maomeCrimes como os ocorridos na França contra os chargistas do jornal Charlie Hebdo costumam chocar a sociedade inteira, com razão, pois são agressões cometidas contra indivíduos pacíficos que não iniciaram agressão contra ninguém. Os muçulmanos envolvidos no crime assassinaram a sangue frio os indivíduos que “ousaram” desenhar o profeta Maomé e ainda o fizeram com tom de deboche e esta ofensa ao que eles acham sagrado, para eles, justificaria a iniciação de agressão.

Mas agora você deve estar se questionando “mas eu também me choquei com este crime, como alguém pode me achar parecido com estes facínoras só por que defendo que o estado exista?”. A resposta é que ambos acham que a iniciação de agressão pode ser justificada, que se alguém não colaborar com aquilo que vocês acham que é o certo esta pessoa deverá ser agredida.

O fato de o estatista de qualquer nível, independentemente de ser um “mini” estatista (outrora chamados de minarquistas) ou um “maxi” estatista (como os socialistasdemocráticos, comunistas), achar que é justificável agredir aqueles que, por exemplo, se recusarem a ter sua propriedade roubada pelo estado (impostos) já os coloca na exata mesma categoria de terroristas islâmicos, nem grau temos que definir, pois ambos atingem o grau máximo que é defenderem inclusive o assassinato de quem ousar desrespeitar seus desmandos. Os terroristas do caso Charlie Hebdo voltaram sua ira contra aqueles que, segundo eles, os insultaram, obviamente que essa “justificativa” não é válida pois “ofensa” não é agressão e apenas agredidos tem o direito de usar violência contra seus agressores, já os estatistas voltam sua ira contra pessoas que sequer conhecem só por estes se recusarem a fazer ou dar algo. Ao defender algo assim o estatista coloca o próximo como um mero instrumento para o seu objetivo, define o sagrado direito de propriedade como uma concessão sua e o considera descartável caso não siga suas ordens.

Mesmo que o estado “floreie” os crimes como faz com o sonegador, primeiro mandando cartinhas, multas, oficial de justiça, prendendo, levando a um tribunal e, só em caso de qualquer resistência ou reação a esta injustiça, assassinar friamente a vítima, a ameaçade assassinato está sempre presente e apoiada por estatistas. Não apenas estatistas extremistas, mas qualquer estatista defende isso, o estado (de qualquer tamanho) só consegue existir por conta desta ameaça de assassinato,ele é esta ameaça, como disse Mises:

É importante lembrar que intervenção do governo significa sempre ou ação violenta ou ameaça de ação violenta. Os fundos gastos pelo governo em qualquer de suas atividades são obtidos por meio de impostos. E os impostos são pagos porque os contribuintes não se atrevem a desobedecer aos agentes do governo; eles sabem que qualquer desobediência ou resistência seria inútil. Enquanto perdurar esse estado de coisas, o governo tem possibilidade de arrecadar tanto quanto queira para suas despesas. Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos. A característica essencial do governo é a de poder fazer cumprir os seus decretos batendo, matando e prendendo. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais compulsão e menos liberdade.

Portanto, se você defende a mera existência de um estado, você não é muito diferente dos terroristas islâmicos, mesmo que você mesmo nunca pegue na arma para apontar para a cabeça de quem se recusar a colaborar com o seu plano grandioso, você defende e dá aval para que outros façam isso em seu nome, mesmo que o  seu objetivo final seja nobre o meio utilizado que é o estado, ou seja, o assassinato de todos aqueles que se recusarem a seguir seu plano ou agir de acordo com o que você acha mais condizente com ele, exatamente como os extremistas islâmicos que creem que fins “nobres” justificam o uso de meios hediondos.

Algum leitor chegará até este ponto do texto se perguntando “Ok, me convenci que apoiar o estado é apoiar o terrorismo institucionalizado contra nós mesmos, mas, qual posição tomar?”.  Só há uma posição a se tomar, negar veementemente seu apoio à iniciação de agressão e principalmente ao maior agressor que temos hoje no mundo que é o estado. Mesmo que você não consiga vislumbrar como cada serviço será prestado sem o estado, mesmo que você não tenha estudado o suficiente para saber que a liberdade é a mãe e não a filha da ordem, mesmo que você erroneamente tema que sem o estado a natureza não será preservada ou que monopólios surgirão, nada, absolutamente nada pode justificar a iniciação de agressão. A única filosofia política que é compatível com esta posição é o libertarianismo que se baseia neste exato princípio básico de que é ilegítimo iniciar agressão. E é por isso que sou um libertário e acredito que você agora também seja.

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