Desemprego e política monetária

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NOTA A RESPEITO DA TEORIA DO CAPITAL DA “ESCOLA AUSTRÍACA”

A teoria do capital proposta pela “Escola Austríaca” considera o capital não como uma reserva homogênea, mas como uma cadeia de bens inter-relacionados: uma estrutura diversificada de elementos complementares, e não um conjunto uniforme.  O processo de produção, por sua vez, é visto como algo que vai ocorrendo em uma série de “estágios”, os quais se estendem dos estágios mais remotos até o consumo final.  Vejamos um exemplo disto: uma usina siderúrgica não pode, por si mesma, produzir bens de consumo final, tais como, automóveis ou máquinas de lavar roupa.  Para a produção de tais bens de consumo faz-se necessário o concurso de toda uma cadeia de investimentos complementares: fábricas, maquinaria, estoques de matérias-primas etc..  A produção da usina siderúrgica entra no estágio produtivo seguinte como um insumo – juntamente com outros, como as matérias-primas – e é usada por indústrias, nesse novo estágio, para a fabricação de diversos bens intermediários.  Estes novos bens, por sua vez, vão servir de insumos para o estágio subsequente do processo produtivo, até que o consumo final seja alcançado.Portanto, de acordo com este ponto de vista, os investimentos que se fazem para a distribuição por atacado ou no varejo são complementares aos investimentos em estágios anteriores de produção: eles são parte integrante da estruturação do capital como um todo necessário para levar os bens ao estágio final do consumo.  Certos bens do capital podem ou ser específicos de um determinado estágio da produção, ou ser adaptáveis a diversos estágios.

Em outras palavras, uma miscelânea de bens não preparados para a fase de consumo não elevarãonecessariamente a produção final.  Investimentos individuais de capital – sejam eles em fábricas, maquinarias, matérias-primas ou bens semiacabados – devem ajustar-se a uma estrutura integrada de capital, completa até o estágio final de consumo, se é que se deseja que façam parte da produção final do consumo.  Investimentos que não se integram nessa estrutura são – ou tornam-se – maus investimentos, geradores de perdas de capital e de perdas operacionais.

O “entrelaçado”, ou seja, a composição de bens de capital que formam uma estrutura coordenada de capital altera-se com as circunstâncias.  Assim, uma fábrica, antes lucrativa, torna-se deficitária quando as circunstâncias que envolvem sua criação se alteram.  Por outro lado, as novas circunstâncias proporcionam novas oportunidades de investimentos.  Investimentos antes inúteis podem, então, tornar-se lucrativos.  Em resumo, nem o capital se mantém automaticamente intacto, nem os investimentos são, em todas as circunstâncias, automaticamente rentáveis.

O papel essencial dos preços – e das taxas de retorno de bens individuais – pode ser vislumbrado nesse rápido esboço.  Somente quando existem mercados nos quais os preços representam os graus mutáveis de escassez relativa dos diferentes tipos de bens de capital envolvidos, a estrutura de capital pode estar integrada como um todo, e os maus investimentos podem vir à tona.

SUDHA R. SHEMOY