falencia-socorroQuando há uma crise financeira, sempre há uma cobrança ao governo para que ele tome uma “atitude à respeito”. A população, a mídia, políticos da oposição. Governos (principalmente os keynesianos) podem tomar medidas que podemos considerar uma aberração moral, dentre as quais está incluído o socorro às empresas e bancos. E, não raro, se escuta ou se lê, mesmo entre liberais, quando se estoura uma crise, a defesa de tal socorro. Devemos explicar que libertários e liberais (me refiro aos radicais como Mises, por exemplo) não são os empresários e banqueiros que pedem socorro ao estado. Libertários e liberais geralmente querem mais que as empresas e os bancos deficitários quebrem mesmo. Explico.

“Eu não encomendei o socorro de ninguém”

Para entender melhor tal argumento devo esclarecer um princípio básico de economia: nenhuma, absolutamente nenhuma, ação afirmativa do governo sai de graça, nem barato.

Principalmente se tratando em socorro de empresas. O socorro de uma empresa é extremamente custoso e a quantia de dinheiro usada é sempre muito maior do que a quantia que essa empresa pagou em tributos. Ou seja, empresas em época de bonança financeira, que podem quebrar futuramente, acabam por custear o socorro de outras empresas em época de crise, fora o dinheiro retirado à força de milhões de pessoas via impostos que acaba beneficiando uma fração milesimal da população.

A livre concorrência freada e o mais do mesmo

Grandes corporações costumam possuir ligações escusas com o estado. Ao contrário do que as pessoas pensam, os governantes quase nunca são liberais e defendem com unhas e dentes a intervenção do governo na economia para fins de enriquecimento.

Sobre protecionismo, o governantes só são contra se outros países praticam, mas dentro do país que governam são fervorosamente à favor.

Ao garantir mais um tempo de vida às empresas, o estado com o processo natural de renovação do mercado: pequenas empresas deixam de crescer e novas empresas deixam de surgir.

O estado acaba por preferir a manutenção de um gigante a ver potenciais gigantes crescerem ou novos surgirem. Não são os estatistas que são contra o monopólio e oligopólio? Bem, então deveriam ser também contra a socorros de empresas, mas preferem esse arranjo corporativista.

Socorro é uma aberração moral

Esse terceiro argumento é praticamente uma extensão do primeiro. Podemos dizer, moralmente falando, que o socorro de empresas é uma aberração por ser uma espécie de meritocracia às avessas. O máximo que o governo poderia fazer é ressarcir todos os impostos que a empresa pagou, porém ele geralmente gasta muito mais do que essa quantia para resgatá-las.

O socorro de empresas nada mais é que premiar a sua incompetência. Uma vez que a empresa não atende mais a demanda do mercado (não importando o motivo), ela deve pagar pelo seu erro quebrando. Essa quebra estimula a concorrência e a eficiência. Mesmo que haja uma quebra dos concorrentes potenciais isso apenas evidenciará que as empresas estavam investindo numa fatia do mercado onde não há demanda.

Se todas errarem, todas devem quebrar.

O socorro não combate o desemprego

Quando uma grande empresa está a beira da falência, milhares de empregos ficam sob risco, já que a provável quebra dessa empresa acarretará na quebra de parte dos seus fornecedores e ainda na redução do lucro de outras empresas que demitirão para cortar os gastos. Qual a solução?

O estado pode injetar bilhões e bilhões de dólares para salvar a empresa e esses empregos, numa ação demagógica que visa principalmente mostrar o seu poder: “se não fosse a gente milhares de pessoas a mais estariam na fila do desemprego” – é o querem nos dizer. Mas vamos mostrar a realidade.

O resgate de empresa na verdade não salva emprego nenhum, a não ser de quem não quer sair da empresa socorrida. Como citado anteriormente, o socorro de empresas freia a livre-concorrência. Ao mesmo tempo que ele “salva” o emprego de uns ele impede o surgimento de outros, ou mesmo impede que muita gente troque de emprego por um possivelmente melhor.

Mas isso não é tudo. Como a empresa não oferece um serviço que atenda a demanda social, os milhares de empregos “salvos” pelo socorro deixam de ser empregos e passam a ser parasitismo. Funcionários que deveriam ser demitidos acabam por receber o seu salário de maneira ociosa e bancado pelo dinheiro público.

É estupidez acreditar que o socorro de empresas salva empregos. O que ele faz é impedir novos empregos de serem criados e gerar parasitas.

O consumidor é prejudicado

O consumidor é a grande figura do mercado. Ele quem deve definir quem fica e quem sai do mercado. O seu emprego ou os seus lucros devem estar nas mãos dele. As suas escolhas são cruciais e ele deve ter toda a liberdade de escolher o que quiser.

Infelizmente, o estado tem o poder de atrapalhar o consumidor e o socorro de empresas é um meio de fazer isso.

Sem a livre-concorrência, a quantidade de oferta torna-se escassa e o consumidor acaba por não ter mais opções. Uma empresa como a General Motors, por exemplo, poderia muito bem ter quebrado para abrir o mercado para outras montadoras, e ela não faria falta, já que o mercado a tem rejeitado. O seu resgate impediu as empresas menores de crescerem ou de outras surgirem. O mercado de automóveis, então, perdeu a chance de se renovar. O consumidor apenas perdeu com o resgate da GM.

Conclusão

Não existem bons argumentos para defender o socorro de empresas. Geralmente o dinheiro recebido pelo resgate é muitíssimo maior que o pago em impostos pela empresa resgatada, o que significa que não se pode nem usar a devolução de impostos como pretexto. Todos bancam isso e todos perdem, com apenas uma minoria parasitária se beneficiando.

Se queremos uma economia livre e saudável, devemos ser a favor da omissão de socorro por parte do estado: ele deve deixar as empresas ineficientes quebrarem para o bem de todos. Ou de preferência, deixar de existir.

Imprimir