A Gordon S. Lang School of Business and Economics da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, é, em muitos aspectos, uma escola de negócios bastante típica. Oferece diplomas em gestão, liderança, economia, entre outros, e seus professores são regularmente publicados em revistas de negócios respeitadas.
Uma das coisas que torna a Lang um tanto única, no entanto, é seu foco no ambientalismo e na sustentabilidade. Isso não será surpresa para os moradores de Ontário. Guelph é uma das únicas duas cadeiras na legislatura provincial ocupadas pelo Partido Verde de Ontário. A cidade, pode-se dizer, tem fama por esse tipo de coisa.
Aproveitando essa veia ambientalista, assim como seu compromisso com a “empresa responsável” e ideias similares, a escola Lang criou um slogan instigante, que exibe com orgulho em seu site e em seus prédios no campus: “Empresas como força para o bem.”
Embora a mensagem óbvia dessas palavras seja claramente positiva, há uma insinuação aqui difícil de ignorar. Diz, no subtexto, que as empresas muitas vezes não são uma força para o bem, e que é necessária certa intencionalidade para direcionar as empresas a fins justos.
O slogan, ao que parece, foi criado para abordar o sentimento anti-empresas predominante que existe em nossa cultura. “Não se preocupe”, é a mensagem. “Sabemos a reputação que as empresas — especialmente as grandes — tem, e estamos trabalhando nisso.”
Lembro-me de uma palestra dada por Ayn Rand em 1961, que posteriormente foi transformada em um ensaio intitulado “A Minoria Perseguida dos EUA: Grandes Empresas.” Na palestra, Rand expressou frustração pelo fato de que empresários, que foram singularmente produtivos, também foram desprezados pela própria sociedade que tanto ajudaram. De fato, nenhuma boa ação fica impune. Rand comentou:
“O progresso industrial dos EUA, no curto espaço de um século e meio, adquiriu o caráter de uma lenda: nunca foi igualado em nenhum lugar do mundo, em qualquer período da história. Os empresários americanos, como classe, demonstraram o maior gênio produtivo e as conquistas mais espetaculares já registradas na história econômica da humanidade. Que recompensa eles receberam da nossa cultura e de seus intelectuais? A posição de uma minoria odiada e perseguida. A posição de bode expiatório para os males dos burocratas.”
Rand chamou atenção especial às leis antitruste e a como elas são usadas para punir aqueles que têm sido mais bem-sucedidos em atender às necessidades dos consumidores. Ela observa que, entre essas e outras leis e as atitudes predominantes na sociedade, “todo aspecto feio e brutal da injustiça contra minorias raciais ou religiosas está sendo praticado contra empresários.”
O economista Murray Rothbard, em uma reviravolta interessante, discordou fortemente dessa perspectiva e expressou seu desacordo com Rand sobre esse ponto em vários livros e artigos ao longo de sua carreira. Veja como ele colocou resumiu tudo isso do final dos anos 1960:
“Conservadores e libertários sofrem de uma falha em reconhecer quem é responsável pela aceleração deste país rumo ao estatismo. Ayn Rand certa vez escreveu que as grandes empresas são ‘a minoria mais perseguida dos EUA.’ Nada poderia estar mais longe da verdade. Desde o início do século XX, passando pelo período do New Deal e até os dias atuais, as grandes empresas estiveram na vanguarda da transição de uma economia livre e uma sociedade livre para o estatismo. Pois viam no estado o que os mercantilistas — os grandes empresários de sua época — viam: uma oportunidade de ouro para conceder privilégios especiais a si mesmos por meio de subsídios, monopólios, cartéis, contratos, etc.”
O economista Milton Friedman expressou sentimentos semelhantes. “Essencialmente”, ele dissera, “a maioria dos empresários é inimiga dos mercados livres.” A virtude do livre mercado, avisaram Rothbard e Friedman, é justamente que ele impede grandes empresas de usarem o governo para se beneficiar às custas da pessoa comum.
Juntando esses pontos, parece existir duas linhas de pensamento divergentes na tradição libertária quando se trata de grandes empresas. Uma vê as grandes empresas como heroínas perseguidas, a outra como um vilãs oportunistas.
Mas essas não são ideias irreconciliáveis. O que elas realmente significam é uma diferença de ênfase. Rand está certa ao dizer que grandes empresas, em princípio, merecem ser celebradas, e que as massas estão erradas ao desprezar o empresário bem-sucedido como tal. Ao mesmo tempo, Rothbard e Friedman estão certos ao dizer que, historicamente, muitos grandes empresários conseguiram fazer lobby por privilégios especiais, e por isso deveríamos ter certo desprezo pelas grandes empresas, como elas frequentemente foram na prática.
A tarefa dos libertários atuais não é escolher uma dessas posições, mas estar prontos para apoiar qualquer uma delas dependendo da discussão em questão. Quando nossos opositores lamentam a relação incestuosa entre grandes empresas e governo, podemos concordar com eles que privilégios especiais para grandes empresas são um problema e apontar que mercados livres são a solução. Por outro lado, quando sugerem que ser grande e lucrativo é inerentemente perverso, mesmo em um mercado livre, essa é uma oportunidade perfeita para canalizar a posição de Ayn Rand e defender o papel nobre do empreendedor contra aqueles que o pintam como ganancioso, insensível e explorador.
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