Depauperar a sociedade produtiva para enriquecer políticos e burocratas é uma imoralidade

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Vivemos em tempos tão sórdidos e aterradores — onde os valores foram tão sumariamente invertidos — que explicar o óbvio para as pessoas tornou-se um desafio por vezes ostensivamente inexpugnável. Como Hans-Hermann Hoppe corretamente explicou, “Políticos, com efeito, são os mestres da inversão de valores. Para eles, quem trabalha e gera empregos são opressores e parasitas, e os verdadeiros parasitas que vivem da espoliação da propriedade alheia são os oprimidos. Produtores são parasitas, e parasitas são produtores. Expropriação é restituição, e restituição é expropriação. Impostos são contribuições voluntárias, e preços voluntariamente acordados no mercado são taxas espoliativas. Dinheiro é papel, e papel é dinheiro. Liberdade é coerção, e coerção é liberdade. Consumo do governo é investimento, tributação é poupança, e poupança genuína é um crime contra a economia popular”. Além da classe política ser responsável por essa grave inversão de valores, eu acrescentaria também a militância progressista.

A seita progressista tem um fetiche pelo setor público que é quase inexplicável. De acordo com o pensamento dessa doutrina, servidores públicos são sacralizados e tratados como guerreiros “generosos” e “altruístas”, indivíduos que não são egoístas, mas que executam um trabalho em nome do bem comum e da integração da sociedade, lutando arduamente contra a exploração da iniciativa privada. Um pensamento que atenta completamente contra a lógica e qualquer princípio de racionalidade.

Sabemos também que a seita progressista vive dizendo que luta contra privilégios. No entanto, isso não é verdade. A seita progressista luta ativamente para subverter a ordem natural. Esse é o sórdido objetivo da militância, ainda que muitos não saibam disso por se prestarem unicamente ao papel de idiotas úteis do sistema, visto que a manada coletivista age de forma quase instintiva, sendo guiada pelos caprichos dos seus líderes populistas e demagógicos.

Quando falamos em privilégios e benefícios de fato — como aqueles dos quais a classe dirigente e os marajás do estado usufruem —, a seita progressista sempre faz vista grossa. Nunca vimos e jamais veremos a esquerda política reclamando dos imensuráveis salários, privilégios e benefícios dos quais a classe política usufrui. A esquerda também vive reclamando da concentração de renda, mas quem mais concentra renda é o estado. Com relação a essa verdade contundente, no entanto, a esquerda sempre permanece calada e complacente. Para os progressistas, a luta por igualdade termina onde começa o todo-poderoso e onipotente papai-estado.

Sabemos também que a esquerda política sobrevive enganando os incautos e os desavisados, distorcendo a realidade objetiva e perpetuando todo o tipo de mentiras e falácias que tornem aprazível sua deplorável demagogia ideológica. A esquerda vive afirmando, por exemplo, que o Brasil é um país pobre por culpa do capitalismo, quando isso está longe de ser a verdade. O Brasil sempre foi um país pobre por culpa do estado, esse mesmo estado que a seita progressista venera e idolatra com beligerante histeria e irracionalidade.

O Brasil é um país pobre porque há muito tempo — especialmente desde que começou o famigerado período republicano, com um golpe de estado militar — a nação sempre foi peremptoriamente assaltada pelo estado, de forma sistemática, recorrente e irrefreável, mas a militância nunca protestou contra isso. A esquerda nunca protestou contra o fato de que políticos e burocratas assaltam de forma desmesurada a população, para que eles próprios enriqueçam. A esquerda sempre afirmou se opor a “burguesia”, mas ironicamente, sempre idolatrou, bajulou e venerou políticos absurdamente ricos e abastados. Isso não é simples contradição, é pura hipocrisia da militância.

O Brasil é um país pobre por culpa do estado e todas as tentativas genuínas que a população faz para tentar sair da pobreza são sabotadas pelo estado. Temos o judiciário mais caro do mundo, o segundo congresso mais caro do mundo — custa trinta milhões de reais por dia e mais de dez bilhões de reais por ano — e somos o quarto país no mundo que mais tributa empresas. Os deputados ganham salários de 34 mil, os ditadores do STF ganham salários de 39 mil, alguns desembargadores ganham salários de 100 mil e vários juízes e magistrados ganham salários superiores a 600 mil, isso quando seus vencimentos não ultrapassam essas cifras.

