Então, Teoria do Caos, hein? É, não é mesmo sobre a teoria do caos[1], mas ele é realmente um título legal. E o livro em si talvez seja o mais importante até hoje na teoria anarquista e sua possível aplicação ao “mundo real”.

Quando eu primeiro li o rascunho do livro do Bob, eu fiquei pasmo com a incrível simplicidade de seus argumentos, algo que eu acho que está faltando em muito da literatura anarquista existente. Suas explicações simples, uma esperta mistura de senso comum e teoria econômica fácil de entender, proveem um perfeito ponto de partida para o não-anarquista curioso, ou um fantástico ponto de chegada para o comprometido anti-estatista que tem algumas poucas dúvidas logísticas sobre a sociedade sem Estado.

Eu conheço o Bob por um tempo já, desde “os tempos” em que nós éramos colunistas regulares no LewRockwell.com. Em maio de 2001 ele me ajudou a montar o anti-state.com, que cresceu até ser o maior site anarquista de mercado da internet (sério!). Ele continua, com este livro, sua generosa contribuição à próxima geração da evolução anarquista, que parece ter estagnado em anos recentes. A contínua expansão da filosofia da não-agressão e da cooperação faz dobrar os seus defensores para que eles levem a alta teoria econômica e moral ao nível do homem comum.

Bob aborda os argumentos mais comuns contra a abolição do Estado — e os destrói completamente. “Quem vai proteger as fronteiras se não houver Estado?” Ninguém, imbecil. Não há fronteiras, exceto as da propriedade privada. E essa é defendida sem o Estado da mesma forma que nós fazemos agora com o Estado.

Eu sei. “E se houver um Estado vizinho psicótico muito superior economicamente que quer invadir o país sem Estado?” Bom, só porque não há Estado, não se segue que não há defesa. É uma tática comum dos estatistas a de nos acusar de querer abolir, digamos, a assistência para os pobres, já que eles pensam que ela seria impossível sem o Estado. Mas isso não é verdade: nós não queremos que o Estado roube nosso dinheiro e dê para aqueles que não o mereçam. Nós queremos o direito à nossa propriedade, incluindo todo o nosso dinheiro, e o direito de ajudar quem quer que nós consideremos que mereça. Isso é consistente com a única regra do libertarianismo: o Princípio da Não-Agressão.[2]

Na primeira seção, Bob explica como uma sociedade sem governo mesmo assim teria leis e “regulações”. Não haveria violações (legais) dos direitos dos donos de propriedade. Na anarquia de mercado, a justiça seria baseada na restituição, não em retribuição, o que significa que os criminosos teriam que restituir suas vítimas em vez de serem punidos pelo sádico Estado.

Na segunda seção, Bob brilhantemente aborda a questão da defesa privada. Eu me recuso a arruiná-la para você — corra, leia essa introdução e então vá para o primeiro capítulo.

Para resumir minha impressão do livro, basicamente: inteligente, sucinto e, o mais importante, escrito na linguagem da pessoa comum, sem o esnobismo acadêmico arrogante tão presente nos trabalhos disponíveis atualmente, que tendem a ser um grande problema para aqueles de nós que estão tentando popularizar o movimento.

Este livro com certeza vai virar uma parte fixa das bibliotecas pessoais de incontáveis libertários e anarquistas, e um clássico no campo da teoria anarquista e da economia austríaca.

 

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Notas:
[1] A teoria do caos é o “estudo qualitativo de comportamentos aperiódicos em sistemas determinísticos dinâmicos não-lineares.” Veja http://www.duke.edu/%7Emjd/chaos/chaos.html

[2] O PNA afirma que “ninguém tem o direito, sob quaisquer circunstâncias, de iniciar força contra qualquer outro ser humano, nem de delegar sua iniciação”. É tão simples que você pensaria que ele ia se disseminar mais, Ah, e ter o Estado para fazer o seu trabalho sujo é delegar, então o Estado, por sua própria existência, viola o PNA.

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