Bancos Centrais afirmam preservar o valor do dinheiro por meio da inflação

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Pode parecer uma piada de mau gosto, mas vários bancos centrais afirmam isso. No site do banco central da Suécia, o Riksbank um comunicado diz: “O Riksbank é o banco central da Suécia. Garantimos que o dinheiro retenha seu valor ao longo do tempo”.

O banco central da Inglaterra, o Bank of England, faz uma declaração semelhante em seu site, dizendo: “Preservamos o valor do seu dinheiro mantendo os preços estáveis”.

Depois, temos o Bank of Canada: “Somos o banco central do Canadá. Trabalhamos para preservar o valor do dinheiro mantendo a inflação baixa e estável.”

O site do banco central do Brasil traz o lema: “Garantir a estabilidade do poder de compra da moeda, zelar por um sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo, e fomentar o bem-estar econômico da sociedade.”

Enviei um e-mail para o Riksbank sobre isso e perguntei como eles poderiam fazer tal declaração e como eles definem o termo “valor”. Uma semana depois, recebi uma resposta onde diziam que por “dinheiro retendo seu valor” eles queriam dizer que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deveria aumentar constantemente em um ritmo “lento” (2% ao ano).

“A maioria dos outros bancos centrais, como o FED, definem a estabilidade de preços dessa maneira”, acrescentaram. Claro, a maioria dos bancos centrais tenta nos enganar e nos fazer pensar que precisamos da inflação para sobreviver e que os preços devem subir para manter a economia funcionando.

O que há de errado com as declarações dos bancos centrais

Como você pode ver, eles afirmam que, à medida que o IPC aumenta devido ao aumento da oferta de moeda, a moeda mantém seu valor (preço). Mas se o IPC aumenta, então logicamente o valor da unidade marginal da moeda cai. A estabilidade de preços é definida pela maioria dos bancos centrais como um aumento do IPC em aproximadamente 2% ao ano.

No entanto, os preços de vários bens e serviços não aumentam uniformemente quando a oferta monetária é inflacionada. Os preços da laranja podem subir 1%, enquanto os preços das casas podem subir 15%. Alheios ao fato de que o uso de qualquer bem é subjetivo, deve-se notar que a maioria dos países não inclui as casas no IPC por considerá-las como bens de capital.

O fato de a moeda não ser neutra beneficia os primeiros recebedores de dinheiro novo em detrimento dos últimos recebedores. O dinheiro recém-injetado na economia, portanto, cria aumentos de preços maiores onde eles são injetados pela primeira vez, conhecido como efeito Cantillon.

Os bancos centrais também confundem valor com preço e o preço do dinheiro com o preço do IPC. Não surpreendentemente, os bancos centrais são criados com base na teoria econômica errônea. É comum no discurso cotidiano se referir ao preço como valor, mas são duas coisas diferentes.

Preço é uma relação de troca atual entre bens e/ou serviços e dinheiro sendo negociado. Carl Menger explicou brilhantemente o conceito de valor em seu livro Princípios de Economia Política: “Valor é um julgamento que os homens que economizam fazem sobre a importância dos bens à sua disposição para a manutenção de suas vidas e bem-estar. Portanto, o valor não existe fora da consciência dos homens”.

Conclusão

Reis e governos descobriram há muito tempo que podiam expandir seu poder e aumentar sua riqueza monopolizando a emissão de moeda. Assim, ao fazer da moeda dos governantes a única moeda legal, mesmo a moeda fiduciária ainda era valorizada pela maioria, já que as alternativas eram ilegais.

Após a suspensão do padrão-ouro, os governos normalmente mantinham o ouro e deixavam o papel-moeda circular sem ser resgatável. Como a moeda fiduciária irresgatável ainda é a única moeda legal, muitas pessoas não pensam duas vezes sobre isso.

De certa forma, pode-se dizer que os bancos centrais em conluio com os governos preservam o valor do dinheiro. Mas a única maneira de preservar o valor é forçando as pessoas a não usar quaisquer alternativas e, assim, a grande maioria valoriza o dinheiro do governo, não importa o quê.

Se as pessoas realmente pensassem sobre isso, elas dariam valor a moeda que subiu de preço ao longo do tempo ou a moeda que caiu de preço? Considere os preços (aproximados) dessas commodities durante os últimos cem anos:

– O preço (o poder de compra) do dólar americano caiu 94,34%

– A coroa sueca caiu 96,61%

– O dólar canadense caiu 94,05%

– A libra britânica 97,08%

Enquanto isso, o preço à vista da prata subiu 3.033% e o preço à vista do ouro subiu 8.591%.

Deve-se notar que os preços do ouro e da prata aumentam devido à inflação monetária, assim como qualquer outra mercadoria. No entanto, em termos de medição do IPC, os dois metais servem como “hedge contra a inflação”. Os metais preciosos são valorizados há milhares de anos por suas vantagens monetárias, beleza e fins industriais. A moeda fiduciária, por outro lado, é valorizada porque é a única opção legal como dinheiro e porque a maioria das pessoas não entende de economia básica.

Tudo isso dito, uma declaração mais apropriada de todos os bancos centrais deveria ser: “Somos um banco central e garantimos que a moeda ainda seja valorizada ao monopolizar a emissão de moeda”.

Mas isso, é claro, é uma ilusão.

 

 

 

Artigo original aqui

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