Salman Rushdie, Charles Murray, Fátua e a cultura do cancelamento

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À primeira vista, parece haver algo errado com o título deste artigo. Com certeza, a fátua muçulmana contra Salman Rushdie (sentença de morte no caso dele) por escrever Versos Satânicos, um livro amplamente considerado ofensivo por esta comunidade, pode ter pouco ou nada a ver com Charles Murray em particular e a cultura do cancelamento lacradora em geral?

Não se precipite.

Au contraire, há de fato semelhanças entre os dois, e semelhanças cruciais. Tanto Salman Rushdie quanto Charles Murray foram atacados fisicamente por ocasião de seus discursos públicos sobre assuntos intelectuais/artísticos.

Sim, não se pode negar que ninguém, pelo menos até agora, foi assassinado pelos progressistas por articular pontos de vista que consideram invasivos. Mas, então, o mesmo pode ser dito de Salman Rushdie. Ele sofreu recentemente um violento ataque em Chautauqua, perto do Lago Erie, no oeste de Nova York, na Chautauqua Institution, uma comunidade que oferece programação artística e literária; apesar disso, ele ainda está vivo. Além disso, uma fátua é meramente uma constatação emanada de uma autoridade islâmica reconhecida sobre um ponto da lei muçulmana. De forma alguma todas as fátuas exigem a morte daqueles julgados dessa maneira.

Por outro lado, as vítimas dos chamados “progressistas” também sofreram violência. Considere o caso de Charles Murray. Estudantes conservadores e libertários do Middlebury College o convidaram para falar sobre seu último livro Coming Apart, que submete a situação da classe trabalhadora branca ao mesmo tipo de análise rigorosa pela qual ele é mais famoso, que apareceu em seu livro de co-autoria The Bell Curve. Estudantes esquerdistas daquela instituição de ensino superior acharam suas opiniões odiosas e tentaram intimidá-lo fisicamente.

Ele escapou ileso, mas o mesmo não pode ser dito de Allison Stanger, uma professora de Middlebury que o acompanhava; ela teve que ser hospitalizada com uma concussão. Não é tão ruim quanto ser esfaqueado no pescoço? Verdade. Mas estamos chegando lá.

Aqui está uma declaração muito famosa do senador do estado de Nova York, Chuck Schumer, dirigida a dois juízes da Suprema Corte dos EUA: “Quero dizer a você, Gorsuch. Quero dizer a você, Kavanaugh. Você desencadeou o turbilhão e pagará o preço. Você não saberá o que o atingiu se seguir em frente com essas decisões horríveis”, sobre Roe vs. Wade. Essas palavras eram uma clara ameaça criminosa e deveriam ter sido punidas. Agora quero usar palavras semelhantes, não como uma ameaça, mas como uma previsão: se a esquerda progressista continuar em seu caminho atual de reprimir a liberdade de expressão, eles também estarão “desencadeando o turbilhão”.

Fantasmas do passado retornarão para assombra-los; não, eles já estão fazendo isso. Como acabamos de ver no caso de um de seus favoritos, Salman Rushdie, ambos os lados podem ser vitimados por esse jogo maligno e vicioso.

Eu imploro à esquerda, socialista, progressista que cesse e desista desse seu comportamento raivoso. Isso incluiria, além de cancelar palestrantes, exigir juramentos de lealdade do tipo macarthismo para contratação, permanência e promoção na academia, espaços seguros, microagressões, promover a visão de que todos os brancos são racistas e a alegação de que toda diversidade racial ou sexual se deve a racismo ou sexismo para crianças do ensino fundamental e todas as outras panóplias desses totalitários modernos.

 

 

Artigo original aqui

2 COMENTÁRIOS

  1. A propósito do Charles Murray, o nosso Murray Rothbard escreveu uma resenha sobre o livro dele The Bell Cure, co o título de “Race! That Murray Book”. Os amigos aqui do Instituto Rothbard Brasil deveriam publicar uma tradução por dois motivos: 1) é um artigo fundamental sobre a farsa do socialismo igualitário. 2) Esse artigo é utilizado pelo ambiente da lacrosfera progressista virtual (já vi em fóruns, Facebook e Youtube) como a “prova irrefutável” que Rothbard e todo o movimento libertário é racista. Nada de novo, mais uma difamação inconsequente. Eu li o artigo. Então a questão aqui é que, mesmo se eu próprio tentasse provar que Rothbard foi racista, apenas sendo muito canalha e mal intencionado isso seria possível utilizando esse artigo. Não tem nada a ver.

    O artigo é muito citado mas duvido que alguém tenha lido, já que está em inglês. Ou seja é apenas agitação e propaganda.

    Valeu, obrigado.