Cabul ruiu – mas não culpem Biden

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16 de agosto 2021 – Neste fim de semana, os EUA experimentaram outro “momento Saigon”, desta vez no Afeganistão. Depois de uma guerra de 20 anos que drenou trilhões dos bolsos dos americanos, a capital do Afeganistão caiu sem lutar. O regime corrupto de Potemkin que os EUA vinham sustentando por duas décadas e os militares afegãos nos quais tínhamos gasto bilhões em treinamento simplesmente desapareceram.

A corrida agora é para encontrar alguém para culpar pelo caos no Afeganistão. Muitos dos “especialistas” que apontam o dedo são os maiores culpados. Políticos e analistas que bancaram os líderes de torcida nesta guerra por duas décadas agora estão correndo para culpar o presidente Biden por finalmente tirar os Estados Unidos dela. Onde eles estavam quando os presidentes sucessivos continuaram a adicionar tropas e expandir a missão no Afeganistão?

A guerra dos EUA no Afeganistão não foi perdida ontem em Cabul. Perdeu-se no momento em que passou de uma missão limitada de prender aqueles que planejaram o ataque em 11 de setembro para um exercício de mudança de regime e construção de nação.

Imediatamente após os ataques de 11 de setembro, propus que emitíssemos mandados de busca e apreensão para levar os responsáveis à justiça. Mas essa resposta limitada e direcionada ao ataque foi ridicularizada na época. Como a máquina de guerra dos EUA e todos os seus aproveitadores aliados ganhariam bilhões se não travássemos uma guerra massiva?

Então, quem é o culpado pelas cenas do Afeganistão neste fim de semana? Há muitos para culpar.

O Congresso chutou o balde por 20 anos, continuamente financiando a guerra afegã muito depois de terem entendido que não havia sentido a ocupação americana. Houveram alguns esforços de alguns membros para acabar com a guerra, mas a maioria, numa base bipartidária, apenas concordou em se dar bem.

Os generais e outros oficiais militares de alto escalão mentiram para seu comandante-chefe e para o povo americano durante anos sobre o progresso no Afeganistão. O mesmo é verdade para as agências de inteligência dos Estados Unidos. A menos que haja um grande expurgo daqueles que mentiram e enganaram, podemos contar com esses desastres para continuar até que o último dólar americano vire fumaça.

O complexo industrial militar passou 20 anos no trem da alegria com a guerra do Afeganistão. Eles construíram mísseis, eles construíram tanques, eles construíram aeronaves e helicópteros. Eles contrataram exércitos de lobistas e redatores de think tanks para continuar a mentira que os estava tornando ricos. Eles embrulharam sua corrupção na bandeira americana, mas são o oposto dos patriotas.

A grande mídia tem repetido sem crítica a propaganda dos líderes militares e políticos sobre o Afeganistão, Iraque, Síria e todas as outras intervenções inúteis dos EUA. Muitas dessas empresas de mídia são propriedade de empresas ligadas à indústria de defesa. A corrupção é profunda.

Os cidadãos americanos também devem compartilhar alguma culpa. Até que mais americanos se levantem e exijam uma política externa pró-América e não intervencionista, eles continuarão a ser espoliados pelos aproveitadores da guerra.

O controle político no Afeganistão voltou para as pessoas que lutaram contra aqueles que consideravam invasores e pelo que consideravam sua pátria. Essa é a verdadeira lição, mas não espere que seja entendida em Washington. A guerra é muito lucrativa e os líderes políticos são muito covardes para ir contra a maré. Mas a lição é clara para quem deseja ver: o império militar global dos EUA é uma grave ameaça para os Estados Unidos e seu futuro.

 

Artigo original aqui.

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é médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano. É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoal, Definindo a liberdade, O Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007). O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.