Para citar um exemplo, no final de 2019, uma juíza do estado de Pernambuco — da 2ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher — recebeu um contracheque de quase um milhão e trezentos mil reais. Como se esses salários extravagantes fossem insuficientes, essas elites do estado ainda ganham inúmeros privilégios e benefícios adicionais. No caso dos deputados, por exemplo, passagens aéreas ilimitadas, verba de gabinete, auxílio-moradia e auxílio-paletó, entre muitos outros.

Todos esses salários aviltantes — e completamente irrealistas para um país como o Brasil — são custeados por uma carga tributária imensurável, uma das mais extorsivas, corrosivas e brutais do mundo.

O Brasil é e sempre foi um país majoritariamente pobre. Mas como sabemos que a esquerda política sempre foi seletiva em suas pautas, evidentemente ela jamais se importou em divulgar quão caro, imoral e extorsivo é o estado brasileiro. Quando o assunto é deus-estado e papai-governo, a esquerda — como a boa prostituta do sistema que é —, fica calada e silenciosa. Podemos, portanto, afirmar categoricamente que a esquerda se opõe aos ricos da iniciativa privada, mas jamais se opõe aos ricos do estado. Muito pelo contrário; a estes, ela é inteiramente subserviente.

Portanto, podemos constatar que a ala progressista não se incomoda nem um pouco que a elite política — que nada produz, mas vive exclusivamente do dinheiro violentamente expropriado da população — empobreça sistematicamente a sociedade para que eles próprios fiquem absurdamente ricos. Isso de fato jamais perturbou a esquerda. A carga tributária aviltante que temos, uma das mais extorsivas do mundo, resultará invariavelmente no empobrecimento generalizado da população e no enriquecimento dos marajás do estado.

Uma carga tributária elevada provoca fuga de capital — dezenas de empresas brasileiras se mudam para o Paraguai todos os anos —, contribuindo para um ambiente com menos empresas, o que irá fazer com que haja cada vez menos empregos e menos investimentos. Consequentemente, a sociedade produtiva empobrece de forma sistemática, e os pobres ficam condenados a uma condição de miséria permanente e absoluta. Não raro a classe média baixa se torna pobre e os pobres tornam-se paupérrimos. As medidas populistas do estado brasileiro sempre foram eficientes na promoção do depauperamento e do retrocesso da sociedade como um todo.

À despeito de todo esse estrago deplorável e contundente causado pelo estado, o Leviatã continua sugando a sociedade produtiva ao máximo com impostos excruciantes, completamente indiferente à situação de depauperamento sintomático da população.

Há algumas semanas, inúmeras empresas do estado de São Paulo solicitaram ao governo a suspensão da cobrança de impostos. Nada mais lógico, correto e justo. Como ficaram sem faturamento por conta de medidas arbitrárias como a quarentena e o lockdown — que foram impostas pelos governos estaduais —, muitas empresas ficaram sem faturamento. A máfia estatal de São Paulo, no entanto, negou 98,6% das solicitações de suspensão da cobrança de impostos. Ou seja, na pior das circunstâncias, a classe empresarial está aprendendo que o estado é implacável. A grande maioria das solicitações foi categoricamente rejeitada.

O Leviatã quer sugar a sociedade produtiva de qualquer maneira, porque — como vê a si próprio como soberano e absoluto —, o estado sempre irá encarar a manutenção do seu próprio bem-estar como a prioridade máxima.

Se a sociedade produtiva — que, ao contrário do estado, não está parasitando, mas gerando riquezas —, não consegue pagar as absurdas tarifas extorsivas exigidas pelo Leviatã, isso é um problema dela. Para o estado, o importante é manter o nababesco e aristocrático estilo de vida dos seus dirigentes. O que os integrantes da classe produtiva esquecem é que devem simplesmente praticar contabilidade criativa, ou “cozinhar os livros”, para usar uma expressão coloquial americana, com o objetivo de sonegar impostos. Não devem nem precisam pedir permissão do estado para isso, visto que o estado prejudica de forma excruciante a parcela produtiva da sociedade, tentando ativamente impossibilitar a própria sobrevivência dessas pessoas ao impedir que trabalhem, e acima de tudo, prioriza sua atividade parasitária e extorsiva, mesmo quando impede os agentes produtivos de gerarem receita.

