29 – Hoppe sobre democracia e prosperidade

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Peter Wong[1]

 

Nos últimos anos, a crise geopolítica global e os erros políticos durante a “pandemia” levaram ao fechamento de muitas empresas, além de extrema volatilidade nos mercados de ações e imobiliário, resultando em inúmeras pessoas e empresas à beira da falência. Eu, no entanto, tive relativa sorte, conseguindo superar os desafios realocando meus investimentos para mercados relativamente vibrantes. Refletindo sobre essa experiência, aproveito esta oportunidade (seu aniversário de 75 anos) para agradecer ao Prof. Hans-Hermann Hoppe, de quem aprendi que a prosperidade econômica só pode ser encontrada sobre a liberdade e os direitos de propriedade privada. Sem dúvida, não existe um único governo no mundo que respeite completamente os direitos de propriedade privada no grau que o Prof. Hoppe aprovaria. No entanto, investir em países onde os governos respeitam relativamente os direitos de propriedade privada continua sendo fundamental para o sucesso.

Tenho participado de programas de rádio em Hong Kong, comentando regularmente sobre o mercado financeiro, durante os quais o apresentador me pergunta: “Considerando que o mercado americano continua a atingir recordes e parece estar em alta, enquanto o mercado chinês apresenta um grande desconto, o que deveria significar uma grande reversão, onde devo investir meu dinheiro?” A resposta é clara: a prosperidade de uma nação depende da disposição das pessoas em investir nela. Se tanto os locais quanto os estrangeiros estiverem ansiosos para investir seu capital nessa nação em particular, os preços dos ativos nessa nação naturalmente subirão. Por outro lado, se as políticas econômicas de um país não apenas dissuadirem os investidores estrangeiros, mas também fizerem com que os locais hesitem em investir, ou pior, considerem vender ativos e se mudar para o exterior, então os preços dos ativos nesse país eventualmente entrarão em colapso e se tornarão sem valor. O melhor exemplo foi o mercado de ações na Rússia após a Revolução Bolchevique.

Todos nós devemos nos inspirar nos ensinamentos do Prof. Hoppe quando se trata de avaliar o desempenho econômico de um país em relação às suas instituições na proteção da liberdade e dos direitos de propriedade privada. Ele desafia a noção dominante que equipara liberdade à democracia. Na obra de Hoppe, Democracia – o deus que falhou, o Prof. Hoppe não só propõe que a democracia não tem nada a ver com liberdade e prosperidade, como também afirma que a democracia, manifestada na sua forma extrema através do sufrágio universal, forçando a minoria a obedecer à maioria, entra em conflito fundamental com a liberdade individual. Ele argumenta que a prosperidade econômica deriva da liberdade individual, mas, como os sistemas democráticos ocidentais contemporâneos infringem a liberdade individual, isso leva a economia ocidental a perder o seu robusto ímpeto de crescimento do passado.

Esta teoria naturalmente suscita descontentamento entre muitos acadêmicos ocidentais que defendem cegamente os sistemas democráticos, mas também responde a uma antiga angústia na minha mente. Durante a era colonial, Hong Kong não tinha uma democracia do tipo “uma pessoa, um voto”, contudo o seu crescimento económico foi excecionalmente forte, ultrapassando mesmo o do Reino Unido democrático — o seu governante colonial. Isto levou figuras notáveis ​​como o falecido Prof. Milton Friedman, da Escola de Chicago, a destacar frequentemente Hong Kong como um exemplo a seguir das políticas de livre mercado. No entanto, é apenas a teoria de Hoppe que rompe o vínculo entre liberdade e democracia, e reafirma que a liberdade, e não a democracia, é o fundamento da prosperidade. É também apenas a teoria de Hoppe que aponta de forma mais explícita e direta por que Hong Kong, um país não democrático, conseguiu superar economicamente o Reino Unido, um país democrático.

Além de Democracia – o deus que falhou, o Professor Hoppe tem várias outras obras. Recomendo as palestras de Hoppe no YouTube[2], especialmente a série com outro renomado economista austríaco, o Prof. Guido Hülsmann, apresentada na Dinamarca em meados dos anos 2000. Esses vídeos abordam teorias econômicas fundamentais, como a história do dinheiro, o sistema bancário de reservas fracionárias, os ciclos econômicos, o capital e os juros, e a praxeologia. Posso afirmar que assistir aos vídeos, aproximadamente 10 horas no total, supera o conhecimento que adquiri no programa de mestrado em economia da minha universidade. Para os leitores interessados ​​em se aprofundar no estudo da teoria econômica, os ensinamentos de Hoppe são verdadeiramente revigorantes e esclarecedores.

 

 

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Notas

[1] Peter Wong é um viajante inveterado e colunista de finanças. Entre suas funções anteriores, destacam-se a de presidente de um think tank de livre mercado e a de economista-chefe de um fundo de hedge boutique em Hong Kong.

[2] A lista de reprodução pode ser encontrada em https://www.youtube.com/playlist?list=PLDFA82051066933E9.

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