Defender o socialismo é defender, necessariamente, a agressão institucionalizada contra inocentes

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O socialismo é um nefasto e violento sistema arbitrário de destruição, tirania e submissão da sociedade por um estado onipotente, sustentado por um projeto político que pretende escravizar os seres humanos, deixando-os em uma posição de total sujeição a uma autocracia despótica, tirânica e coletivista, onde os indivíduos ficam totalmente destituídos dos seus direitos de escolha, de sua individualidade, autonomia e capacidade produtiva, e sua propriedade pode ser confiscada em nome do “bem comum” e da “justiça social”. Em função do seu organograma inerentemente despótico, totalitário e impessoal, o socialismo despreza totalmente o indivíduo — até mesmo dissociando-o de sua condição humana —, para considerá-lo simplesmente uma ferramenta que deve atender e servir aos desígnios do partido e dos planejadores centrais que estão no poder. Algo extremamente frio, impessoal, autocrático e maléfico, que manifestamente incorpora e expressa de maneira ostensiva o mecanismo elementar da burocracia estatal, em sua forma mais truculenta e autoritária.

Apesar de todas as experiências socialistas históricas terem arruinado os países que foram vítimas desse sistema, os adeptos do socialismo continuam promovendo e difundindo a doutrina como se ela nunca tivesse sido genuinamente aplicada, o que é uma falácia tão imoral quanto desconcertante, embora não se deva esperar menos dos socialistas. Ou seja, além de não se importarem em promover uma filosofia política desumana, agressiva e degradante — que foi responsável pelas maiores chacinas e atrocidades da história humana —, os militantes estão totalmente dispostos a ignorar todas as experiências socialistas históricas para concretizar a sua utopia, mesmo que as evidências empíricas mostrem enfaticamente que elas produzirão exatamente os mesmos resultados das experiências anteriores. Albert Einstein em certa ocasião falou uma frase muito interessante, que é totalmente apropriada para essa situação: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

O socialismo é um sistema que, acima de tudo, se baseia em uma bestial irracionalidade econômica e contundente ignorância sobre a natureza humana. Além de ignorar as leis econômicas mais elementares, o socialismo persiste em ignorar a própria natureza humana, com todas as suas belezas, contrastes e incongruências. Ao ignorar a natureza humana, o socialismo implicitamente mostra que não deseja servir ou atender as necessidades dos indivíduos. Seu objetivo é atender os projetos dos burocratas e planejadores centrais que estão no poder, que por sua vez possuem uma idealização de como eles acham que o socialismo deveria ser. A partir dessas prerrogativas, os idealizadores da sociedade utópica passarão a organizá-la de acordo com a sua ideologia, literalmente deixando a teoria para executarem suas pretensões e seus objetivos na prática.

Aqui vemos o nível monumental de arrogância e prepotência dos indivíduos que estão no poder, por pensarem que eles possuem o direito de alterar vidas, sistemas econômicos, a ortodoxia da ordem natural e sociedades inteiras, para deixar o seu país compatível com a sua fantasia política. Como P. J. O’Rourke escreveu, “que tipo de combinação mental totalitária seria necessária para determinar as habilidades e necessidades de todos?”. Ou seja, a natureza humana e as necessidades mais elementares dos indivíduos terão que ser totalmente ignoradas para se tentar construir a utopia. Ao ignorar os indivíduos em nome do coletivo para tentar produzir a “sociedade perfeita” — o que o socialismo acaba fazendo na verdade é usar de expedientes excessivamente cruéis, aterradores e implacáveis para ocultar suas imperfeições —, o resultado será, invariavelmente, um governo despótico, imperativo, autocrático e centralizador, que se tornará o catalisador de um nível inenarrável de atrocidades, sofrimento, crueldade, hostilidade e agressão sistemáticas executadas contra pessoas inocentes.

É evidente que a utopia vai fracassar, como fracassou em todas as experiências socialistas históricas. É impossível que uma sociedade consiga conquistar êxito e prosperidade quando os indivíduos — por decreto estatal — são proibidos de agir como seres humanos e fazer o que os seres humanos fazem quando são deixados livres para agir de acordo com a sua natureza e com sua índole, seja ela boa ou ruim. Consequentemente, em um ambiente desses, teremos a eclosão de dois cenários, que são muito comuns em ditaduras socialistas como Cuba e Coreia do Norte.