Ao negar enfaticamente as solicitações de suspensão da cobrança de impostos, o estado está ativamente afirmando que se importa mais com ele próprio do que com os cidadãos, e que os “contribuintes” tem a obrigação de repassar a sua renda para o estado, mesmo que isso vá dificultar a sobrevivência deles. Ou seja, se você tiver que passar fome ou necessidades para cumprir suas obrigações fiscais, para o estado isso é irrelevante. O importante é que você pague os seus impostos em dia. O estado é soberano e absoluto e a sua manutenção é a suprema prioridade. A saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos, evidentemente, são coisas totalmente irrelevantes para o estado.

O lockdown e a quarentena provocaram uma imensurável destruição de riquezas no mundo inteiro, como nunca tínhamos visto antes na história da humanidade. Milhões de pessoas foram atiradas para a miséria e a pobreza extremas, sem a menor consideração das autoridades políticas. Por causa das nefastas medidas contraproducentes para conter uma pandemia que nunca existiu, mais de 700 mil empresas faliram no Brasil, e mais de nove milhões de brasileiros ficaram desempregados. Isso sem dúvida nenhuma reduziu drasticamente a arrecadação para os governos estaduais e municipais, e até mesmo para o governo federal. No entanto, até agora não vimos nenhum governo falando em reduzir salários, demitir servidores, encerrar secretarias ou acabar com privilégios e benefícios desnecessários. Essas ações dizem tudo o que precisamos saber sobre o estado e suas prioridades. Elas ignoram ativamente o bem-estar do cidadão e da sociedade civil sem o menor remorso ou escrúpulo.

Mas para os estatistas — e para a ala progressista em particular —, a realidade pode e deve ser ignorada em benefício da sua agenda política. Uma constatação dessas deve ficar escondida e ser varrida para debaixo do tapete porque ela é inconveniente. Como bem sabemos, a ala progressista é histérica e irracional, sendo guiada primariamente por uma ideologia igualmente irracional, onde ética, moralidade e princípios são completamente inexistentes. Para piorar as coisas, a militância está sempre disposta a ignorar a realidade objetiva em favor de sua nefasta e maledicente doutrina. Para os progressistas, o que importa é seguir a cartilha marxista, o organograma politicamente correto, solicitar direitos, fazer passeatas, lutar contra o capitalismo “opressor” e o patriarcado “machista”, solicitando favores e direitos do estado onipotente.

A ala progressista ignora sistematicamente a realidade. De todas, possivelmente essa é a sua característica mais preponderante. Como em sua maioria progressistas não passam de militantes de apartamento — sustentados pelo papai e pela mamãe — não surpreende nem um pouco que, além de ignorarem a realidade, ignorem os custos dessa realidade, que são demasiadamente elevados.

Direitos são “gratuitos” apenas na mentalidade alienada da militância. O estado não faz nada de graça, e tudo aquilo que é gratuito custa o dobro. Para bancar os benefícios, o assistencialismo, os editais culturais da ala progressista, os subsídios para a parada gay, os benefícios “gratuitos” e todos os demais fetiches da militância que são custeados com dinheiro público, o estado vai cobrar impostos, que serão custeados pela sociedade produtiva. Ou seja, quem vai pagar por tudo, como sempre, são aqueles que trabalham e produzem. É o dono da farmácia, é o pequeno empreendedor que compra material para executar uma obra, é o carpinteiro que dirige o seu pequeno negócio, é o papai industrialista capitalista que trabalha arduamente seis dias por semana para sustentar os filhinhos universitários aspirantes a guerreiros da justiça social.

Nada de novo debaixo do sol. Quem sempre sustentou o socialismo, o comunismo, o esquerdismo, o progressismo e todas as formas institucionalizadas de parasitagem foi o capitalismo. Nenhuma novidade nisso.

