Apêndice D

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Taxas de juros e ciclos econômicos

John Maynard Keynes, ainda aceito por muitos economistas acadêmicos, afirma que as taxas de juros são um fenômeno puramente monetário. Em suas próprias palavras:

“A taxa de juros é a recompensa por se separar da liquidez por um período específico; uma medida relutante daqueles que possuem o dinheiro do qual pode partilhar seu controle líquido sobre ele.”

Essa teoria não apenas ignora ou contradiz a maior parte do que foi escrito por economistas nos últimos dois séculos, mas é claramente contrária aos fatos que supõe explicar. Se a teoria de Keynes estivesse certa, as taxas de juros de curto prazo seriam mais altas no ponto mais crítico de uma depressão, para superar a relutância do indivíduo em partilhar o dinheiro. Mas são nas depressões que as taxas de juros de curto prazo tendem a ser mais baixas. Se a teoria da “preferência pela liquidez” estivesse correta, as taxas de juros de curto prazo seriam mais baixas no ápice de um boom, porque a confiança seria mais alta e todos desejariam investir em projetos e “coisas” em vez de no dinheiro. Mas é no ápice de um boom que as taxas de juros de curto prazo tendem a ser mais altas.

Não é fácil “provar” esta relação estatisticamente, em parte porque muitas influências governam as taxas de juros e em parte porque não há um índice “puro” de “depressão” e “prosperidade”. Geoffrey H. Moore, diretor associado de pesquisa do Departamento Nacional de Pesquisa Econômica, que trabalhou muito nessa linha, gentilmente atendeu meu pedido e forneceu os dados, e H. Irving Forman, da mesma organização, preparou o gráfico que o acompanha*, comparando o índice de produção industrial da Federal Reserve (Reserva Federal) com as taxas bancárias de empréstimos comerciais de curto prazo no período de dez anos entre 1948 e parte de 1958.

A escala de produção industrial à esquerda e a escala de taxas de juros à direita são escalas de proporção, de modo a evidenciar mais claramente as mudanças proporcionais nos dois índices. Os pontos indicam altos e baixos comparativos.

 

Os resultados mostram que os dois índices tendem a subir ou descer juntos. Ou, mais precisamente, o índice de produção industrial dita o ritmo e o índice de taxa de juros o acompanha lentamente. É o que podemos esperar. Quando a produção é baixa, a demanda por empréstimos é baixa e as taxas de juros são baixas. À medida que a produção aumenta, a demanda por empréstimos para expandir a produção aumenta e, se a oferta de dinheiro e crédito não for muito “elástica”, as taxas de juros tendem a aumentar, porém, com um certo atraso.

Também há, sem dúvida, uma influência recíproca e inversa das taxas de juros na produção. Taxas de juros baixas (com os outros fatores em igualdade) tendem a incentivar empréstimos para produção subsequente e altas taxas de juros para desencorajar empréstimos para produção subsequente.

O gráfico fornece apenas taxas de juros de curto prazo. Para completar, as taxas de juros de longo prazo também devem ser consideradas. Mas o registro histórico não leva a nenhuma modificação substancial das conclusões que acabamos de chegar. Os interessados encontrarão os gráficos relevantes tanto no livro de gráficos mensal da Federal Reserve quanto no suplemento histórico anexado a ele (Ambos publicados pela Board of Governors of the Federal Reserve System, Comissão de Governadores do Sistema da Reserva Federal). Lá eles encontrarão (por exemplo, na p. 21 da edição mensal de outubro de 1958 e na p. 37 do suplemento histórico de setembro de 1958) que as taxas de curto e longo prazo tendem a subir e descer juntas. Do gráfico mensal que cobre apenas o período entre o início de 1950 e o fim de 1958, pode-se ter a impressão de que as taxas de curto prazo são quase sempre inferiores às taxas de longo prazo. Das comparações históricas realizadas entre 1865 e 1958, no entanto, pode-se observar que, até meados de 1929, as taxas de curto prazo oscilaram acima e abaixo das taxas de longo prazo e eram frequentemente mais altas como também mais baixas.

Isso é o que a teoria nos levaria a esperar. A taxa de juros de longo prazo em um determinado período é, a qualquer instante, uma antecipação especulativa composta da qual a média das futuras taxas de curto prazo podem ser obtidas (corrigidas, em períodos de deflação ou inflação, para antecipações relativas ao poder de compra real futuro da unidade monetária). Naturalmente, essas antecipações especulativas se provarão erradas. Porém, as taxas de longo prazo tendem a variar menos, dentro de uma faixa muito mais estreita, do que as taxas de curto prazo.

* Adianto que nenhum dos dois foi responsável pelas conclusões que tirei. O gráfico acompanhava um dos meus artigos na Newsweek de 13 de outubro de 1958.