Nesses países, cujas sociedades são sufocadas por regimes totalitários, muitas pessoas praticam o livre comércio no mercado negro — o que possibilita a muitas delas escaparem da miséria, da pobreza, e às vezes da total inanição — e em função da escassez que a ausência de liberdade econômica provoca no mercado formal, o regime invariavelmente se torna tão corrupto que muitos indivíduos conseguem obter algumas vantagens e benefícios subornando as pessoas certas.

Por causa da escassez e da precariedade, os funcionários do estado, geralmente os de baixo escalão, estarão sempre dispostos a fazer vista grossa para determinadas contravenções, em troca de dinheiro. Na Coreia do Norte, por exemplo, soldados comuns passam tanta fome que frequentemente aceitam subornos com o objetivo de comprar alimentos, visto que a ração diária que recebem do governo — além de não ser nutritiva —, não chega nem perto de ser suficiente para um homem adulto. A precariedade inerente a um sistema socialista, abundante entre as pessoas do baixo escalão, contribui para que o regime se torne invariavelmente corrupto. Nesse ponto, a corrupção é fundamental para que os cidadãos consigam ter um pouco de liberdade e prosperidade. Ambos os lados, o da autoridade que faz vista grossa e recebe dinheiro, e a pessoa que compra o favor, se beneficiam.

Ou seja, esses cenários — onde existe um amplo e diversificado, porém ilegal mercado negro, com muitos produtos, especialmente alimentos, sendo contrabandeados — se desenvolvem e são recorrentes nos regimes socialistas porque, exatamente como no capitalismo, as pessoas continuarão realizando trocas por dinheiro, simplesmente porque terão necessidades e se sentirão compelidas a saciá-las. Isso faz parte da natureza humana. É assim que as coisas serão, não importa se você vive em uma república, em uma monarquia, em um regime capitalista liberal, em uma ditadura comunista ou em uma social-democracia ultra-progressista. Os seres humanos fazem trocas por dinheiro para saciar as suas necessidades, das mais elementares (como alimentos) às mais supérfluas e banais (como diversão). Como o socialismo ignora sistematicamente a natureza humana, os teóricos, os militantes e os planejadores centrais, por serem naturalmente obtusos, frequentemente serão incapazes de ver além da sua utopia de estimação para enxergar as condições reais de escassez e precariedade que compelem os cidadãos comuns a saciarem suas necessidades e agirem como seres humanos, movidos pela compulsão intrínseca de sua natureza inerente.

Socialistas são tão obtusos com relação a natureza humana que esquecem que é impossível converter as pessoas em autômatos submissos e obedientes por decreto estatal. Os indivíduos continuarão sendo plenamente guiados por necessidades intrínsecas a natureza humana, e farão o que for necessário para saciá-las e sobreviver. A grande maioria das pessoas escravas de regimes totalitários apenas aparenta ser plenamente obediente ao regime para evitar problemas com a ditadura.

Outro ponto fundamental que o socialismo — do alto de sua prepotência e arrogância — persiste em cometer é o de recusar-se categoricamente a ver o mundo pela perspectiva do cidadão comum, aquele que trabalha arduamente para sustentar a si próprio e a sua família, e não se importa nem um pouco com livros, teoria política, marxismo e futilidades similares. O indivíduo comum, que é a grande maioria na sociedade, não se importa nem um pouco com livros ou ideologias, porque elas raramente dialogam com a sua realidade e não apresentam soluções rápidas e pontuais para os problemas que o afligem. Tudo o que ele deseja é trabalhar, ganhar o seu dinheiro para satisfazer suas necessidades e melhorar o seu padrão de vida. Se o governo não está disposto a ajudá-lo, pelo menos que não o atrapalhe.

Quando adquire um pouco de conhecimento sobre o socialismo, em virtude de algum acontecimento, como crises políticas severas com catastróficas consequências socioeconômicas, o cidadão comum, quando decide obter informação sobre o tema, passa a ser um vigoroso opositor desse sistema, porque entende que o socialismo é sobre a promoção de restrições e não sobre a promoção da liberdade. Quando compreende que o socialismo é sobre a promoção de um incomensurável nível de restrições — do tipo que irão afetá-lo negativamente e que podem até mesmo impossibilitar severamente a sua existência —, o cidadão comum se torna um vigoroso opositor do socialismo.

