Bush erra e diz a verdade sobre guerra e desinformação

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Durante sua presidência, George W. Bush ficou conhecido por seus “bushismos”, que a Wikipedia descreve como “declarações não convencionais, frases, pronúncias, lapsos freudianos, malapropismos, bem como erros semânticos ou linguísticos no discurso público do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush.”

Na quarta-feira, Bush nos deu mais um bushismo, e este entrou pra história.

Ao fazer um discurso em Dallas, Bush condenou “a decisão de um homem de iniciar uma invasão totalmente injustificada e brutal do Iraque… quero dizer, da Ucrânia”. Ele então brincou sobre sua gafe, dizendo “O Iraque também. De qualquer forma… eu tenho 75 anos”, provocando risadas na plateia.

Embora ele tenha tentado minimizar isso como um lapso da idade avançada, o mais recente bushismo de Bush foi mais provavelmente um lapso freudiano. Se confundindo em sua fala, ele falou a verdade.

Afinal, foi o presidente George W. Bush quem realmente iniciou a invasão do Iraque, que, como a invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin, foi de fato “totalmente injustificada e brutal”.

Quanto à sua brutalidade, a Guerra do Iraque matou dezenas (talvez centenas) de milhares e envolveu crimes de guerra como o uso de tortura em Abu Ghraib, os massacres de Haditha e da Praça Nisour e o uso de fósforo branco como arma incendiária em Fallujah .

E, como a maioria reconhece agora, a invasão do Iraque foi de fato totalmente injustificada.

Como a BBC observou em sua reportagem sobre a gafe de Bush, “o Sr. Bush foi presidente durante a invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003 por causa de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas”.

Seu governo performou uma atuação para pedir pela guerra na apresentação dramática do secretário de Estado Colin Powell ao conselho de segurança da ONU mostrando supostas evidências de Saddam Hussein desenvolvendo ativamente armas de destruição em massa.

Anos depois, o presidente Bush fez uma piada sobre nunca ter sido capaz de encontrar essas armas de destruição em massa em um jantar de correspondentes da Casa Branca. Como ele demonstrou novamente ontem, Bush parece ter um talento especial para provocar risos sobre sua culpa em uma atrocidade.

Uma segunda grande justificativa para a Guerra do Iraque também se mostrou falsa: como observou um artigo de 2021 publicado pela Brookings Institution, “o governo Bush induziu o público americano a acreditar que o Iraque estava conectado aos ataques de 11 de setembro…”

O governo dos EUA, crucialmente auxiliado pela mídia do establishment, mentiu para colocar os Estados Unidos em uma guerra brutal e injustificada ao propagar uma narrativa falsa que foi isolada da crítica independente até que fosse tarde demais. E não foi a primeira nem a última vez que isso aconteceu.

Isso é algo essencial que todos tenham em mente diante das guerras de hoje e à luz da campanha atual contra a “desinformação”. Governos e empresas de mídia do establishment (incluindo grandes empresas de tecnologia) estão pressionando incansavelmente por um controle narrativo mais centralizado, especialmente no que diz respeito à guerra.

Veja, por exemplo, o recém-anunciado Conselho de Governança de Desinformação do Departamento de Segurança Interna, apelidado de “Ministério da Verdade” por críticos cuja resposta indignada fez com que o governo Biden “pausasse” a nova agência.

De acordo com a AP News, o objetivo do Conselho era…

    “… monitorar e preparar-se para as ameaças russas de desinformação à medida que as eleições de meio de mandato deste ano se aproximam e o Kremlin continua uma campanha agressiva de desinformação em torno da guerra na Ucrânia. A Rússia empreendeu repetidamente campanhas de desinformação destinadas ao público dos EUA para aumentar as divisões em torno do período eleitoral e espalhar teorias da conspiração em torno das vacinas COVID-19 dos EUA”.

E ontem, o Twitter apresentou sua nova “política de desinformação de crise”, que será harmonizada com as Nações Unidas e as principais ONGs e se concentrará especialmente em “desinformação” relacionada a conflitos armados, incluindo:

    “Cobertura falsa ou reportagem de eventos, ou informações que descaracterizem as condições reais à medida que um conflito evolui;

Falsas alegações de uso da força, incursões na soberania territorial ou em torno do uso de armas;

Alegações comprovadamente falsas ou enganosas de crimes de guerra ou atrocidades em massa contra populações específicas;

Informações falsas sobre resposta da comunidade internacional, sanções, ações defensivas ou operações humanitárias”.

O anúncio observa que “esta primeira iteração está focada no conflito armado internacional, começando com a guerra na Ucrânia …”

Combater a “desinformação” e a “má informação” pode soar como uma política sensata e responsável. Mas, como vimos na Guerra do Iraque e em inúmeros outros casos, não se pode confiar nos governos e nas empresas de mídia vinculadas ao governo para gerenciar “a narrativa”, especialmente no que diz respeito à guerra.

Como o senador Rand Paul disse recentemente enquanto interrogava o secretário do DHS, Alejandro Mayorkas, sobre o Conselho de Governança de Desinformação de sua agência: “Eu não confio no governo para descobrir qual é a verdade. O governo está disseminando amplamente a desinformação.’”

Quanto mais o discurso público for gerenciado centralmente, mais fácil será para os governos manipularem o público e, especialmente, nos enganarem novamente sobre guerra “brutais e injustificadas”.

O bushismo freudiano do ex-presidente pode trair uma consciência culpada atormentada pelos fantasmas do Iraque. Até certo ponto, todos devemos ser assombrados pelo legado sangrento dessa guerra. Mas podemos redimir parcialmente essa trágica atrocidade rejeitando políticas que abrem caminho para futuras.

 

Artigo original aqui

1 COMENTÁRIO

  1. O autor disse “que, como a invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin, foi de fato “totalmente injustificada e brutal”…
    Um analista escrevendo sobre política e não tem a mínima noção de nova ordem Mundial não pode fazer análise alguma.
    Putin, Trump, Bolsonaro, são soberanistas.
    Putin está ao mesmo tempo defendendo a soberania russa e lutando contra o verdadeiro mal que e’ essa nova ordem Mundial. Os contradores dessa ordem são os financistas como Rotchild, Rockfeller etc.