Socialismo versus corporativismo – por que Obama não pertence à primeira categoria

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obama_fascistVirou lugar comum referir-se ao governo Obama como sendo uma administração socialista — ou, ao menos, uma com fortes tendências socialistas.  Discordo dessa caracterização.  Isso não significa, obviamente, que estou dizendo que o senhor Obama acredita no livre mercado.  Muito pelo contrário: tudo o que ele já disse e fez até o momento demonstra de modo inequívoco não apenas sua hostilidade, mas sua total incompreensão em relação a o que é um sistema de mercado genuinamente livre.

Porém, um exame minucioso e honesto de suas políticas e ações de governo revela que, assim como a administração anterior, o governo Obama é extremamente corporativista.  E isso pode, de várias maneiras, ser muito pior e mais insidioso do que ser um socialista explícito.

O socialismo é um sistema em que o governo não apenas é o dono das empresas, como também é seu administrador direto.  Já o corporativismo é um sistema em que as empresas estão nominalmente em mãos privadas, mas são na realidade controladas pelo governo.  Em um estado corporativista, os membros do governo frequentemente agem em conluio com suas empresas favoritas — aquelas que têm boas conexões com o poder —, de modo a criar políticas que deem a essas empresas uma posição monopolista — tudo em detrimento da concorrência e dos consumidores.

Um exame cuidadoso das políticas defendidas pela administração Obama e por seus aliados no Congresso mostra que a pauta governamental é totalmente corporativista.  Por exemplo, a reforma do sistema de saúde recentemente aprovada não estabelece um sistema de saúde tipicamente canadense — gerido pelo governo e financiado totalmente por impostos.  Ao contrário, o sistema de saúde defendido por Obama obriga todos os americanos a comprar planos de saúde privados — quem desobedecer, será multado.

Contrariamente ao que alegam os defensores desse projeto de lei, as grandes empresas de seguro-saúde e as grandes empresas farmacêuticas são entusiásticas defensoras de várias cláusulas dessa legislação.  O que é óbvio: afinal, elas sabem que seus resultados financeiros seriam enriquecidos por esse sistema de saúde obâmico.

Similarmente, a legislação ambiental de Obama garante subsídios e privilégios especiais para as grandes empresas que praticarem a política dos créditos de carbono (também chamada de Comércio de Emissões).  É por isso que as grandes corporações, como a General Electric, são defensoras vigorosas do comércio de emissões.

Chamar Obama de corporativista não significa que se está atenuando as críticas à sua administração.  Trata-se apenas de uma descrição mais acurada da agenda do presidente.

Por outro lado, chamar Obama de socialista é improdutivo simplesmente porque ele e seus defensores podem facilmente rechaçar essa crítica mostrando que o significado histórico de socialismo é a propriedade estatal das indústrias e dos meios de produção.  E sob as atuais políticas do presidente, as indústrias continuam nominalmente em mãos privadas.

Utilizar o termo mais acurado — corporativismo — força o presidente a defender suas políticas que aumentam o controle governamental sobre as empresas privadas e expandem os subsídios para as grandes empresas.  Isso também promove o entendimento de que, embora o atual sistema possa não ser puramente socialista, ele também está longe de representar um livre mercado, uma vez que o governo controla o setor privado por meio de impostos, regulamentações e subsídios — e tem sido assim por décadas.

Utilizar termos mais precisos pode ajudar a impedir que futuros estatistas obtenham êxito ao dizer que os inevitáveis fracassos de seus programas são culpa dos resquícios de livre mercado que ainda foram deixados em existência.  Não se pode deixar que os resultados desastrosos do corporativismo sejam incorretamente atribuídos ao capitalismo de livre mercado ou utilizados como justificativa para mais expansões governamentais.

E o que é mais importante: os americanos devem aprender o que realmente é a liberdade para poder ensinar aos outros como as transgressões das nossas liberdades econômicas causaram nossas atuais angústias econômicas.  O governo é o problema; ele nunca poderá ser a solução.

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é médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano. É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoal, Definindo a liberdade, O Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007). O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.