A Economia do Intervencionismo

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Apresentação

É motivo de inusitada satisfação apresentar ao público leitor este ótimo livro do Professor Fabio Barbieri, enfeixando uma coletânea de artigos que, embora escritos originalmente de maneira independente uns dos outros, foram cuidadosamente organizados e planejados (embora esta última palavra não seja agradável para nós, economistas austríacos) para formarem uma sequência lógica em acordo com a teoria da Escola Austríaca, de modo a que viessem a se constituir, no futuro, em um livro marcadamente didático.O futuro, enfim, chegou e, com ele, A Economia do Intervencionismo, que reputo uma obra de leitura indispensável para todos os que se interessam pela tradição iniciada por Carl Menger, em Viena, em 1871. Trata-se de um número cada vez maior de pessoas, notadamente estudantes e jovens em geral, saturados da verdadeira lavagem cerebral de cunho keynesiano e marxista a que são submetidos em suas universidades, principalmente nos cursos ligados às chamadas ciências sociais, uma vez que o interesse pela Escola Austríaca vem experimentando forte crescimento nos últimos anos, em decorrência da incapacidade mostrada pelos modelos da mainstream economics para explicar os fenômenos do mundo real.

Conheci esse paulistano, professor da USP em Ribeirão Preto (SP), flautista e corintiano (ninguém é perfeito!) em 2010, na cidade de Porto Alegre, por ocasião do I Seminário de Escola Austríaca organizado pelo Instituto Mises Brasil. Naquela oportunidade, dividimos o mesmo painel, cujo tema era o processo de mercado e a refutação do cálculo econômico no regime socialista, que foi o tema de sua tese de doutoramento na USP da capital paulista. Sua dissertação de mestrado, na mesma universidade, também versou sobre a Escola Austríaca, mais precisamente sobre seus aspectos modernos.

Desde o primeiro momento, surgiu uma identificação empática entre nós. Impressionaram-me em Fabio a profundidade de seu conhecimento teórico (não apenas da teoria austríaca, mas da teoria econômica em geral), a inteligência aguda, a educação e a simpatia pessoal que, com o tempo, transformou-se em respeito e amizade. Com o passar do tempo, também fomos descobrindo, em um intercâmbio de ordem espontâneade natureza hayekiana, que comungamos com o mesmo pensamento dentro das disputas que existem no âmbito da Escola Austríaca de Economia, o que foi e tem sido um elemento de aproximação ainda maior entre nós. Daí minha alegria quando recebi de Fabio os originais deste livro e percebi imediatamente que poderia ser mais uma publicação de um autor brasileiro de nosso Instituto.

Como o autor explica na Introdução, o livro segue o pensamento de Mises, ao utilizar os fundamentos da análise do processo de mercado e a análise do socialismo e do intervencionismo, mas alimenta-se também das importantes noções de Hayek quanto ao uso incorreto do conceito de “equilíbrio”, das ordens espontâneas e da metodologia. A sequência de artigos que compõem A Economia do Intervencionismo forma uma demonstração irrefutável de que, ao contrário do que defendem alguns austríacos mais radicais, Mises e Hayek, além de não serem inconciliáveis, são complementares para a compreensão adequada do mundo real da economia. Nas três partes que compõem o livro, o Prof. Barbieri, em nove capítulos, expõe na primeira parte o referencial teórico básico empregado no livro; nos treze que formam a segunda parte, examina criticamente os sistemas econômicos mais hierarquizados e na terceira parte, também formada por treze capítulos, discute os fascinantes aspectos políticos da luta pela liberdade individual.

A Economia do Intervencionismo é um livro que pode ser perfeitamente lido e compreendido não apenas por economistas ou estudantes de economia, mas por qualquer pessoa que se interesse pelo problema crítico que atinge as sociedades atuais – incluindo a brasileira –, o intervencionismo e o avanço do estado nas vidas dos indivíduos. A linguagem é simples e objetiva – ou, como diria um velho conhecido, “o livro não está escrito em economês, mas em português” – e os temas tratados nos trinta e cinco capítulos são bastante atuais, como o leitor facilmente perceberá.

Além disso, é um excelente antídoto, simples, porém forte contra o processo de verdadeira “lavagem cerebral” intervencionista que predomina, infelizmente, no meio acadêmico em nosso país, porque dará ao leitor a oportunidade de poder comparar os modelos de intervencionismo do estado que muitos professores apresentam, às vezes à semelhança de verdadeira militância política-partidária e sem a devida contestação com as teorias mais liberais, com os argumentos cuidadosamente elaborados pelo Prof. Barbieri. Uma vez feita a comparação, cada um poderá fazer sua escolha pela opção que julgar ser a mais adequada, o que nos parece ser um procedimento bem mais ético e justo.

O Instituto Mises Brasil recebe e aplaude com muito orgulho esta contribuição do Prof. Fabio Barbieri para a nossa coleção de obras.