O termo em voga na Europa é “Remigração“, que seria a volta dos imigrantes para seus países, deixando a Europa para os europeus.
É compreensível: desemprego, violência e o custo do estado de bem-estar social crescentes fazem com que a população perceba a queda na qualidade de vida de forma bastante rápida.
Ainda que o debate sobre as causas dessa queda sejam os imigrantes ou não, o fato é que a população assim as percebe e a imigração em massa para a Europa é fruto deliberado de uma elite política europeia, sem que a população fosse de fato consultada.
E isso tudo gera ressentimento e reação.
Ainda que o princípio da remigração seja um princípio justo, vez que para entrar na casa de alguém você tem que ser, pelo menos, convidado, eu quero pontuar aqui que ele é incompleto e mesmo inútil se não for precedido pelos conceitos que chamei de “Redescentralização” e “Recatolização”.
Pela ordem, por mais que dois séculos de consolidação dos Estados modernos nacionais europeus tenham se passado, nem mesmo a massiva propaganda foi capaz de forjar identidades nacionais. As grandes nações como Espanha, França, Alemanha e Itália são colchas de retalho mal costuradas que, se passaram os últimos duzentos anos unificadas, possuem mais de mil anos de descentralizadas, muitas delas com idiomas diferentes, etnias diferentes, costumes diferentes que nem a baioneta nem a propaganda foram capazes de suprimir.
É claro que com governos centrais totalmente desconectados dos povos regionais, políticas alheias a esses povos, como a de aceitar imigrantes forçosamente, foram sendo passadas ao longo do tempo. A descentralização e mesmo o desmantelamento das estruturas centralizantes da Europa daria à população local autonomia sobre seu destino e sobre as políticas que desejam seguir.
Foi a Europa descentralizada que gerou o ambiente para a efervescência da cultura ocidental, do esplendor cultural e arquitetônico daquele continente. Sem devolver essa autonomia e com decisões unificantes e massificantes a Europa estará condenada à apatia atual.
Porém, se há uma força motriz na descentralização, há também uma na unidade. Ser europeu não é um mero acidente geográfico – há um elemento formador e unificante da sociedade europeia, e esse elemento é o Cristianismo. Foi a Igreja Católica em peregrinação por todo o continente, com respeito as diferenças locais, que formou o laço que unifica toda a Europa em uma identidade supranacional. Os traços dessa união podem ser vistos nas catedrais, igrejas e capelas, nas ermidas, mosteiros e conventos em todo território europeu. Não importa se a língua local é de raiz germânica, eslava ou celta, é o Latim que está inscrito nas Igrejas que unifica o ser europeu.
Sem esse elemento é inútil falar sobre “Europa para os europeus” pois não resta mais nada de europeu senão um mero acidente geográfico. O europeu precisa, antes de mais nada, redescobrir o tesouro civilizacional que um dia abrigou, redescobrir sua Fé e leva-la ao mundo como uma dádiva e não uma vergonha.









