bem privado”. É claro, políticos como Hitler definiriam “bem comum”; nunca foi para os próprios cidadãos terem algo a dizer sobre estas definições em qualquer tipo de regime socialista.

Além de nacionalizar os bancos e acabar com “juros abusivos”, o programa econômico nazista reivindicava aquilo que muitos ambientalistas hoje reivindicam, “a socialização da terra”. Os nazistas “demandavam” a “educação das . . .  crianças . . . as custas do estado” para que assim pudessem levar a cabo uma lavagem cerebral completa no politicamente correto da época, ou seja, socialismo nacional. A nacionalização de setores estratégicos também era “demandado”, juntamente com a “expansão em larga escala do bem-estar na velhice”, ou como o contemporâneo de Hitler, Franklin D. Roosevelt, o chamou, Previdência Social.

O fascismo alemão e italiano, e o socialismo soviético, todos atacavam e negavam a legitimidade dos direitos dos estados ou, o que os americanos chamam de “federalismo”, enquanto defendiam um estado totalmente centralizado, todo poderoso. “Demandamos a formação de um poder central forte no Reich”, gritava o programa nazista de 25 pontos.

Logicamente, o fascismo do século XX também incluía o militarismo e o antissemitismo, este último porque os socialistas nacionais alemães declararam que os judeus da Europa simbolizavam o odiado sistema de capitalismo que eles queriam destruir. Os nazistas sinistramente denunciaram o “espírito materialista judeu” em seu programa de 25 pontos.

Portanto, classe dos calouros de 2017, tenham essas coisas em mente e vocês não serão tapeados pelos seus professores esquerdistas, que nem mesmo entendem que as ideias socialistas que eles defendem e pregam em suas aulas eram também adotadas pelos perversos fascistas do século XX. A única diferença real entre os socialistas alemães e russos do século XX era que os alemães se autodenominaram socialistas nacionais, enquanto que os socialistas russos se autodenominaram socialistas internacionais.

 

Tradução de Fernando Chiocca

Artigo original aqui.

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