A feminização da sociedade nas camadas mais baixas do mercado de trabalho

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20091214103538Crianças pequenas tendem a se comportar de maneiras distintas de acordo com seu sexo.  Meninos pequenos são irrequietos e se aborrecem com mais facilidade.  Meninas pequenas são mais dóceis e conseguem ficar muito tempo sentadas de forma quieta.  Ficar quieto quando se está há muito tempo sentado não é uma característica masculina.  É algo que requer disciplina e que deve ser infundido em uma criança.

Homens não tendem a se afiliar a igrejas tanto quanto mulheres.  Creio que isso tem a ver com o requerimento de ter de ficar sentado durante um culto.  Um culto religioso baseia-se em pregações e em ficar sentado durante um bom tempo.  E, dado que homens devem ficar sentados em uma igreja, o sermão tem de ser bom para fazer com que homens fiquem sentados quietos durante muito tempo.

E fora das igrejas?

Há algumas áreas da vida em que as mulheres têm claras vantagens sobre os homens.  Obviamente, a maior delas é na criação de filhos.

O surgimento de ferramentas e máquinas altamente especializadas possibilitou às mulheres efetuarem certos tipos de trabalho que elas não eram aptas a realizar antes do desenvolvimento destas tecnologias.  Mulheres não possuem vantagem em relação a homens no que diz respeito a cortar lenha.  Mas elas certamente são tão bem capacitadas quanto os homens para apertar um interruptor.  Homens não têm vantagem nesta área.  Sendo assim, naqueles trabalhos em que apertar botões substituiu o corte de lenha, seria ingenuidade imaginar que as mulheres ficariam de fora desta área por muito tempo.

Capitalização e urbanização

Com a ascensão da economia de mercado, e especialmente com o aumento dos investimentos em máquinas e bens de capital, o mundo deixou de ser uma economia majoritariamente rural e se transformou em uma economia baseada em grandes conglomerados urbanos.  Isso começou ainda em 1820 na Grã-Bretanha e nos EUA.  Esta mudança marcou o advento de uma era totalmente nova na história humana, uma era em que o crescimento econômico passou a se dar a uma taxa de aproximadamente 2% ao ano.  Isso nunca havia acontecido até então.

Quando os homens saíram do meio rural para trabalhar nas fábricas, a educação das crianças — mais especificamente, dos meninos — passou a ser tarefa das esposas.  Antes, os homens levavam seus filhos para os campos para ensinar a eles o básico sobre a vida, bem como os detalhes da agricultura.  A divisão do trabalho dentro da família era clara.  As mães ensinavam as filhas a serem esposas e mães; os homens ensinavam os filhos a serem maridos e pais.  Esta divisão do trabalho foi a base de todas as sociedades desde o início da história escrita.

E então, em um período de apenas 50 anos, tudo isso mudou para milhões de pessoas.  A ordem social não se ajustou de forma rápida o bastante — ou da forma sistemática como deveria — para permitir que os novos papeis dentro da família fossem distribuídos de uma forma que ao menos se assemelhasse àquele padrão familiar vigente há milênios.  Tradições são resilientes, não morrem facilmente.  Uma mudança cultural e comportamental leva tempo para se impor.

No século XIX, a educação não apenas deixou de ser um sistema dominado por homens e voltado para os meninos, como passou a ser dominado por mulheres.  Esse arranjo prepondera até os dias de hoje no ensino básico e no ensino fundamental.

Como isso ocorreu?  Uma resposta: salários baixos.

Mulheres jovens e solteiras — e, em alguns casos, casadas — se mostraram dispostas a lecionar nas escolas locais em troca de baixos salários.  De meados do século XIX até os dias atuais, as mulheres se tornaram dominantes no sistema de ensino escolar, desde a educação básica até a oitava série.  Consequentemente, os padrões do que se entende por ‘bom ensino’ e ‘bom aprendizado’ foram feminizados.  O sistema educacional básico passou a ser mais voltado para meninas.  Essa pedagogia se tornou o padrão dominante em todo o Ocidente.  Houve uma feminização do ensino no Ocidente.  Meninos se contorcem; meninas ficam quietas.  Aí jaz a diferença básica na educação formal.  As mulheres determinam as regras.

Na realidade, essa mudança de padrões começou a ocorrer ainda antes de ser adotada nas escolas.  Ela ocorreu primeiro na família.  Só depois ela se difundiu para o sistema escolar.  Todo o processo tem a ver com a oferta competitiva de mão-de-obra.  As fábricas costumavam utilizar a mão-de-obra de homens ou de mulheres solteiras.  Em alguns casos, costumava-se incluir crianças.  Mas não se utilizava mulheres com filhos pequenos.  Estas tinham de ficar fora do sistema fabril, o que significava que elas agora estariam no comando da educação dos filhos homens.  Os pais desapareciam do lar durante pelo menos 12 horas por dia.  Isso representou uma fratura radical na história da humanidade.

