A cultura da conformidade coercitiva do corona

1
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Nossa cultura pública mudou dramaticamente desde que as quarentenas da pandemia começaram em março. Intervenções sem precedentes na vida dos indivíduos e restrições de suas liberdades tornaram-se o “novo normal” e permanecerão assim por um futuro indefinido.

Os fundamentos têm mudado semana a semana. No início, recebemos ordens de ficar em casa para achatar a curva e garantir que os hospitais não ficassem sobrecarregados. Mas depois de seis meses disso, um slogan simples criou raízes: Devemos nos sacrificar para impedir a propagação, para salvar vidas.

Não há outra maneira, advertem nossos políticos, nossa mídia e nossos concidadãos. Se você for uma boa pessoa, você se submeterá, pelo tempo que for preciso. Desvie-se das regras e você será uma pessoa má e egoísta, que não se importa se outros morrerem.

Fomos apresentados aos deuses corona e eles são ferozes e fazem muitas exigências. Eles exigem que as crianças abandonem a escola ou estudem olhando para uma tela. Ou melhor, apenas para aquelas cujos pais ou governos possam pagar pelas telas. Elas só podem brincar juntas se estiverem mascaradas, sem rosto e sufocadas, separadas por quase dois metros. Seu desenvolvimento cognitivo provavelmente será prejudicado por sua incapacidade de ler expressões faciais, talvez por toda a vida, mas esse é um preço inevitável que devemos pagar, ou pelo menos é o que nos dizem.

Os efeitos psicológicos incalculáveis ​​dessa paralisação, bem como a fome crescente e a perda do potencial de ganho futuro – especialmente para crianças pobres – são lamentados brevemente, mas depois descartados.

Os deuses corona também pedem muito aos jovens adultos. Quer estivessem embarcando em novas carreiras ou matriculados em instituições de ensino superior, eles devem renunciar às suas esperanças e aspirações e separar-se uns dos outros, por mais contrário que isso seja à sua natureza. Seus níveis crescentes de depressão e suicídio são muito graves, mas de acordo com nossos especialistas, outro sacrifício necessário.

O luto dos donos de empresas, vendo o trabalho de suas vidas virar cinzas, é um dano colateral inevitável, dizem os políticos tristemente. O mesmo se aplica aos trabalhadores, que não podem mais sustentar suas famílias. É terrível que os já pobres sejam os que mais sofrem os efeitos econômicos, mas, nos informam, não há alternativa. Isso também é verdade para os milhões que estão passando fome em outras partes do mundo por causa de nossa resposta à pandemia, ou que estão se infectando com malária, HIV ou tuberculose, que estão ressurgindo pelos mesmos motivos.

Os dependentes químicos, que dependiam de grupos de apoio e do contato humano para lidar com a situação, estão tendo overdoses sem ter quem os ajudem; eles são outra vítima que devemos aceitar, dizem os especialistas. Agricultores que cometem suicídio em outras partes do mundo, porque as quarentenas os privaram da capacidade de alimentar suas famílias, são um infeliz dano colateral, assim como os incontáveis ​​homens, mulheres e crianças confinados em aposentos lotados junto com seus abusadores.

Não devemos fazer certas perguntas, de acordo com os políticos, os especialistas, nossos amigos.

Não pergunte, por exemplo, o que aconteceria se destinássemos uma fração dos recursos que estamos gastando para testar, rastrear, colocar em quarentena, renovar, higienizar para cuidar dos 25.000 de nossos semelhantes que morrem de fome todos os dias na Etiópia, Malawi, Zimbabwe e Quênia? Por que não fomos até os confins da terra por eles, todos esses anos?

Não pergunte: estamos causando mais mortes ou arruinando mais vidas, a longo prazo, do que o próprio coronavírus?

Não pergunte quando isso vai acabar ou, qual, precisamente, é a taxa de mortalidade por infecção pela qual devemos paralisar a vida, indefinidamente.

Não especule que é perigoso permitir essa restrição de nossas liberdades, para abrir esse precedente, ou nos lembrar das palavras gravadas na história: a única coisa que devemos temer é o próprio medo. Não pergunte por que, se o vírus vai explodir exponencialmente se deixarmos de viver neste mundo de sombras, os casos e mortes só diminuíram em Estocolmo, e não sugira que nossa mídia, políticos e até mesmo especialistas parecem ter esquecido que a correlação não implica causalidade.

Não pergunte sobre imunidade cruzada de células t – você está louco? Você tem assistido Fox News? Não pergunte: será que tudo pode se desmantelar, mais cedo ou mais tarde?

E certamente não pergunte: deveríamos, talvez, aceitar a existência desse patógeno sem destruir as bases de nossa sociedade?

Vai acabar quando dissermos que acabou, eles dizem. Devemos zelar pelas nossas seguranças. Portanto, cubra o nariz e a boca. Fique a dois metros de distância. Fique em casa. Obedeça.

 

Artigo original aqui.

1 COMENTÁRIO