Gregory Morin[1]
Meu primeiro contato com Hans Hoppe foi na “Austrian Economics Research Conference” do Mises Institute em 2015. Ele falou por mais de uma hora para uma plateia fascinada sobre as quatro áreas-chave onde a filosofia austrolibertária oferece uma variedade de insights únicos: “Sobre o homem, a natureza, a verdade e a justiça.”[2] Considerando que Hans Hoppe escreveu sobre os quatro assuntos, foi uma palestra envolvente, para dizer o mínimo. Sendo meio novato nesse movimento na época, minha impressão geral era que ele era “importante”, mas eu não tinha certeza do motivo. Eu já tinha ouvido falar de Ética Argumentativa, mas não muito além disso. Após a apresentação, ficou claro por que ele era tão estimado. O homem maneja lógica e retórica como um golfista que executa um hole-in-one.
Encontrei-o novamente no evento do 35 º aniversário do Mises Institute, em 2017, na cidade de Nova York. Ele discursou em um salão de baile lotado com igual dose de descontração e humor.[3] Ele não era a figura teutônica totémica que sua reputação poderia sugerir. Ele era um ser humano pé no chão, e pode-se argumentar que ele até poderia competir com Steven Wright no humor sagaz. Naquela noite, ele falou de seu antigo mentor, Murray Rothbard, com carinho e anedotas bem-humoradas. Havia mais ali do que o acadêmico rude e severo tipo “Professor Kingsfield” que eu, e suspeito que muitos outros, havíamos presumido.[4]
Tenho certeza de que o que vou revelar a seguir não vai surpreender os amigos próximos de Hans. O homem é um socialite amigável. Só quando tive a sorte de participar de vários encontros recentes da “Sociedade da Propriedade e Liberdade” em Bodrum, Turquia, é que fui exposto a um lado de Hans que tenho certeza que seus “fãs” desconhecem completamente. Para ser justo, não seria esperado que alguém soubesse muito sobre ele pessoalmente, já que ele está quase aposentado e tem o bom senso de ficar fora do cenário das “redes sociais” — oferecendo apenas entrevistas em podcast muito raras.[5] Nossa impressão (de seus admiradores) sobre ele é apenas através de seus escritos e de alguns vídeos selecionados no YouTube.
Há inúmeras oportunidades nos encontros da PFS para socializar, conversar e beber, e Hans participa das três. Em encontros da PFS, não é raro vê-lo rir ou sorrir. Esses encontros anuais são, sem dúvida, seu ambiente, e ele está mais relaxado quando está entre seus amigos e companheiros intelectuais. Uma lembrança que me chama atenção é uma conversa no jantar que rapidamente se desviou para a cultura popular. Certamente isso (cultura pop) não era algo em que um intelectual sério perderia seu tempo. Existem tantas outras atividades mais importantes! Pelo contrário, ele tinha opinião sobre quase todos os assuntos. E o mais surpreendente de tudo era que ele adorava as “comédias românticas”. Acredito que Harry & Sally – Feitos Um Para O Outro estava no topo da lista dele!
“Você nunca deveria conhecer seus heróis”, dizem. No entanto, fico feliz em informar que, no caso de Hans Hoppe, esse ditado não se aplica. Ele não decepciona e de fato supera o que muitos supõem apenas pela reputação. E para aqueles libertários preocupados que o estado use a cultura popular para nos “distrair” — relaxem, não se preocupem. Se Hans Hoppe consegue equilibrar buscas intelectuais e prazeres “frívolos” enquanto simultaneamente destrói os argumentos à favor do estado com uma lógica incontestável, então você também pode. Se passarmos a vida lutando contra o estado e sem aproveitar, então o estado já venceu. Não deixe que isso aconteça.
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Notas
[1] Gregory Morin, Ph.D. em Química, é proprietário e opera uma empresa de manufatura na Geórgia (EUA). Ele é químico de formação e economista de poltrona por paixão. Ele e sua esposa Joy são apoiadores de longa data do Mises Institute e da Property and Freedom Society. Greg atualmente faz parte do conselho do Mises Institute.
[2] Veja https://mises.org/podcasts/aerc-2015/man-nature-truth-and-justice.
[3] Veja Hans-Hermann Hoppe, “Amadurecendo com Murray,” HansHoppe.com (12 de outubro de 2017).
[4] Esta é uma referência a um personagem do romance, filme e série de televisão The Paper Chase.
[5] Veja, por exemplo, Hans-Hermann Hoppe & Michael Malice, “PFP194b | Bônus: Entrevista com Hans-Hermann Hoppe por Michael Malice no programa ‘YOUR WELCOME’: Ep. 018—On the Right (PFS 2018)”, Property and Freedom Podcast (30 de agosto de 2022; https://propertyandfreedom.org/pfp).
