OilSpillExplosionApós a explosão da plataforma de petróleo da British Petroleum no início desse mês, os ambientalistas, previsivelmente, ficaram histéricos, e, como de praxe, se aproveitaram daquele infeliz acontecimento para malhar uma empresa privada e debulhar lágrimas acerca do sofrimento do “ecossistema” — sistema esse que, miraculosamente, conseguiu sobreviver e prosperar após um incidente bastante semelhante ocorrido há 21 anos com a Exxon Valdez.

Entretanto, essa tragédia da BP foi muito pior do que a da Exxon.  Onze pessoas morreram.  As ações da BP sofreram um golpe.  Enquanto estiver havendo vazamento, a empresa estará perdendo de 5 a 10 mil barris por dia.

A BP será a responsável pelos custos da limpeza, os quais excederão em muito a penalização imposta pelo governo americano, de US$ 75 milhões.  As relações públicas da empresa terão pesadelos pra mais de uma década.  No final, os custos totais podem chegar a US$ 100 bilhões, praticamente quebrando a empresa e vários outros negócios a ela relacionados.

Já deveria estar óbvio que a BP é, de longe, a principal vítima do desastre, mas ainda não foi visto uma única demonstração de pesar em relação à empresa e às suas perdas.  Toda a preocupação quanto à explosão e ao derramamento de petróleo no Golfo do México não está voltada para os 11 mortos e para as 11 famílias devastadas, tampouco para a enorme perda econômica trazida pelo fato de agora haver menos petróleo para as pessoas; toda a comoção está voltada para algum possível peixe ou pássaro que morreu, ou para a deusa-água que foi ofendida.  Petróleo é algo natural, orgânico e biodegradável — se me permitem utilizar um linguajar verde —, e irá sumir.

Com efeito, como mostra essa notícia, cientistas afirmam que um terço do petróleo já evaporou para a atmosfera (onde ele ficará tão disperso a ponto de não gerar qualquer efeito notável).  Mais ainda: “praticamente todo” o elemento tóxico do petróleo (benzeno) também já terá evaporado nos próximos dias.  Algumas gotas poderão chegar ao litoral do estado da Louisiana, mas o que restar irá aparentemente afundar até o leito do mar e se tornar parte da sedimentação.  E fim do grande desastre.

Entretanto, isso não importa.  O que vale são as palavras de ódio contra a BP, que vão além do crível.  O popular site esquerdista The DailyKos resume o sentimento: “BP: vão se f..”.  O governo Obama, por meio de seu porta-voz Robert Gibbs, disse que o governo pretende “manter as botas sobre o pescoço da BP.”

Mas voltemos para a realidade.  O incidente é uma tragédia para a BP e para todas as empreiteiras envolvidas.  Provavelmente arruinará a empresa — empresa essa que há muito fornece o combustível que impulsiona nossos carros, energiza nossas indústrias e possibilita a nossa vida moderna.  A ideia de que a BP deveria ser odiada e denunciada é ridícula, absurda e afrontosa; há todos os motivos do mundo para expressarmos grande tristeza pelo ocorrido.

A histeria dos ambientalistas dá a entender que a BP fez tudo de propósito, como se ela lucrasse com esse vazamento de petróleo ou como se ela apenas se deleitasse em derramar todo o seu precioso líquido no oceano.  É óbvio que a BP não tem absolutamente nada a ganhar com isso.  A lógica do mercado indica que a empresa tem todo o interesse de impedir que esse tipo de acidente ocorra — e não apenas pelo desejo de cumprir com as regulamentações ambientais, mas simplesmente porque seria uma boa prática de negócios, boa para a imagem da empresa, bom para seus acionistas.

Em contraste com aqueles que choraram pelo desastre, vale perguntar quem ficou feliz por ele:

1) os ambientalistas, que agora podem praticar sua exímia arte de incitar o medo e o ódio à vida moderna, e

2) o governo americano, que trata todos os produtores capitalistas como pássaros a serem depenados.

