O socorro americano à Europa

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O establishment econômico americano já chegou à conclusão de que não mais se trata de uma questão de “se” os EUA devem intervir no socorro ao euro, mas sim meramente uma questão de “quando” e “como”.  Editoriais e artigos de jornal continuamente pontificam, sempre de maneira pretensamente inquestionável, que o colapso do euro resultaria em uma depressão mundial, e que uma assistência econômica à Europa é a única maneira de impedir essa calamidade.  Tais asserções nada mais são do que a velha e sempre eficiente tática do amedrontamento, exatamente a mesma utilizada com suprema eficácia durante a crise financeira de 2008, e que garantiu aos banqueiros vultosas transferências de dinheiro confiscado dos cidadãos americanos.

Aparentemente, após apenas uma década de existência do euro, as pessoas se esqueceram de que a Europa funcionou por séculos sem uma moeda comum de curso forçado.

A real causa das depressões econômicas é uma política monetária frouxa: a criação de dinheiro e crédito do nada pelo banco central e a subsequente monetização das dívidas governamentais.  Essa política monetária inflacionista é causa de todos os ciclos econômicos, e no entanto é exatamente o que as elites políticas e econômicas, tanto na Europa quanto nos EUA, estão recomendando como solução para a atual crise.  O próximo passo, já em discussão, envolve um pacote de socorro de vários trilhões de dólares arquitetado pelo Banco Central Europeu (BCE), o qual seria alimentado pelo FMI e pelo Federal Reserve.

O euro foi construído sobre bases totalmente instáveis.  Seus criadores tentaram estabelecer uma moeda europeia semelhante ao dólar, mas se esqueceram de que foram necessários quase dois séculos para que o dólar deixasse de ser apenas o nome de uma unidade específica de prata e se transformasse em um papel-moeda fiduciário e totalmente sem nenhum lastro metálico.  Como o euro foi artificialmente criado, ele simplesmente não possui nenhum histórico, o que significa que a moeda já nasceu puramente fiduciária.  Logo, não é surpresa alguma para os seguidores da Escola Austríaca de economia que ele tenha durado apenas uma década e já esteja no limiar do colapso.  A depressão econômica europeia é resultado da própria estrutura do euro, um sistema monetário fiduciário que permite que os governos dos países-membros possam gastar despreocupadamente, pois a conta sempre pode ser jogada para os governos dos outros países.

Um pacote de socorro aos bancos europeus coordenado pelo BCE e pelo Fed irá apenas exacerbar a crise, e não aliviá-la.  O que é realmente necessário é que todas as dívidas podres nos balancetes dos bancos e das empresas sejam liquidadas.  Bancos que investiram em títulos da dívida soberana dos países do euro têm de assumir seus prejuízos em vez de socializá-los com todo o resto da população, o que apenas posterga o inevitável processo de ajuste de seus balancetes.  A contabilidade de bancos e empresas deve refletir a realidade e não a ficção artificialmente criada pelos governos.

Se isso fosse feito, o processo de correção seria doloroso, porém rápido, assim como a retirada de um grande esparadrapo.  Isso, porém, é necessário para que a economia volte a ter bases sólidas.

Socorrer governos perdulários irá apenas garantir que nenhum processo de correção —algo inevitavelmente necessário — venha a ocorrer.

Um pacote de socorro de vários trilhões de dólares para a Europa não pode ser empreendido unicamente pela Europa, o que significa que exigirá o envolvimento do FMI [com dinheiro inclusive dado pelo governo brasileiro] e do Federal Reserve.  O Fed já injetou trilhões de dólares na economia americana e nada de positivo ocorreu.  Cogitar um envolvimento do Fed na Europa já é algo por si só grotesco.  A economia americana está em péssimo estado exatamente porque houve muita criação de dinheiro e muito endividamento estatal.  A economia europeia está destinada a soçobrar pelos mesmos motivos.

Os americanos já estão tendo de lidar com uma quantia insustentável de dívidas aqui nos EUA; é totalmente injusto fazer com que eles assumam também as dívidas da Europa.  Isso irá apenas acelerar a erosão do dólar e reduzir o padrão de vida de todos os americanos.

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é médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano. É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoal, Definindo a liberdade, O Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007). O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.