Tudo o que o estado faz é expropriar arbitrariamente os dividendos dos indivíduos produtivos através de impostos excruciantes e posteriormente ele redireciona uma parte da verba para saciar as bobagens e os fetiches da militância. Por ser completamente alienada e apartada da realidade, no entanto, a militância acha que o estado gentil e benfeitor cria do nada as coisas mágicas e formidáveis que ele promove, esquecendo que o estado está mais para um atravessador imoral e mafioso do que um legítimo provedor, que por conveniência busca saciar as vontades e os desejos dos grupos mais propensos a legitimar a sua autoridade e o seu poder.

No entanto, à despeito de tudo o que o estado faz para saciar os fetiches dos grupos que o veneram e solicitam favores de sua parte, o que o estado realmente busca é enriquecer as elites que estão no topo da hierarquia de comando. Ou seja, o objetivo dos indivíduos que dirigem a máquina é simplesmente enriquecer. A realidade mostra isso de forma incontestável. 85% de tudo o que é arrecadado pelo governo federal é usado para pagar salários de políticos e servidores. O governo federal brasileiro gasta mais de 25 bilhões de reais por ano apenas com sua folha de pagamento.

O engraçado é que quando pede tributação sobre os ricos, a esquerda política nunca exige que as elites do estado sejam incluídas na medida. E isso que diversas classes de funcionários do estado podem ser incluídas entre os ricos. Na verdade, qualquer funcionário público que ganhe um salário superior a 5 mil reais ficará entre os 10% mais ricos da população. Se levarmos em consideração seus imensuráveis dividendos anuais, vamos constatar que a classe política brasileira está apenas um pouco abaixo dos super-ricos. Se suas rendas, no entanto, forem comparadas com a renda do cidadão brasileiro comum — tendo seus cada vez mais irrisórios dividendos como base —, os integrantes da classe política e da elite do funcionalismo seriam classificados como super-ricos, sem nenhuma hesitação.

E não podemos esquecer que determinados políticos brasileiros tem patrimônios multimilionários, que não são necessariamente condizentes com os seus dividendos, apesar de receberem salários e benefícios de proporções monumentais, que — além de inacessíveis —, são completamente inimagináveis para a grande maioria dos cidadãos brasileiros.

É verdade que com o montante que arrecada, o estado sempre vai jogar algumas migalhas para atender os fetiches da militância; no entanto — como foi explicado acima —, a maior parte do que é arrecadado vai para as contas bancárias dos integrantes da elite governamental.

A questão é que o verdadeiro objetivo do Leviatã é extorquir, roubar e expropriar a sociedade produtiva. O que o estado realmente quer é se perpetuar, parasitar a sociedade produtiva ao máximo, arrumar formas e maneiras de expandir a arrecadação e dar continuidade ao processo de espoliação, sempre legal e dentro da lei.

Como boa parte da sociedade humana foi doutrinada por seitas parasitárias e ideologias maléficas — que incentivam as pessoas a aceitarem a rapinagem institucionalizada como sendo algo normal, e até mesmo instiga elas próprias a se tornarem parasitas —, conceitos como ética e moralidade foram há muito tempo abandonados e relegados ao ostracismo pela maior parte das pessoas. Para muita gente, o importante é ingressar no estado e tirar uma fatia do que está sendo expropriado. Hoje, uma carreira como servidor público pode ser muito lucrativa, e traz uma estabilidade que a volatilidade do mercado não é capaz de manter, porque o mercado, além de ser ostensivamente prejudicado e depauperado pelo estado, sobrevive com recursos próprios e não com os dividendos confiscados arbitrariamente de terceiros.

A verdade, no entanto, é que políticos não se importam com você. O que eles querem é uma via de acesso permanente aos seus dividendos. E eles tem a lei ao lado deles tanto para garantir isso quanto para legalizar o roubo no montante que eles desejarem.

Quanto aos estatistas, eles não se importam que você seja pobre, contanto que os políticos de estimação deles fiquem ricos, e eles — os militantes — recebam verbas substanciais e polpudas para saciarem os seus fetiches ideológicos. A esquerda em especial gosta de se autopromover como guerreira da justiça social, tendo arregimentado para si o monopólio das virtudes. Mas suas ações na prática mostram como suas atitudes estão ostensivamente distantes do seu discurso. Como Roberto Campos falou com muita propriedade há bastante tempo, “nossas esquerdas não gostam dos pobres. Gostam mesmo é dos funcionários públicos”. Essa é uma verdade irrefutável e incontestável.