Embora alguns sejam enganados pela falaciosa ladainha de que o socialismo está ao lado dos pobres e dos desfavorecidos, o que é uma afirmação no mínimo hilariante, o cidadão comum — ao menos aqueles que possuem um nível razoável de inteligência — conseguem perceber que no socialismo tudo dependerá de uma elite política e normalmente apenas ela usufruirá de pleno conforto, abundância e prosperidade material. Todo o restante da população será amplamente prejudicada e depauperada pelo sistema, justamente para sustentar aqueles que estão no poder.

Embora não seja um grande especialista no assunto, o cidadão comum lê artigos sobre o que acontece em Cuba, na Coreia do Norte e na Venezuela, e não quer isso para ele e para a sua família. Ao perceber que o seu padrão e a sua qualidade de vida serão amplamente prejudicados pelo socialismo, o cidadão comum passa a se opor de forma vigorosa a esse sistema, rejeitando igualmente o fantasioso discurso de que o “verdadeiro socialismo nunca foi aplicado”.

Apesar de toda a destruição causada pelo socialismo no decorrer do século XX, essa doutrina mortífera, sanguinária, violenta, opressiva e genocida — a mais eficiente máquina de extermínio concebida na história humana — continua sendo amplamente difundida e vem arregimentando adeptos no mundo inteiro; em sua maioria, jovens ricos da elite ou da classe média alta, universitários, militantes, aspirantes a políticos e simpatizantes do progressismo. Em sua grande maioria, os adeptos da doutrina são pessoas completamente obtusas e radicalmente ignorantes com relação às experiências socialistas históricas e as atrocidades inenarráveis que foram cometidas por esses regimes. Essas pessoas normalmente tem muito tempo livre; portanto, podem se dar ao luxo de desperdiçá-lo na leitura de livros mundanos de teoria socialista. Isso também explica porque pobres raramente são socialistas. Como precisam trabalhar e se sustentar, são pessoas que normalmente não tem muito tempo ocioso. O pouco de tempo livre que possuem, passam com a família, praticando esportes ou se envolvendo em outras atividades salutares. Essa é uma das razões pelas quais o socialismo há muito tempo se tornou basicamente um passatempo dos ricos e um fetiche da aristocracia e das elites artísticas, acadêmicas e financeiras. Ao contrário dos pobres, que precisam trabalhar diariamente e lutar arduamente pela sua sobrevivência, as elites dispõem de muito tempo livre para se empanturrar com os fetiches ideológicos da teoria socialista.

Em decorrência do fato de que é impossível que haja unanimidade no que diz respeito a esse sistema, uma expressiva parcela da sociedade rejeitará categoricamente o socialismo e fará resistência à sua implantação. Portanto, para conseguir existir e ser implementado, o socialismo terá necessariamente que agredir terceiros, violar e confiscar suas propriedades e ser imposto à força a todos aqueles que não desejam participar desse sistema. É, portanto, inevitável que no socialismo hajam dissensões, dissidências, discórdias, fuzilamentos, expurgos em massa e agressões a grupos e famílias inteiras. Tudo em nome da “revolução do proletariado”, que matou mais proletários do que qualquer outro sistema jamais conseguiu.

Fato é que nem mesmo socialistas escaparam da violência do socialismo. Na verdade socialistas mataram muito mais socialistas do que foram vítimas por parte de que qualquer outro grupo. Para citar um exemplo clássico, depois da morte de Lênin, quando Stálin começou a ganhar proeminência no Partido Comunista da União Soviética, Trotsky passou a ser brutalmente hostilizado; em questão de pouco tempo, uma terrível disputa pelo poder foi deflagrada entre os dois revolucionários.

Quando a influência de Stálin passou a comandar o partido, Trotsky se viu ameaçado e eventualmente fugiu da União Soviética com a sua família. Embora vivesse cercado de seguranças — porque conhecia perfeitamente a obsessão vingativa e a fúria sanguinária de Stálin —, em 1940, quando vivia no México, Trotsky foi assassinado pelo comunista espanhol Ramón Mercader a picaretadas. Ele não morreu imediatamente, mas agonizou por um dia inteiro antes de finalmente sucumbir em virtude dos ferimentos.

