Prefácio à nova edição

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O mundo está dividido em dois campos em conflito, lutando um contra o outro com profunda veemência. Comunistas e anticomunistas. Dividido pela retórica magnífica a qual essas facções recorrem em seus pontos controversos para obscurecer o fato de que eles concordam perfeitamente sobre o fim último dos seus programas para a organização social e econômica da humanidade. Os dois visam pela abolição do empreendimento privado e da propriedade privada dos meios de produção e o estabelecimento do socialismo. Eles querem substituir a economia de mercado pelo autoritário controle governamental. Indivíduos não mais determinarão pelas compras e abstenções das compras o que é produzido, em que quantidade e em qual qualidade. Daí em diante, o plano único governamental deve sozinho dar cabo de tudo isso. O cuidado “paternal” do estado de “bem-estar social” reduzirá todas as pessoas ao status de trabalhadores vinculados obrigados a obedecer, sem questionar, as ordens emitidas pela autoridade planejadora.

Nem existe qualquer diferença substancial entre as intenções dos autodeclarados progressistas, dos fascistas italianos e dos nazistas alemães. Os fascistas e os nazistas estavam não menos ansiosos para estabelecer regulamentações completas de todas as atividades econômicas do que aqueles governos e partidos que extravagantemente alardeavam suas doutrinas antifascistas. E o Senhor Perón, na Argentina, tenta aplicar um programa que é uma réplica do New Deal e do Fair Deal e, como eles, se não impedido a tempo, irá resultar em um socialismo completo.

O grande conflito ideológico da nossa era não deve ser confundido com as rivalidades mútuas entre os diversos movimentos totalitários. O verdadeiro problema não é quem deve governar o aparato totalitário. O real problema é se o socialismo deve ou não suplantar a economia de mercado.

É esse o assunto com o qual este meu livro lida.

As condições mundiais mudaram consideravelmente desde que a primeira edição do meu ensaio foi publicada. E todas essas desastrosas guerras e revoluções, horrendos assassinatos em massa e assustadoras catástrofes não afetaram o problema principal: a luta desesperada dos amantes da liberdade, da prosperidade e da civilização contra a ascensão do barbarismo totalitário.

No epílogo, lido com os aspectos mais importantes dos eventos das últimas décadas. Um estudo mais detalhado de todos os problemas envolvidos nesses eventos pode ser encontrado em três livros de minha autoria, publicados pela Yale University Press:

Omnipotent Government, the Rise of the Total State and Total War;[1]

Bureaucracy;[2]

Human Action, A Treatise on Economics.[3]

Ludwig Von Mises

Nova York, Julho de 1950.

 

Nota do Tradutor para a Língua Inglesa

O presente trabalho foi traduzido da segunda edição alemã (publicada em 1932) do Die Gemeinwirtschaft do autor (originalmente publicado em 1922). O autor, aquele que deu assistência em cada etapa, inseriu certas adições, notavelmente no problema do cálculo econômico e sobre o desemprego (pp. 134 et seq., 481 et seq.), que não podem ser encontradas na edição alemã e certas mudanças foram feitas na terminologia para a conveniência dos leitores de língua inglesa.

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Notas

[1]              Tradução Francesa por M. de Hulster, Librairie de Médicis, Paris; Tradução Espanhola por Pedro Elgoibar, Editorial Hermes, México.

[2]              Edição Britânica por William Hodge & Company Limited, Londres; Tradução Francesa por R. Florin e P. Barbier, Librairie de Médicis, Paris.

[3]               Edição Britânica por William Hodge & Company Limited, Londres.

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Ludwig von Mises foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de 'praxeologia'.