Se você precisa sonegar, sonegue. Não solicite permissão dos parasitas governamentais. Você não precisa pedir permissão de um bandido para não ser roubado. Isso é uma total distorção grotesca da situação em que nos encontramos. E não adianta — como muitos indivíduos irrealistas, ingênuos e oportunistas fazem —, tentar ingressar na política para mudar a situação. Não há solução dentro da via política, porque a política por si só é uma depravação malévola, cínica e bestial, que invariavelmente corrompe todos aqueles que ingenuamente pensam que podem mudar a máquina fazendo parte dela. Na verdade, todos que se associam ao estado buscam de alguma forma tirar vantagem dele. O estado corrompe. Faz parte da sua natureza intrinsecamente imoral e parasitária. É necessário uma considerável falta de inteligência para achar que algo bom pode vir de um lugar inerentemente nefasto, perverso, maligno e deletério, que para todos os efeitos, é incontestavelmente uma brutal e complexa organização criminosa.

O estado é uma enfermidade coletiva cujo maior objetivo é lutar pela manutenção do status quo. Promover o parasitismo e a rapinagem — normalizando-os como um estilo de vida aceitável, até mesmo superior ao de quem produz —, faz parte do seu modus operandi. Hoje muitas pessoas aceitam isso como algo normal porque a degradação e a degeneração moral normalizada pelo próprio estado e pela parasitagem institucionalizada simplesmente desintegrou todo o arcabouço de proposições éticas e morais que outrora regiam a sociedade. Elas foram sumariamente substituídas pela tirânica burocracia estatal e pelo impessoal positivismo constitucionalista do estado, que legalizou o roubo e o autoritarismo político. Como Bastiat escreveu, “quando o saque se torna um modo de vida, os homens criam para si um sistema legal que o autoriza e um código moral que o glorifica”. É exatamente essa a nossa realidade.

Políticos são inimigos juramentados da civilização, do progresso, da prosperidade e do desenvolvimento, e acima de tudo da ética e da moralidade. Recursos como a sonegação integram soluções estratégicas na luta contra o bandido estacionário. Matar o parasita de inanição é fundamental. Além do mais, você tem todo o direito de manter o que é seu. Essa linha de raciocínio que o sistema impõe à população — de que você deve ser pobre para que políticos fiquem a cada dia mais ricos — é uma bestialidade vil e irracional, aceita pela maioria da população porque o sistema sabe explorar a cumplicidade da subserviência dentro do coletivo.

Termos chegado ao ponto onde é necessário discutir arduamente para defender os direitos naturais — algo no mínimo básico para uma civilização que pretende ser desenvolvida —, sendo que muitas pessoas se opõem a isso de maneira ferrenha, intransigente e implacável, só mostra como a sociedade humana atualmente encontra-se em uma deplorável condição de enfermidade mental e psicossocial. A cada dia, afunda mais e mais no mortífero pântano de degradação de ideologias e seitas histéricas, cujo epicentro é o poder político, a parasitagem institucionalizada e a dilaceração sistemática de padrões morais.

Contaminadas com a sórdida ideologia progressista, muitas pessoas tornaram-se completamente incapazes de compreender conceitos básicos. Elas não entendem que, sob qualquer circunstância, é ostensivamente imoral o estado assaltar os integrantes da sociedade produtiva, não importa sob qual prerrogativa o estado tente justificar tal assalto, ou que projeto “caridoso”, “gentil” e “benévolo” o estado vai financiar com o dinheiro roubado. Os cidadãos tem todo o direito de manter para si os dividendos oriundos do seu trabalho. Não existem argumentos que possam justificar o roubo, seja ele institucionalizado ou não.

Além do mais — como já mencionado —, a maior parte daquilo que o estado confisca através de impostos, taxas, tarifas e contribuições compulsórias vai parar nos bolsos e nas contas bancárias dos burocratas e integrantes da quadrilha estatal. Apenas uma ínfima parcela do que é confiscado é redirecionado para projetos destinados ao usufruto e benefício da população (cujas obras normalmente ficam paralisadas por anos ou levam muito tempo até serem finalmente concluídas). Mesmo que esse fosse o caso, ainda assim continuaria sendo extremamente imoral e perverso assaltar os cidadãos, não importa quais sejam as justificativas apresentadas.

