Entre socialistas e jihadistas; a tragédia dos moçambicanos

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Uma terrível sombra de horror e morte paira sobre Moçambique. A população inocente hoje se vê em meio a um fogo cruzado, resultado de duas forças antagonistas e inerentemente antiéticas: o estado moçambicano e as forças jihadistas que buscam impor a religião islâmica.

A escalada na violência chamou a atenção recentemente pelo barbarismo perpetrado pelos terroristas que fizeram filmagens de mais de 50 decapitações em um campo de futebol no norte do país. E embora este seja um dos crimes mais recentes praticados pelos jihadistas, com certeza o evento está longe de ser um fato isolado.

Nos últimos anos o número de vítimas fatais desta célula terrorista foi de 2.000 pessoas, sendo que também mais de 400.000 tiveram de fugir de suas próprias casas para não serem vítimas da violência na região.

Segundo apurado pela rede BBC, este é o momento de maior agravamento das ações jihadistas na província de Cabo delgado, localidade com grande potencial econômico para exploração de rubis e gás natural, fatores estes que provavelmente encontram-se na mira dos criminosos. Além disso, mulheres e crianças também passaram a ser vítimas frequentes de sequestros por parte dos radicais.

Os autores de tais atos de violência são membros do grupo al-Shabab, uma facção de tem ligações com o estado islâmico.

O al-Shabab vem atualmente difundindo seus ideais aproveitando-se do ressentimento da população com o governo corrupto local. Seu discurso revolucionário reverbera com mais intensidade na população jovem, que acaba abraçando o terrorismo como uma forma de revolucionar o sistema.

Pautas como pobreza e desemprego são sempre mencionados pelos vídeos apelativos que servem de propaganda para a organização terrorista. Em um dos vídeos mais conhecidos um agente do al-Shabab declara:

“Ocupamos (as cidades) para mostrar que o governo é injusto. Ele humilha os pobres e dá o lucro aos patrões”.

Diante de um tal discurso, não chega a ser uma surpresa descobrir que a cultura e a política de Moçambique foram pesadamente determinadas pelo pensamento marxista nas últimas seis décadas. Uma breve exposição dos eventos políticos mais importantes de Moçambique conduz à conclusão inequívoca de que as calamidades do país possuem raízes profundas na ideologia socialista, como veremos adiante.

Na década de 1960 surgiram várias reivindicações trabalhistas em Moçambique, questionando o valor dos salários e as condições de trabalho locais. Até então o território era uma colônia ultramarina de Portugal.

É nesse contexto que surge a Frente de Libertação de Moçambique, (FRELIMO), uma organização marxista que inflama os sentimentos nacionalistas locais que irão alimentar uma década de conflitos armados contra a potência europeia.

Naquele contexto de guerra fria, FRELIMO foi um dos muitos partidos associados à internacional socialista. Os congressos que definiam a estratégia da agremiação inclusive chegaram a estabelecer que o partido não só lutaria pela independência de Moçambique, mas também pela criação de uma sociedade socialista. A entidade foi inclusive abertamente apoiada por países como Cuba, China e União Soviética.

Assim, se por um lado não parece desarrazoado que nações vítimas do colonialismo passassem a se insurgir mais cedo ou mais tarde contra as metrópoles europeias, também cabe considerar que muito dessa emergente rebeldia tenha sido diretamente patrocinada por entidades comunistas que buscavam rivalizar com as potências ocidentais.

Considerando todo o interesse político e militar que a URSS tinha na região, é de se questionar se as condições de vida em Moçambique eram realmente tão negativas a ponto de justificar por si só o levante armado. Se julgarmos a situação do país pela produtividade no cultivo de algodão, o mais provável é que o país estivesse de fato experimentando um ciclo de prosperidade sob a regência dos portugueses. Na década de 1930, a produção de algodão alcançava 4.000 toneladas, enquanto que na década de 1960, mesma época das insurreições, a produtividade do algodão já havia subido para 130.000 toneladas. Tipicamente, uma tal abundância da produtividade de um país costuma ser exemplo de prosperidade, e não de definhamento.

Com justificativas plausíveis ou não, os socialistas de Moçambique conseguiram enfim concretizar a independência do país em relação a Portugal em 1975, dando início a partir de então a um governo de partido único e de orientação marxista.

Esse sistema perdurou até o início da década de 90, quando então a URSS já havia deixado de existir. O período em que o país foi governado pelos marxistas também foi acompanhado por uma sangrenta guerra civil.

Em anos mais recentes, mesmo o marxismo tradicional tendo decaído como força política, os governantes de Moçambique ainda assim buscaram fazer uso de conexões com lideranças de outros países com posicionamento socialista. O Brasil, por exemplo, nos anos em que foi governado pelo PT, também buscou trazer Moçambique para sua esfera de influência, usando para isso vultosos e mui suspeitos empréstimos do BNDS para financiar megaempreendimentos no país através de corporações que já são figuras carimbadas nas nossas páginas policiais, como Andrade Gutierrez e Odebrecht.

Com todo esse histórico conspurcado pelo pensamento socialista, certamente deixa de ser difícil reconhecer as influências por detrás das declarações do já citado vídeo terrorista, em que o agente do al-Shabab declara:

“Ocupamos (as cidades) para mostrar que o governo é injusto. Ele humilha os pobres e dá o lucro aos patrões”. Ou seja, trata-se da ideologia da luta de classes em seu estado bruto.

Em suma, podemos dizer que depois de décadas governando o país os socialistas entregaram ao povo apenas guerra, pobreza e campos de futebol transformados em centros de decapitação. Porém, tais fatos dificilmente chegam ao conhecimento do público, afim de que ninguém questione o dogma sacrossanto de que os europeus são os únicos culpados por todos os males do continente africano.

Poucos estão dispostos a afirmar essa verdade inconveniente, mas Moçambique estaria em muito melhor situação se houvesse permanecido como território ultramarino português. Em lugar disso, o nacionalismo apaixonado dos moçambicanos foi prontamente utilizado em benefício do tabuleiro do xadrez global soviético, e hoje são os cidadãos pacíficos que pagam caro pela trágica adesão moçambicana ao socialismo.

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