Os homens começaram a ganhar proeminência no sistema educacional apenas no ensino médio.  E, não fosse a imposição de leis e a criação de programas federais nos EUA (como a agência Equal Opportunities Employment Commission), que viriam a ser copiados pelo resto do mundo, os homens ainda estariam dominando o ensino universitário.  Nas ciências naturais, eles ainda dominam.  Esta é uma área em que as mulheres ainda estão excluídas pelas forças do mercado.  Elas não vão para as ciências naturais, e nem todas as lamúrias e reclamações dos progressistas podem mudar esse fato.

David Rothkopf, presidente da Garten Rothkopf, empresa internacional especializada em estudar tendências globais, afirmou que, dentre as aproximadamente 6.000 pessoas que constituem a superclasse internacional, apenas 6% são mulheres.  Ele diz que este é o mais importante processo discriminatório do mundo.  Quanto ao porquê de ele existir, eu não sei.  Sei apenas o seguinte: ele de fato existe.  Pode ter algo a ver com capacidade inata.  Pode ter algo a ver com o fato de que mulheres geralmente não gostam de trabalhar para outras mulheres.  Pode ter algo a ver com a incompatibilidade entre criar filhos e ter um desempenho de alto nível em termos de gerar grandes volumes de receita ou de fazer grandes contribuições para a mídia, para a filosofia, e na academia em geral.

Há algumas coisas que realmente sabemos.  Há certas áreas em que as mulheres não competem bem.  Uma delas é no xadrez.  Outra é em matemática de nível complexo.  Mas talvez a mais óbvia da história ocidental seja teologia.  Não há uma única teóloga digna de nota na história da Igreja.  Isso não tem nada a ver com discriminação.  Qualquer mulher pode escrever um livro sobre teologia.  Beth Moore [evangelista americana] parece escrever um livro por mês voltado para mulheres religiosas.  Mas ela não é teóloga.

A feminização da educação ocorreu nos países protestantes.  Mas mesmo no caso dos países católicos, as freiras dominam o sistema educacional até pelo menos o ensino fundamental, e possivelmente até o final do ensino médio.

Tudo está relacionado à propensão de se trabalhar em troca de salários extremamente baixos.  Em regra, as famílias não estão dispostas a pagar muito caro pela educação de seus filhos.  Isso significa que as mulheres, por normalmente estarem mais dispostas a trabalhar em troca de salários menores, serão a mão-de-obra predominante nas escolas que não cobram mensalidades caras.  Por estarem dispostas a ofertar serviços educacionais a preços menores, as mulheres contínua e universalmente ganharam a batalha neste setor.  É somente para aqueles pais que estão dispostos a pagar muito caro pelo ensino de seus filhos, que os homens se tornam dominantes na educação.  É somente em escolas e universidades extremamente caras que os homens são maioria entre os professores.

Conclusão

Com a exceção daquelas ilhas de excelência de sempre, o sistema educacional convencional da maioria dos países ocidentais irá ruir e perder importância.  Dado que as escolas e universidades ocidentais atuais nada mais são do que usinas de doutrinação e estupidificação, e dado que os testes confirmam que o preparo básico das pessoas recém-formadas está em queda livre, a retirada dos filhos do sistema educacional convencional é uma tendência que veio para ficar.  Aqueles que resistirem a essa tendência e mantiverem seus filhos no sistema educacional convencional estarão criando filhos que futuramente sofrerão sérias desvantagens comparativas.

A tendência é que a educação convencional seja substituída por aulas via internet.  Já há uma grande movimentação no desenvolvimento de materiais de ensino online.  Estes materiais didáticos são escritos majoritariamente por homens.  Mas normalmente quem os ensina a seus filhos são as mães.  Ainda assim, a tendência é que haja uma desfeminização da educação.  Dado que tais materiais estão livres do jugo politicamente correto que vem oprimindo o Ocidente, eles tendem a se especializar mais de acordo com os gêneros a partir da quinta séria.  Isso também irá favorecer a desfeminização da educação voltada para os meninos.  É um palpite.

Quanto mais os materiais forem baseados no autodidatismo, menos feminizados eles serão.  As mães irão especificar os cursos para seus filhos, e o lado digital da educação provavelmente será mais masculino do que feminino, embora talvez isso não ocorra em nível do ensino básico.  No ensino básico, as mulheres provavelmente ainda dominarão.  No entanto, tão logo a criança chegue ao ensino fundamental, a educação online será mais masculina do que feminina.

A feminização das camadas mais baixas do mercado de trabalho não acabará tão cedo.  A masculinização das posições mais prestigiadas também não acabará tão cedo.  O seu objetivo, seja como pai, seja como profissional, é fazer seus planos de acordo com esta realidade.