Tucker Carlson, que recentemente foi identificado no The New York Times como “possivelmente, neste momento, a figura mais significativa da mídia da direita americana”, fez um relato revelador de suas prioridades políticas em seu discurso no AmericaFest da Turning Point USA, no final de dezembro.
“Tudo o que realmente me importa é que as pessoas responsáveis se importem — que amem as pessoas que lideram”, explicou ele do púlpito. “Esse é o primeiro e mais importante requisito da liderança. Um pai que ama seus filhos pode cometer erros… mas se ele ama os filhos, vai fazer um bom trabalho e eles vão se sair bem.” Da mesma forma, Carlson faz uma analogia: “O presidente que realmente ama seu povo, com o tempo, tenderá a tomar decisões mais sábias em seu nome. Mas os líderes que não se importam nem um pouco? Eles vão destruir seu país, e é exatamente isso que tivemos.”
Esse não foi um diagnóstico anômalo vindo de Carlson. Ele frequentemente fez esse mesmo argumento básico, como quando participou do podcast do comediante Theo Von no mês passado:
“O que realmente importa é a disposição dos seus líderes em realmente morrer por vocês como vocês morreriam por seus filhos. Tipo, é simples assim. Se eles te amam, seu país prosperará. Se eles te odeiam, vai fracassar. É super simples. Eles não gostam da gente.”
Essa constante analogia entre membros do governo federal e figuras parentais que devem nos amar não poderia ser menos precisa ou mais perigosa. Para entender o motivo, é necessário um resumo da natureza básica da governança financiada por impostos. Em seu ensaio seminal de 1974, A anatomia do Estado, o economista Murray Rothbard faz um resumo conciso:
“Em poucas palavras, o estado é a organização social que visa manter o monopólio do uso da força e da violência em uma determinada área territorial; especificamente, é a única organização da sociedade que obtém a sua receita não pela contribuição voluntária ou pelo pagamento de serviços fornecidos mas sim por meio da coerção.
Enquanto os outros indivíduos ou instituições obtêm o seu rendimento por meio da produção de bens e serviços e da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado obtém o seu rendimento através do uso da coerção; isto é, pelo uso e pela ameaça de prisão e pelo uso das armas.”
Também é útil que Rothbard vá além da natureza básica das instituições financiadas por impostos. Ele explica a lógica atemporal de como tais instituições surgiram originalmente:
“O ser humano nasce indefeso e, como tal, precisa utilizar a sua mente para aprender a obter os recursos que a natureza lhe fornece e a transformá-los (por exemplo, através do investimento em ‘capital’) em objeto e em locais de modo que possam ser utilizados para a satisfação das suas necessidades e para a melhoria do seu padrão de vida. A única forma por meio da qual o ser humano pode fazer isto é através do uso da sua mente e da sua energia para transformar os recursos (‘produção’) e da troca destes produtos por produtos criados pelos outros. O ser humano descobriu que, por meio do processo de troca mútua e voluntária (comércio), a produtividade — e, logo, o padrão de vida de todos os participantes desta troca — pode aumentar significativamente. Portanto, o único caminho ‘natural’ para o ser humano sobreviver e alcançar a prosperidade é utilizando sua mente e energia para se envolver no processo de produção-e-troca. Ele realiza isto, primeiro, encontrando recursos naturais, segundo, transformando-os (‘misturando seu trabalho a eles’, tal como disse John Locke), fazendo deles a sua propriedade individual, e depois trocando esta propriedade pela propriedade de outros que foi obtida de forma semelhante.
O caminho social ditado pelas exigências da natureza humana, portanto, é o caminho dos ‘direitos de propriedade’ e do ‘livre mercado’ de doações ou trocas de tais direitos. Ao longo deste caminho, o ser humano aprendeu a evitar os métodos ‘selvagens’ da luta pelos recursos escassos — de forma que A pudesse apenas adquiri-los à custa de B —e, ao invés disso, aprendeu a multiplicar imensamente esses recursos por meio do processo harmonioso e pacífico da produção e troca.’
O grande sociólogo alemão Franz Oppenheimer apontou para o fato de que existem duas formas mutuamente exclusivas de adquirir riqueza: a primeira, a forma referida acima, de produção e troca, ele chamou de ‘meio econômico’. A outra forma é mais simples, na medida em que não requer produtividade; é a forma em que se confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e da violência. É o método do confisco unilateral, do roubo da propriedade dos outros. A este método Oppenheimer rotulou de ‘o meio político’ de aquisição de riqueza…. O ‘meio político’ desvia a produção para um indivíduo — ou grupo de indivíduos — parasita e destrutivo; e este desvio não só subtrai da quantidade produzida como também reduz o incentivo do produtor para produzir além de sua própria subsistência….
