Se o sabor da liberdade é tão bom, por que não defende-la sempre?

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As medidas de confinamento adotadas pelos governos de quase todo o mundo para tentar conter o coronavírus, se ao menos tiveram algo de positivo, foi mostrar à população que a perde de liberdade não é agradável e é muitas vezes torturante.

Não vamos discutir aqui se há benefícios para conter o coronavírus com lockdown – esse texto é apenas para refletir o quão reconfortante é ter de volta um pouco da liberdade que te foi tirada.

Um passeio na praia, uma caminhada a céu aberto, lojas abertas, jogos de futebol, piscina, clubes, baladas, bar. Quando o estado permitiu o mínimo de funcionamento dessas atividades nos demos conta de como é bom ter um pouco da liberdade, como nos sentimos melhores e como a qualidade de vida aumenta.

Mas há também liberdades que não temos esse sentimento de perda pois já nascemos sem elas, não passamos pelo momento histórico que nos foram tiradas e muitas vezes nem sabemos que existem, e nem por isso não devemos lutar para reconquista-la.

O exemplo das telecomunicações

Depois da fracassada Telebras, a ANATEL, que foi criada por Fernando Henrique, é responsável pelo ambiente de zero liberdade econômica no setor de telecomunicações, criada para proteger o cartel que se instalou no país garantindo que nenhuma outra empresa possa entrar para competir, com a desculpa de ter uma agência reguladora para proteger o cidadão das empresas, mas na prática as empresas são defendidas pelo estado da competição global as custas da população que perde mais serviços, mais postos de trabalho em outras empresas e perde em custos de oportunidades.

Porque não defender o fim da Anatel? É medo de ter muitas empresas competindo para ver qual oferecer o melhor produto ao menor custo? É medo de ter várias empresas criando vagas de trabalho e investindo no país?

Não é medo, a maioria das pessoas nem sabem que essa liberdade lhes foi tirada e não viveu em um período com total liberdade para perceber o “lockdown” no setor que foi feito e sufoca a área de telecomunicações do país.

O exemplo das telecomunicações é simples de qualquer pessoa entender, mas a burocracia estatal já alcançou praticamente todas as áreas na vida humana e o que se viu com a pandemia é que a sanha estatal por controlar tudo parece não ter fim.

Há três caminhos na defesa da liberdade que não são antagônicos e você pode concordar com todos, são eles: o ético, o utilitarista e o religioso.

O argumento ético pode ser resumido no princípio da não agressão, não se pode iniciar agressão contra pessoas pacíficas.

O argumento utilitarista defende a liberdade por uma questão de resultados. Sem a burocracia estatal e os impostos há mais prosperidade econômica que propícia mais conforto, saúde, educação, etc…

O argumento religioso, para quem crê, vê a defesa da liberdade como algo inerente ao homem impresso por Deus em nossas almas, afastar-se da defesa da liberdade é afastar-se dos desígnios superiores.

Parece estar surgindo um outro caminho, o “sufocante”, quando se percebe que o fim das liberdades é traumático e estressante. Querer a liberdade apenas para não ser incomodado parece fazer mais sentido do que nunca.

Independente de qual ou quais caminhos você segue, é sempre bom lembrar do alívio que é ter mais liberdade, ainda que pouca e ainda que permitida por alguma fase colorida de restrições de circulação. É por mais liberdade que devemos lutar sempre.