Votar é burrice

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“A diferença entre uma democracia e uma ditadura é que em uma democracia você vota primeiro e recebe as ordens depois; em uma ditadura, você não precisa perder seu tempo votando.” – Charles Bukowski

Votar é ser feito de bobo. Muitos podem achar essa declaração ofensiva, mas considerando nossa situação, não consigo imaginar por quê. Há tantos que se iludiram pensando que votar é um direito sagrado e que garante a liberdade. O oposto, claro, é o caso. Os tolos entre nós parecem completamente dispostos a abraçar esse ardil; permitindo assim que muitos continuem a ser governados por poucos. O resultado então neste país é a oligarquia, tornando a votação um dos esforços mais inúteis da humanidade.

Votar (politicamente falando) é notoriamente imoral. Homens de caráter não podem discordar disso, pois o voto coloca um contra o outro; este é o efeito desejado por aqueles que buscam o poder. Votar permite que alguns determinem o destino de outros, um destino que só pode ser alcançado com o uso da força. Por causa dessa verdade, o voto é o destruidor da autonomia e da liberdade, não o protetor dela.

Mesmo nas melhores situações, votar ainda é um fracasso absoluto. O fato de que qualquer maioria simples de indivíduos (gangue) pode determinar um resultado que afeta adversamente a minoria (regra da turba) é contra todos os direitos naturais. Hoje, no nosso país, todos os que votam prejudicam os outros para que possam se beneficiar. Ao votar, eles também sancionam o roubo de propriedade privada sob a mira de uma arma, e a redistribuição dessa propriedade para aqueles que não fizeram nada para merece-la. Além disso, aqueles que votam legitimam tudo o que os governos fazem, incluindo redigir leis injustas, travar guerras agressivas contra inocentes, tortura, tributação progressiva, detenção indefinida, assassinato de cidadãos, destruição de nosso dinheiro e dívida maciça; apenas para citar alguns exemplos.

É revelador comparar como aqueles que acreditam na autonomia e na liberdade pensam sobre o voto em oposição aos que não acreditam. A classe política poderosa, os governantes e totalitários, “pensam” (digamos) que votar é sagrado, enquanto aqueles que amam a liberdade entendem a verdade. Esse contraste é evidente nestas poucas citações:

Governantes políticos:

O voto é o instrumento mais poderoso já inventado pelo homem para acabar com a injustiça e destruir os terríveis muros que prendem os homens porque são diferentes dos outros homens. – Lyndon B. Johnson

Votar é o direito mais precioso de todo cidadão e temos a obrigação moral de garantir a integridade do nosso processo de votação. – Hillary Clinton

Considero o voto o direito mais sagrado dos homens e mulheres livres. – Ronald Reagan

Amantes da liberdade:

Os direitos individuais não estão sujeitos a votação pública; uma maioria não tem o direito de retirar os direitos de uma minoria; a função política dos direitos é precisamente proteger as minorias da opressão das maiorias (e a menor minoria na terra é o indivíduo). – Ayn Rand

Qual foi o burro que inventou a doutrina de que o sufrágio é uma grande bênção e o voto um privilégio nobre? – H. L. Mencken

Um homem não é menos um escravo porque tem permissão para escolher um novo mestre uma vez a cada ano. – Lysander Spooner

Muitos libertários pensam que votar é aceitável somente se alguém votar em alguém que não seja nos dois partidos principais, ou alguém que seja um democrata ou republicano aceito pela maioria dos indivíduos do “tipo libertário”. Eu discordo totalmente desse pensamento. Eu discordo porque mesmo que um bom homem possa concorrer a um alto cargo, independentemente de quem ganhe, cada voto dado legitima não apenas o resultado, mas também o próprio sistema político imperfeito. Isso não é uma opção na minha maneira de pensar, porque o libertarianismo é baseado nos direitos individuais e, quando o voto é expressado, o indivíduo é abandonado.

Como a votação apóia o sistema, aqueles que votam são obrigados a aceitar os resultados. Aceitar os resultados significa aceitar o sistema, e aceitar o sistema significa aceitar o que esse sistema produz. O que é produzido no sistema de governo é baseado em roubo, coerção, força policial do estado e prisão, tudo para ganho político. As leis do país escritas por essas autoridades eleitas neste mesmo sistema apoiam essa atividade criminosa, portanto, ao votar, a capacidade de reclamar é eliminada. Sei que isso é o contrário de como muitos pensam, mas é a única posição lógica a tomar.

Em minha opinião, não votar é a única forma de denunciar inteiramente o sistema político vigente e de não dar o consentimento, implícito ou não, a seus maus métodos. Ao não votar, a mensagem enviada é muito mais poderosa do que se juntar aos lemingues em sua marcha para as urnas na tentativa de satisfazer uma busca inútil por falsa segurança às custas da liberdade. O voluntarismo é o melhor caminho.

Quase todos neste país são doutrinados do berço ao túmulo para adorar o “sagrado direito” de votar. No dia da eleição, eles usam seus adesivos “Eu votei” com orgulho, exibindo-os para todos verem. Aqueles que optam por não participar dessa farsa ilegítima são ridicularizados e rejeitados. A lavagem cerebral foi muito bem sucedida e as massas estão sempre prontas para se juntar ao rebanho. Esta mentalidade de rebanho é evidente simplesmente olhando para este Relatório Rasmussen que destaquei em um artigo anterior do LRC sobre votação. Esse relatório mostrou que 83% acreditam que o voto de uma pessoa realmente importa. “Patético” é pouco para descrever a credulidade do povo americano e sua atitude em relação ao voto em um mal ou outro.

A falsa crença de que um voto conta, ou de que qualquer aparência de liberdade e “governança justa” pode ser realizada pelo voto, especialmente em um país com mais de 300 milhões de pessoas, é baseada na ignorância. Tornamo-nos mais livres devido às eleições políticas e à escolha daqueles que fazem as leis e reinam supremos? Absolutamente não! Posso dizer com autoridade que em todas as eleições desde que nasci, e antes, o governo se tornou mais poderoso, mais tirânico e mais autoritário. A liberdade individual foi praticamente destruída e a agressão do Estado tornou-se a regra.

O problema neste país hoje é que todas as eleições têm vencedores e perdedores, mas em todas as eleições, os políticos sempre vencem e todos nós sempre perdemos. Obviamente, votar garante que um ou outro político ganhe. É um jogo fraudado com certeza, então todos deveriam ficar em casa nesta eleição. Há tantas coisas melhores a fazer na vida do que votar em um ou outro mal, especialmente quando esse mal será o seu mestre! Como eu disse antes, se ninguém votasse, ninguém seria eleito, e que mundo maravilhoso seria!

 

Artigo original aqui.

3 COMENTÁRIOS

  1. Aqui no lixão brasileiro, basta um único voto para eleger um prefeito, governador ou presidente, o dele próprio, já que espertamente só votos válidos contam. E quando tem somente um candidato, como acontecem em várias cidades do interior?