Os ambientalistas ficaram excitados porque ganharam outra chance de chorar e lamentar os infortúnios e o sofrimento de seus amados pântanos, charcos e outras supostamente sensíveis superfícies terrestres.  A perda de peixes e de parte da vida marinha é triste, mas não é algo definitivo: após o desastre da Exxon Valdez, a pesca tornou-se melhor do que nunca em apenas um ano.

A principal vantagem para os ambientalistas é toda a propaganda da vitória que eles poderão fazer, tendo agora outra chance de deblaterar contra os malefícios das petrolíferas e da perfuração dos oceanos.  Se essa gente obtiver êxito, os preços do petróleo iriam duplicar ou triplicar, jamais outra refinaria seria construída e toda a perfuração dos oceanos seria interrompida em nome da “proteção” de coisas que não trazem aos seres humanos um único benefício.

A principal questão econômica envolvendo o meio ambiente deve estar centrada na imputabilidade.  Em um mundo onde há propriedade privada e direitos de propriedade bem definidos, se você sujar, manchar ou poluir a propriedade de terceiros, você será responsabilizado e penalizado.  Mas o que ocorre em um mundo no qual o governo é o dono de várias terras, e os oceanos são considerados sem donos, propriedade comum a todos?  Nesse cenário, torna-se extremamente difícil avaliar danos ao ambiente.

Há também um enorme problema com os limites que o governo federal impõe à imputabilidade.  Hoje, a multa máxima é de US$ 75 milhões.  Isso é o planejamento central levado ao paroxismo.  A imputabilidade para danos ambientais deveria ser de 100% no mínimo.  Tal sistema de punição iria compatibilizar as políticas da empresa ao risco real de ela causar danos a terceiros.  Limites mais baixos inspiram as empresas a serem menos preocupadas do que deveriam com danos a terceiros, da mesma forma que uma empresa que tem a garantia de que será salva com pacotes de resgate do governo tem incentivos para ser menos eficiente do que seria em um livre mercado.

Porém, tal regra de imputabilidade presume que haja direitos de propriedade bem definidos, de modo que os proprietários possam entrar a acordos e negociações justas, e possa haver algum teste objetivo.  Não há um teste objetivo quando os oceanos são propriedade coletiva e enormes extensões territoriais são propriedade do governo.

E é exatamente o governo americano e a administração Obama que ganham com esse incidente.  Os reguladores ganham ainda mais verbas e podem posar de salvadores.  A burocracia já enviou milhares de pessoas para “salvar” a região.  “Cada americano afetado pelo derramamento de petróleo deveria saber disso: seu governo fará o que for preciso, pelo tempo necessário, para impedir essa crise”, disse Obama.

Será que realmente devemos acreditar que o governo é melhor para lidar com esse desastre do que a indústria privada?

Enquanto isso, a administração Obama deve estar vibrando com a chance de poder mudar o foco do noticiário.  Assim as pessoas deixam de perceber diariamente que o pacote de estímulo econômico foi um inacreditável fracasso, com o desemprego estando maior hoje do que há um ano e a depressão ainda em evidência.

Aliás, por que é que sempre que ocorre um desastre natural a mídia keynesiana o glorifica por ao menos trazer o benefício do efeito economicamente estimulante da reconstrução, porém nada foi dito dessa vez sobre o derramamento de petróleo?  Pelo menos nesse caso, as perdas parecem estar sendo vistas como perdas de fato.

A abstração chamada “ecossistema” — a qual parece nunca incluir a humanidade ou a civilização — fez muito menos por nós do que a indústria petrolífera e as fábricas, os aviões, os trens e os automóveis que ela abastece.  A maior tragédia de todas ocorreu com a BP e com suas subsidiárias, e com as outras empresas privadas afetadas por esses prejuízos que ninguém tencionou.  Se o resultado for uma interrupção nas prospecções de petróleo e regulamentações adicionais sobre a indústria, estaremos permitindo que o vazamento de petróleo tenha sido o vencedor.

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