O livro Omnipotent Government, de Ludwig von Mises não apenas aguçou meu intelecto; também colocou em palavras uma experiência que vivi. Para aqueles que cresceram sob o socialismo, a teoria nunca é abstrata; é memória. São as filas de racionamento, o medo, a estagnação e a humilhação silenciosa de lhe dizerem — repetidas vezes — que a própria realidade está errada. Mises fez algo raro: enfrentou a realidade sem pedir desculpas e, ao fazer isso, expôs a grande fraude política do século XX — uma fraude que permanece muito viva.
Muito antes da propaganda soviética rebatizar cinicamente os nazistas como “burgueses”, e muito antes dos acadêmicos modernos preguiçosamente rotulá-los de “extrema-direita”, Mises desmontou o Nacional-Socialismo com precisão clínica. Ele demonstrou que o nazismo não era uma divergência do socialismo, mas uma de suas expressões mais lógicas. Planejamento central, supremacia estatal, apreensão dos meios de produção e terror administrativo contra proprietários privados não eram características acidentais do Terceiro Reich; eram sua base. Até hoje, nenhum estudioso sério refutou os argumentos de Mises, apenas os evitou.
Chamar o NSDAP de “extrema-direita” não é análise. É um apelo à ignorância. Defender o rótulo porque “muita gente acredita nele” é um apelo clássico à popularidade. Nenhum dos dois pertence à pesquisa acadêmica. A verdade não é democrática. A realidade não se importa com quantas mãos se levantam a favor de uma mentira.
Mises confrontou os fatos. Seus críticos — na época e agora — recuam para a névoa semântica e para ginástica ideológica. Quando os fatos se tornam inconvenientes, novos diagramas são inventados. Assim nasceu a “teoria da ferradura”, o ancestral primitivo da bússola política: uma tentativa desesperada de achatar um eixo simples — da tirania à liberdade — em um plano que obscurece a responsabilidade. Jean-Pierre Faye queria que a ciência estivesse ao seu lado, enquanto se apegava ao dogma de que o fascismo e o nazismo devem ser “de extrema-direita”. A realidade se recusava a cooperar, então ele fugiu para a abstração. O objetivo nunca foi clareza; era fuga.
Socialismo, fascismo e nazismo não são opostos; são variações do mesmo credo: o estado onipotente. Eles diferem apenas na estética e na retórica, não no conteúdo. Cada um exige controle total. Cada um subordina o indivíduo a um coletivo abstrato. Cada um desmorona sob o mesmo problema não resolvido — o problema do cálculo econômico — que garante, não harmonia, mas guerra interna perpétua. Sem meios racionais para alocar recursos, os socialistas só podem lutar entre si. É por isso que a esquerda moderna é tão dogmática e tão hostil ao pensamento independente. Quando a razão falha, a imposição assume seu lugar.
Considere o anarco-sindicalismo e o anarcocomunismo, ideologias que colapsam no momento em que são examinadas. Uma sociedade que nega a hierarquia enquanto exige conformidade universal deve de alguma forma impor obediência. Quem decide? Por qual mecanismo? Como o comportamento parasitário é prevenido? A recusa em responder a essas perguntas não é radicalismo; é preguiça intelectual.
A ironia é inconfundível. Ativistas de esquerda bradam por “trabalhadores possuindo os meios de produção”, mas isso nunca aconteceu sob o socialismo — nem uma vez. Quando o socialismo chega ao poder, os trabalhadores não ganham nada; as elites estatais ganham tudo. Em contraste, cooperativas genuínas de propriedade dos trabalhadores surgem sob condições de mercado ultra-livre. Minha cidade natal oferece um exemplo claro: Społem Kielce — fundada quando toda a regulamentação econômica da Polônia cabia em dez páginas. A prosperidade seguiu a liberdade. Hoje, sob a sufocante bota da burocracia socialista da UE, nenhuma cooperativa desse tipo está sendo formada. A regulamentação não empodera os trabalhadores; estrangula a iniciativa.
O nazismo era “nacional” apenas no sentido de que outras nações eram forçadas a subsidiar o conforto alemão sob a mira de armas. O nacionalismo nunca foi o problema, o socialismo foi — e continua sendo o problema. Os nazistas tomaram os meios de produção por meio de multas administrativas, impostas sem tribunais, deliberadamente arquitetadas para falirem proprietários e nacionalizar bens. Isso não é história; é precedente. A tentativa da UE de esmagar o X por meio de regulamentação punitiva segue a mesma lógica, diferindo apenas no tipo.
A direita, bem compreendida, trata de reconhecer a realidade e limitar o poder. Levado ao extremo, torna-se anarcocapitalismo — uma ordem fundamentada no princípio da não agressão. É isso que “extrema-direita” realmente significa: não controle total, mas contenção radical. As verdadeiras tiranias—comunismo, socialismo, fascismo, nazismo—estão unidas no extremo oposto do eixo, onde o estado reivindica autoridade sobre todos os aspectos da vida, até se você pode expressar amor pelo seu país hasteando uma bandeira.
Consenso não significa nada aqui. Do ponto de vista científico, a popularidade é irrelevante. Os argumentos se sustentam ou caem pela lógica deles, não pelo quão intensamente são aplaudidos. Premissas falsas sobrevivem apenas até que a realidade intervém—e ela sempre intervém.
Nos Ocidente, dois sistemas de crença agora competem pela lealdade. O cristianismo exige responsabilidade pessoal, disciplina moral e humildade perante a verdade objetiva. O socialismo exige submissão ideológica e obediência ao poder. Um sustenta civilizações; o outro as consome. Medido pela segurança, continuidade e sobrevivência histórica, o cristianismo provou ser muito superior ao culto ao socialismo e seus primos ideológicos.
Um argumento baseado na ignorância, reforçado pela dialética hegeliana e pela negação da realidade objetiva, não prevalecerá. A realidade não se dobra. A bandeira da liberdade ainda tremulará porque a verdade, assim como a liberdade, perdura.
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