Isso, no entanto, é apenas o exemplo mais notório da fúria psicótica e da obsessão por poder e controle que move socialistas. Ao longo do século XX, socialistas nunca hesitaram em assassinar outros socialistas em nome dos seus sórdidos e iníquos projetos de poder, ou para impor suas visões pessoais da doutrina. Para citar outro exemplo, em 1976 — pouco tempo depois de tomar o poder na Etiópia através de uma revolução que depôs o monarca Haile Selassie, cuja dinastia governava o país há séculos —, Mengistu Haile Mariam, que se tornaria o ditador do país, decidiu exterminar todos os políticos da oposição. Ele deu um ultimato a outros grupos e partidos socialistas, para se unirem ao Derg, a junta militar comunista que governaria a Etiópia até 1991 como um regime totalitário marxista-leninista. Visto que a grande maioria recusou-se categoricamente a aceitar a sua proposta, Mengistu Haile Mariam decidiu trucidá-los, de forma brutal e implacável. Não importava nem um pouco que, assim como ele, essas pessoas também fossem socialistas. Ele simplesmente ordenou que suas milícias os exterminassem, e assim foi feito. Esse acontecimento histórico ficou conhecido como o Terror Vermelho Etíope. Milhares de pessoas foram brutalmente exterminadas durante essa mortífera campanha de chacinas e assassinatos em massa. Os números exatos não são conhecidos, mas oscilam entre 30.000 e 750.000.

Em regimes socialistas, dissidências sempre foram punidas com a morte. Morticínios em larga escala e fuzilamentos de membros do partido, normalmente acusados de “traidores”, “burgueses” ou “contrarrevolucionários”, sempre foram ocorrências recorrentes em todas as ditaduras socialistas, sem exceções. Isso é natural porque o totalitarismo está profundamente impregnado à estrutura da doutrina socialista. Está no seu DNA. É impossível dissociá-lo da sua inviolável conjuntura de homogeneização compulsória da sociedade. Portanto, é completamente impossível que o socialismo exista sem um nível desmesurado de violência, agressão e mortandade.

Sendo assim, por sua ampla disposição em ignorar reiteradamente as necessidades humanas mais básicas, a individualidade do ser humano, a liberdade e o direito natural, por negar categoricamente virtudes humanas básicas como autonomia e independência e não se importar nem um pouco em asfixiar cruelmente o indivíduo e soterrá-lo debaixo da histeria coletivista em nome do “bem comum”, é impossível que o socialismo seja implantado sem um incomensurável, degradante e excessivo nível de violência. Todos os regimes socialistas históricos, sem quaisquer exceções, não apenas comprovam isso, como na verdade foram manifestações formais e orgânicas da doutrina, que em nenhum momento foi deturpada, como gostam de afirmar alguns dos seus adeptos mais ingênuos.

O socialismo está totalmente alicerçado na agressão contra cidadãos e pessoas inocentes. No decorrer do século XX, provou ser a mais eficiente máquina de produção de cadáveres em massa da história humana, tendo não apenas a violência como ferramenta para a erradicação de opositores, mas também a inanição. Negar isso é negar a própria estrutura do socialismo e cometer a desfaçatez de rejeitar as experiências socialistas históricas, que produziram níveis inenarráveis de horror e sofrimento em uma escala monumental, sem precedentes na história. Socialismo não tem relação nenhuma com qualquer coisa que seja minimamente decente, construtiva, altruísta, benévola ou moralmente salutar. Socialismo é caos, depravação, horror, miséria, desgraça, mortandade e crueldade, produzidas a níveis histriônicos e colossais. O socialismo na prática é a corporificação do inferno; a ironia é que na teoria afirme ser justamente o contrário, a construção do paraíso.

Os socialistas, os progressistas e toda a esquerda contemporânea são criaturas utópicas e elitistas, que estão sempre dispostas a ignorar a realidade e as inclinações mais elementares da natureza humana em nome da sua fantasia política. O problema dessas pessoas é que — ao negligenciar reiteradamente o socialismo real — elas se perdem em delirantes idealizações e coloridos devaneios universitários de como elas pensam que o socialismo deveria ser. São pessoas que, mesmo algumas delas sendo adultas, acabam se perdendo em seus sonhos pueris e adolescentes de um mundo radiante, onde a realidade pode ser convertida em um doce e formidável conto de fadas, habitado por pôneis falantes e abundantes arco-íris resplandecentes, que giram ao redor de uma retumbante aurora cintilante, que produz felicidade e contentamento infinitos. Infelizmente, ao acreditar nesses devaneios ingênuos e pueris, essas pessoas mostram que são movidas, antes de tudo, pela sua imensurável ignorância sobre todos os assuntos possíveis, especialmente a economia e a natureza humana.

