A arma de fogo é a civilização

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guns-everywhere-3Os seres humanos têm apenas duas maneiras de lidar uns com os outros: por meio da razão e por meio da força.
Se você quer que eu faça algo por você, há duas opções: ou você me convence por meio de um argumento racional ou você recorre à ameaça de violência.

Toda e qualquer interação humana necessariamente recai em uma dessas duas categorias. Sem exceção. Razão ou força. E só.

Em uma sociedade genuinamente moral e civilizada, as pessoas interagem exclusivamente por meio da persuasão. A força não é um método válido de interação social.

Sendo assim, e por mais paradoxal que isso possa parecer para alguns, a única ferramenta que pode remover a força dessa lista de opções é uma arma de fogo pessoal.

E o motivo é simples: quando estou portando uma arma de fogo, você não pode lidar comigo por meio da força. Você terá de utilizar apenas a sua razão e a sua inteligência para tentar me persuadir. Portando uma arma de fogo, eu tenho uma maneira de neutralizar a sua ameaça ou o seu uso da força.

A arma de fogo é o único objeto de uso pessoal capaz de fazer com que uma mulher de 50 kg esteja em pé de igualdade com um agressor de 100 kg; com que um aposentado de 75 anos esteja em pé de igualdade com um marginal de 19 anos; e com que um cidadão sozinho esteja em pé de igualdade com 5 homens carregando porretes.

A arma de fogo é o único objeto físico que pode anular a disparidade de força, de tamanho e de quantidade entre um potencial agressor e sua potencial vítima.

Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como sendo o lado ruim da equação, a fonte de todas as coisas repreensíveis que acontecem em uma sociedade. Tais pessoas acreditam que seríamos mais civilizados caso todas as armas fossem proibidas: segundo elas, uma arma de fogo facilita o “trabalho” de um agressor.

Mas esse raciocínio só é válido, obviamente, se as potenciais vítimas desse agressor estiverem desarmadas, seja por opção ou por decreto estatal. Tal raciocínio, porém, perde sua validade quando as potenciais vítimas também estão armadas.

Essas pessoas que defendem a proibição das armas estão, na prática, clamando para que os mais fortes, os mais agressivos e os mais fisicamente capacitados se tornem os seres dominantes em uma sociedade — e isso é exatamente o oposto de como funciona uma sociedade civilizada. Um bandido, mesmo um bandido armado, só terá uma vida bem-sucedida caso viva em uma sociedade na qual o estado, ao desarmar os cidadãos pacíficos, concedeu a ele o monopólio da força.

E há também o argumento de que uma arma faz com que aquelas brigas mais corriqueiras, as quais em outras circunstâncias resultariam apenas em pessoas superficialmente machucadas, se tornem letais. Mas esse argumento é multiplamente falacioso.

Em primeiro lugar, se não houver armas envolvidas, todos os confrontos serão sempre vencidos pelo lado fisicamente superior, o qual irá infligir lesões e ferimentos avassaladores ao mais fraco. Sempre.

No que mais, pessoas que acreditam que punhos cerrados, porretes, pedras, garrafas e cacos de vidro não constituem força letal provavelmente são do tipo que acreditam naquelas cenas fantasiosas que vêem nos filmes, em que pessoas tomam variados socos, pauladas e garrafadas na cabeça e ainda continuam brigando impavidamente, no máximo com um pouco de sangue nos lábios.

O fato de que uma arma de fogo facilita o uso de força letal é algo que funciona unicamente em prol da vítima mais fraca, e não em prol do agressor mais forte. O agressor mais forte não precisa de uma arma de fogo para aniquilar sua vítima mais fraca. Já a vítima mais fraca precisa de uma arma de fogo para sobrepujar seu agressor mais forte. Se ambos estiverem armados, então estão em pé de igualdade.

A arma de fogo é o único objeto que é tão letal nas mãos de um octogenário em uma cadeira de rodas quanto nas mãos de um halterofilista. Se ela não fosse nem letal e nem de fácil manipulação, então ela simplesmente não funcionaria como instrumento equalizador de forças, que é a sua principal função.

Quando estou portando uma arma, eu não o faço porque estou procurando confusão, mas sim porque quero ser deixado em paz. A arma em minha cintura significa que não posso ser coagido e nem violentado; posso apenas ser persuadido por meio de argumentos racionais. Eu não porto uma arma porque tenho medo, mas sim porque ela me permite não ter medo. A arma não limita em nada as ações daqueles que querem interagir comigo por meio de argumentos; ela limita apenas as ações daqueles que querem interagir comigo por meio da força.

A arma remove a força da equação. E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado.

Uma grande civilização é aquela em que todos os cidadãos estão igualmente armados e só podem ser persuadidos, jamais coagidos.

8 COMENTÁRIOS

  1. O princípio básico de acesso irrestrito às armas é a defesa contra um Estado autoritário. Por consequência, defesa contra toda e qualquer ameaça à vida, à integridade física e/ou ao patrimônio.

