8 – Um espírito guerreiro

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Robert Grozinger[1]

 

O historiador e economista americano Dr. Gary North observou certa vez que durante muitos séculos os alemães costumavam ser uma nação guerreira – até 1945. Não poderia estar mais de acordo. No entanto, enquanto crescia e morava na Alemanha (Ocidental) desde a década de 1960 até ao ano 2000, observei que mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, um remanescente tinha sobrevivido entre os alemães com o seu espírito guerreiro intacto.

Devido a circunstâncias bem conhecidas, esses samurais germânicos do pós-guerra dedicaram sua energia guerreira exclusivamente ao trabalho produtivo e à vida empresarial. Com determinação sombria e concentrada, tenacidade e diligência implacável, eles limparam os escombros, construíram ou reconstruíram as suas casas, infraestruturas e empresas, tiveram carreiras e aventuraram-se na criação de máquinas, ferramentas de precisão e outros bens de produção e de consumo de vanguarda e de renome mundial. O famoso “milagre econômico” da Alemanha Ocidental não se deveu apenas à eliminação dos controles de preços por Ludwig Erhard em 1948. Foi também, crucialmente, devido à presença deste remanescente guerreiro.

Conheci muitas pessoas na Alemanha cheias desse espírito. Algumas delas pude observar de perto por algum tempo. Uma delas foi meu pai que, apesar das mãos danificadas pelos estilhaços, tornou-se um influente professor de Design Gráfico. Outro foi um conselheiro local liberal clássico para quem trabalhei, que sobreviveu a um campo de concentração da Alemanha Oriental. Outro ainda, cujos escritos não encontrei e que só conheci pessoalmente depois de deixar a Alemanha, é Hans-Hermann Hoppe.

A determinação, diligência e insistência intransigente de Hans na honestidade intelectual compõe nele uma característica única, mesmo dentro da comunidade de libertários altamente individualista e que valoriza a veracidade. Com as suas numerosas contribuições ponderadas para a economia política, ele injetou, e continua a injetar, uma forte dose de espírito guerreiro no movimento pela liberdade em todo o mundo. Ele exala um destemor inspirador, enquanto sua mente de com mira laser não deixa a menor falha na cadeia de argumentos de ninguém. Assim, em um mundo enlouquecido, ele conquistou muitos inimigos. Porém, como diz o ditado alemão: Viel Feind, viel Ehr’, que significa “Quanto mais inimigos, maior a honra”.

Dessa e de muitas outras maneiras, Hans é um digno sucessor de seus modelos Ludwig von Mises e Murray Rothbard. Ele merece todos os elogios que recebe. Não importa que Hans seja alemão. Importa muito que ele seja um verdadeiro guerreiro do lado da liberdade, da criação de riqueza e da verdade. Por isso, ele merece ser homenageado e receber os mais altos elogios de seus contemporâneos e das gerações futuras.

 

 

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Notas

[1] Robert Grözinger mora e trabalha no Reino Unido.

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