O estado, nas palavras de Oppenheimer, é ‘a organização dos meios políticos’; é a sistematização do processo predatório sobre um determinado território.”
Dado esse contexto, vamos levar a sério a analogia da família usada por Carlson.
Como a biologia evolutiva nos ensina, e como o biólogo Richard Dawkins esclarece em seu renomado livro de 1976, O Gene Egoísta, a seleção natural tende a favorecer disposições comportamentais que promovem a “aptidão inclusiva” de um organismo, ou seja, a propagação de seus genes tanto por meio da reprodução direta quanto de descendentes geneticamente relacionados. Como os pais biológicos compartilham uma parte substancial de seus genes com seus filhos, traços que dispõem os pais a proteger e investir em seus descendentes são fortemente selecionados ao longo da história evolutiva humana. Isso significa que os interesses parentais e os interesses das crianças estão muito mais alinhados do que os interesses de estranhos não relacionados.
A economia de mercado funciona de forma semelhante. A razão pela qual os mercados livres geralmente resultaram em tanta criação de riqueza é que eles excluem estratégias parasitárias de aquisição de recursos, como a apreensão violenta de riqueza, e, portanto, incentivam as pessoas a oferecerem transações mutuamente benéficas que todas as partes envolvidas concordam voluntariamente. Isso significa que, em um contexto de mercado, as pessoas servem aos seus próprios interesses servindo aos dos outros. Como o fundador da economia moderna, Adam Smith escreve famosamente em sua obra-prima de 1776, A Riqueza das Nações:
“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua autoestima, e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles. Ninguém, a não ser o mendigo, sujeita-se a depender sobretudo da benevolência dos semelhantes.”
Portanto, assim como podemos confiar muito mais em nosso pai biológico do que em um estranho para cuidar dos nossos interesses, podemos confiar muito mais em pessoas do setor privado do que em membros do governo federal para cuidar dos nossos interesses. Os interesses biológicos do nosso pai são, em grande parte, nossos interesses biológicos, e os interesses econômicos daqueles que fazem parte de nossas relações voluntárias são, em grande parte, nossos interesses econômicos.
Claro, pessoas do setor privado frequentemente nos enganam e nos fraudam se puderem, mas pelo menos sabem que, se os pegarmos fazendo isso (ou até se nunca os pegarmos, mas gradualmente deixarmos de ver benefício em nos associarmos a eles), somos livres para fazer negócios em outro lugar imediatamente e deixar de beneficiá-los economicamente, sem falar que também podemos espalhar a notícia sobre o serviço ruim deles. Membros do governo, por outro lado, nos escravizaram às instituições coercitivas e involuntárias de tributação e regulação estatal. Se não gostarmos dos “produtos” fornecidos por eles, talvez anos depois tenhamos a oportunidade de depositar um voto em grande parte inútil no sistema eleitoral profundamente falho e corrompido, mas não podemos automaticamente e simplesmente fazer negócios em outro lugar como podemos fazer no setor privado.
Esses expropriadores em grande parte parasitas de recursos obtidos privadamente são altamente irresponsáveis em comparação com pessoas voluntárias do setor privado, como aqueles que te empregam, vendem mantimentos e assim por diante. Em vez de serem obrigados a administrar recursos de forma sábia e benevolente, os membros do governo geralmente são incentivados a permitir fraudes e saquear os tesouros aos quais têm acesso temporário antes do fim do mandato eleitoral.
A ideia de Tucker Carlson de que uma classe de líderes mais amorosa resolverá os problemas do país é como torcer, enquanto é assaltado, que o assaltante comece a te amar e, portanto, a servir aos seus interesses. Em vez de desejar ser amados por esses parasitas coercitivos e torcer para que nos tratem benevolentemente apesar de seus incentivos contrários, Carlson e o restante da população fariam bem em focar no amor de suas famílias e pessoas do setor privado, cujos interesses estão muito mais alinhados, e que, portanto, podem ser confiáveis em relacionamentos muito mais robustos e valiosos.
Quanto ao estado coercitivo, cidadãos privados fariam bem em aproveitar qualquer oportunidade para diminuir a influência desses parasitas econômicos sobre a vida familiar e de mercado. Se quiserem ser valorizados como membros da sociedade civilizada, deveriam parar de depender de impostos e começar a criar algo de valor pelo qual as pessoas demonstrem disposição para pagar voluntariamente.
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