    Sendo assim, toda e qualquer restrição ao acesso às armas (sim, sempre no plural) é uma restrição ao direito à vida, à segurança, ao ir e vir, à propriedade e, consecutivamente, a todos os demais direitos.

  2. Aquele que porta arma para cometer abusos não se submete a autorização estatal… E, se TODOS tiverem acesso a armas, as forças estarão equalizadas e os eventuais agressores estarão desincentivados a cometer abusos… Sim, a arma é um instrumento civilizatório e, antes de tudo, de defesa… a despeito do que a narrativa romantizada e pseudo lógica do marxismo cultural tenta empurrar goela abaixo…

  3. Texto interessante, mas eu gostaria de acrescentar um argumento. Veja bem, ao portar uma arma de fogo você automaticamente reduz drasticamente as chances de precisar usar de violência para sua autopreservação, isso se dá por uma lógica consideravelmente simples e extremamente óbvia, principalmente para aqueles que são minimamente iniciados em psicologia comportamental, armas configuram arquétipos hungianos, logo não preciso ser efetivamente utilizadas para influenciar o comportamento humano, ou seja, se um indivíduo x está armado, as chances de ele ser agredido são ínfimas mesmo que ele não sabe ou aponte arma de alguém, o que reforça o argumento de que é melhor ter uma arma e não precisar usá-la do que precisar usar uma arma mas não ter uma a sua disposição.

  4. O artigo peca no início, sao três as formas de poder…..social que no caso chama de.persuasão, força fisica aue noncaso atribuiu a arma de fogo e o poder econômico. …este é a terceira forma de poder qud pra o atual contexto essepoder economicomo é predominantemente, ou seja, ele se.sobressai e supera os outros poderes, logo arma de fogo não é um poder genuíno e inerente à qualidade humana já que sucumbe a qualquer um que possa pagar pra matar ou obter maior poder armamentista

  5. Parabens Epaminondas, seu comentário foi a coisa mais sensata que eu pude ler nessa página.
    “O triste do liberalismo a respeito das armas é que os argumentos partem sempre das armas como instrumentos para defesa. E nunca, como instrumentos de abuso.”
    Não se trata de ser de esquerda ou de direita, trata de reconhecer que quando alguém pensa em portar arma de fogo, pode não estar pensando apenas em auto-defesa mas também em cometer algum abuso. Outro ponto demasiadamente importante é esperar que a civilização social se constitua apenas de uma questão de “direito de defesa”, sendo que há inúmeros outros motivos que ajudam a constituir uma sociedade civilizada e organizada. Não se pode por exemplo atribuir a segurança que tem nos EUA apenas ao fato de os cidadãos poderem possuir armas de forma legal e achar que essa mesma receita funcionará aqui no Brasil que é uma nação bem diferente dos EUA nas principais bases que sustentam e constituem uma sociedade civilizada e organizada. Não sou contra o direito do cidadão de auto-defesa, mas sou contra à elevação da arma de fogo como se fosse a salvadora da pátria e o apetrecho base para a organização da sociedade, por que simplesmente NÃO É.

  6. Então de repente se deixa de lado o ato cometido pelos “valentões” segundo o Epaminondas (dafuq!) e refuta-se somente a atitude em defesa de sua própria integridade e tb de sua então companheira – mas que lindo tal comparação desse verme! É por essas e por outras que essa esquerda fede… É como o ladrão processar o policial por tê-lo repreendido, por tê-lo algemado, em fim, inversão de valores a serviço da ideologia..

  7. Então a justificativa de se ter uma arma é enfrentar outra pessoa que tem arma. No meu tempo, isto era chamado de “lógica circular”. Mas ok, o argumento mostra que não é apenas para enfrentar outras armas: Uma mulher pode conter um agressor muito maior que ela; ou no último exemplo, um homem sozinho pode enfrentar a ameaça de cinco.

    Noves fora o caso de um promotor no Brasil, que, ao ter a namorada assediada por valentões, o promotor, confiando na razão (e na arma escondida na roupa), foi tirar satisfação. Quando os valentões partiram para cima dele, ele mostrou a arma; os valentões ainda partiram para cima; ele disparou para o chão; os valentões ainda partindo para cima; matou um e colocou outro no hospital. Ué, armas não são para conter ameaças? Os valentões não se sentiram intimidados e a tragédia ocorreu. Mas tudo bem, quem morreu foi o valentão (achará gente que diria “um a menos no mundo“) e o promotor, que matou um e atirou em outro… foi absolvido.

    O triste do liberalismo a respeito das armas é que os argumentos partem sempre das armas como instrumentos para defesa. E nunca, como instrumentos de abuso. E isto se configura acima, justificando o porte de armas porque outras pessoas, portam. Se o ideal é haver apenas a razão para dissuadir alguém, então eliminemos o porte civil, que assim só sobra a razão.