O que esperar de pessoas naturalmente obtusas e ignorantes? O fato de nunca terem vivenciado na própria pele os horrores e as atrocidades dos regimes socialistas contribuiu substancialmente para elas se perderem em suas ilusões infantis e fantasias idealistas inúteis. O socialismo pode parecer bacana na teoria, para qualquer indivíduo que seja suficientemente destituído de inteligência para considerá-lo possível. Na prática, no entanto, o socialismo sempre foi uma eficiente máquina de terror, tirania, morticínio, degradação e violência de proporções titânicas. Todos os adolescentes, universitários e fanfarrões histéricos da geração floquinho de neve que militam a favor do socialismo não conseguiriam sobreviver por uma semana em uma ditadura socialista. Em pouco tempo, chorariam convulsivamente de forma histérica e desesperada e suplicariam pela ajuda do papai e da mamãe. Como P. J. O’Rourke corretamente escreveu, “A União Soviética e a China maoísta são mais duas razões pelas quais a geração do milênio ama o socialismo. Não porque os jovens aprenderam lições de esquerda com os soviéticos e os guardas vermelhos. É porque eles não o fizeram.”

3 COMENTÁRIOS

  1. O socialismo não é esse horror todo. Existem radicais que levaram o socialismo ás últimas consequências, mas isso é fruto basicamente de psicopatas específicos, como Stalin, Mao, Hitler – estranhamente não citado no texto, já que nazismo é de esquerda -, Ho Chi Min, Che e tantos outros. No geral, o homem comum aceita o socialismo mais moderado, do tipo que vivemos hoje, do tipo social-democracia.
    E se socialismo é um nível de tributação onde a renda é transferida do setor produtivo para o improdutivo, o socialismo também pode ser enquadrado com uma tendência direitista, ainda que minoritária e sem a mesma fama dos esquerdistas.
    É um erro supor que o homem comum não aceita o socialismo. Ele não aceita violência. Existe um certo rancor contra os ricos que é algo natural no ser humano, cujo tipo mais prejudicial é a inveja. E isso não é de hoje, pois Jesus Cristo já tinha seus problemas com os ricos e a classe dominante. A questão é que a esquerda teve a capacidade de instrumentalizar a inveja em uma ideologia política. Portanto, o problema não é o socialismo, mas a existência de uma instituição violenta e centralizada capaz de por em prática essa inveja.
    Um outro equívoco é imaginar que um sistema coletivista é ruim apenas porque ignora o indivíduo. O capitalismo em realidade faz o mesmo, ou seja, os indivíduos acabam bem ou mal sendo escravos do sistema capitalista – na sua versão corporativa. É inegável que os os grandes empresários agindo de acordo com a sua liberdade individual, mesmo satisfazendo os consumidores, também acabam se tornando déspotas autoritários. Como sempre, isso passa pela mão da máfia estatal, que cria regulações que inibem a concorrência.
    O estado leviatã é portanto o inimigo, não ideologias que ele se utiliza de maneira aleatória para se legitimar. Até porque, os excessos do socialismo de esquerda, acabam gerando uma necessidade natural por mais liberdade, o que acaba favorecendo a vida da democracias liberais. Só que neste caso, acaba favorecendo ainda mais a máfia estatal, pois os liberais são os piores inimigos da liberdade que existem – principalmente na sua versão randiana, pois são estatistas por natureza. Os liberais amam o estado per se.
    Se eu tivesse só uma bóia para salvar um socialista ou um liberal, eu atirava para o liberal.

    • Errei ali: eu atirava a boia para o socialista, não para o liberal. O liberalismo político é uma catástrofe teórica e prática. Ele acreditam no estado como garantidor da civilização. O socialista ainda que seja um estatista, utiliza o estado como um meio para alcançar a sua ideologia. O liberal não, ele ama o estado. É por isso que eu gosto de uma frase do Olavo de Cravalho: Por trás de todo liberal há um cu aberto implorando por uma pica comunista.