Infelizmente, estatistas não se importam com ética, lógica ou racionalidade. Em sua maioria, são utilitaristas guiados unicamente pela sua ideologia irracional favorita. Para essa gente, servir ao onipotente deus-estado como seus cachorrinhos de estimação é a única grande ambição e meta de vida. Se o estado vai ser opressivo, tirânico, despótico, extorsivo, truculento e vai roubar indiscriminadamente a população — sobretudo os mais pobres — de forma aviltante, desmesurada e contínua, o militante fica feliz em ignorar todas essas vis e contundentes arbitrariedades, se o estado seguir a cartilha da sua ideologia de estimação.

A pior escravidão que o estado impõe aos seus súditos é a escravidão mental. Desse tipo de servidão é muito difícil libertar quem está preso. Contaminadas por ideologias torpes, incoerentes, vazias e mundanas, muitas pessoas tornaram-se completamente incapazes de fazer uma leitura concreta e objetiva da realidade. A luta que travamos atualmente deve ser para libertar aqueles que acordaram, com o objetivo de auxiliar todas essas pessoas a — dentro da medida do possível — se proteger e se defender da tirania do estado, da militância irracional e autoritária, da servidão democrática e atualmente, da ditadura do coronavírus.

Precisamos ser realistas — a maioria das pessoas que luta desesperadamente para atuarem como serviçais de burocratas, marionetes de projetos de poder e sicofantas de ditadores políticos jamais irão despertar. De uma forma ou de outra, aprendemos que a segurança e o conforto da tirania serve aos propósitos de muitos, da mesma forma que a coragem e a responsabilidade da liberdade é para poucos. Os da primeira categoria são guiados essencialmente pelo medo, e isso os leva a agir com histérica obediência irracional, por isso essas pessoas constituem verdadeiras multidões. Ao passo que os da segunda categoria são levados por um forte desejo de se libertarem da escravidão, e por isso não aceitam a inglória posição de sujeição e subserviência a que são submetidos de forma agressiva e aviltante.

Mesmo quando somos roubados, agredidos ou depauperados, jamais podemos impedir que o estado ou seus escravos nos impeçam de reagir. A fome, a inanição, a degradação social e a destruição provocadas pela ditadura do coronavírus escancarou a face despótica e tirânica do estado. Conforme nos tira os meios de vida, de produção e nos proíbe até mesmo de trabalhar, estamos presenciando no atual cenário que se libertar do estado está sendo cada dia mais fundamental para a nossa própria sobrevivência.

5 COMENTÁRIOS

  1. É um bom artigo, militante, mas muito liberal. Eu não ficaria com vontade de explodir o estado lendo este artigo, mas provavelmente pensaria em melhora-lo. Porque dizer que o estado vive da parasitagem e do roubo não explica completamente a situação em que nós estamos, algo muito pior que isso. Tem uma raça de liberal randiano que devido a influência do mestre Rothbard sobre Ayn Rand, acreditam que imposto é roubo. Não somente produtores de valor são explorados pelo estado, mas até mesmo um simples morador de rua, que não produz nada, não “paga” imposto e se radicalizarmos a sua situação, também é uma forma de paratisagem. É moral exclusivamente por ser voluntária. Parabéns pelo artigo.

  2. Tem muito mais no livro que o próprio Mussolini escreveu para contar ao mundo o que é o Fascismo. Eu praticamente não tirei nada, Graciano.

    A Doutrina do Fascismo (1932, Benito Mussolini). Leitura facil, rápida e, por incrivel que pareça, extremamente atual. Recomendo a leitura. Baixe gratuitamente no google.

  3. “O Estado é absoluto e o individuo é relativo.”

    A Doutrina do Fascismo,
    (1932, Benito Mussolini).

    “O Fascismo é governo, governo, governo.”

    A Doutrina do Fascismo, (1932, Benito Mussolini).

    “O Fascismo é tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado.”

    Benito Mussolini