O governo federal brasileiro e a teoria do ódio institucional

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Há muito tempo, cultivo uma teoria que considero bastante interessante, e que pretende explicar, de certa forma, a maneira demasiadamente hostil e tirânica com a qual o governo federal trata os cidadãos brasileiros. Essa teoria está alicerçada no pressuposto fundamental de que o estado possui um ódio congênito e institucional contra o indivíduo, que é encarado como uma pulga vulgar e insignificante, a ser gerenciada, administrada, dominada e totalmente controlada pela implacável e opressiva máquina faraônica do poder.

Para começo de conversa, precisamos entender que a cosmovisão do governo federal é essa: ele, o governo, é deus. O cidadão comum, por outro lado, é um súdito insignificante, que deve se limitar a obedecer. Se o cidadão é produtivo, ele deve ser extorquido ao máximo através de impostos, tributos e tarifas. E sem reclamar — afinal, se reclamar, vai para a cadeia.

Agora faça a si mesmo a seguinte pergunta: por que deus deveria ter alguma consideração pela ridícula e diminuta pulga insignificante? A resposta é que ele não tem e não precisa ter. Você tem “direitos” porque deus fez o favor imerecido de lhe conceder “direitos”. Cabe a você demonstrar gratidão pela bondade imerecida do seu generoso benfeitor, depois beijar a mão do rei, pagar o devido tributo e ir embora, pois a sua presença é demasiadamente desagradável, repulsiva e incômoda. E então você vai embora, calado e quietinho, totalmente obediente e servil ao poder.

De fato, eu não tenho dúvida nenhuma de que o governo federal se considera um deus grandioso, magistral e onipotente. Assim como não tenho dúvida nenhuma de que ele enxerga o cidadão comum como uma pulga incômoda, asquerosa e até mesmo repugnante. Que pode ser tolerada, se ficar quieta em um canto e não causar problemas (por problemas, entende-se fazer questionamentos, perguntas inconvenientes e exercer as suas liberdades individuais mais elementares — algo que deus, atualmente, não permite).

Acredito, sinceramente, que o governo federal tem um profundo ódio pelo indivíduo: e é uma aversão fisiológica, irreversível, mordaz, densa, colérica e inflexível, irremediavelmente arraigada às instituições. Uma aversão excepcionalmente peculiar, que não encontramos em absolutamente lugar algum desse país, a não ser nas repartições públicas federais.

Desde que passei a compreender melhor como o governo federal funciona, passei a viver pelo credo de que todos os políticos estão do mesmo lado e o estado é o meu grande inimigo.

Mas o mais importante é isso: repare no conteúdo de todas as leis que foram implementadas recentemente. Todas elas seguem exatamente o mesmo padrão. Elas procuram limitar, decepar e restringir severamente a sua liberdade — principalmente nos campos da liberdade de expressão, da liberdade de crenças e da objeção de consciência. Podemos dizer que vivemos, sem dúvida nenhuma, em uma ditadura totalitária ostensivamente arbitrária, tirânica e opressiva, que pretende regulamentar cada singular aspecto da vida do indivíduo. E não estou falando, necessariamente, da ditadura do judiciário, liderada por Alexandre de Moraes. Estou falando da opressão causada por leis injustas.

De fato, há tanta tirania e opressão no Brasil, que isso daria um estudo muito interessante, que poderia ser dividido em várias categorias e camadas distintas. Afinal, atualmente enfrentamos:

– A ditadura do judiciário

– A tirania autocrática do legislativo

– A tecnocracia digital em ascensão

– A ditadura politicamente correta

– A ditadura dos monopólios das oligarquias econômicas

– O ginofascismo misândrico social e cultural

– O feminismo totalitário institucional

E essas são apenas as principais formas de autoritarismo e tirania que enfrentamos atualmente. Mas hoje, eu gostaria de falar um pouco sobre o governo federal. Porque toda a sua voracidade autoritária não pode ser explicada unicamente como uma consequência natural de suas engrenagens inerentemente iníquas e perniciosas (embora exista esse aspecto). Existe algo mais sinistro que move essas engrenagens, uma hostilidade natural que emana das instituições governamentais, que é obcecada por padronizar tudo, regular e reduzir o indivíduo ao mínimo do seu potencial criativo e ao máximo do seu potencial de extorsão tributária, e mantê-lo como uma uniforme e insignificante engrenagem do sistema.

A autocracia institucional inerente à gestão oligárquica que conduz o governo federal emana de uma cultura vertical, que — de uma certa forma — sustenta todos os demais autoritarismos, que se disseminam como pragas pelo país inteiro. Um dos elementos mais opressivos que sustentam a autocracia, no entanto, está na forma depreciativa e fundamentalmente negativa de como o governo federal encara o indivíduo.

A forma como o governo vê, encara e compreende o indivíduo parece ser fundamentalmente maligna, e drasticamente hostil a tudo o que é humano, salutar e moralmente edificante. O governo encara o indivíduo como algo a ser gerenciado, administrado, manipulado e controlado. Algo que não pode e não deve ter vontades ou opiniões próprias, sob hipótese alguma. O indivíduo é um vassalo ignóbil, deplorável e desajustado, que deve apreciar o seu papel de serviçal do governo federal onipotente e se contentar em fazer o que lhe é ordenado, sem reclamar.

Foi tanto por me aprofundar na teoria do bandido estacionário — ao estudar a origem do estado e a sua natureza inerentemente predatória e maléfica —, como também por testemunhar na vida real a sua voracidade ostensivamente corrosiva, maligna e destrutiva, que passei a compreender algo que pode parecer exagerado, mas que percebo como sendo uma realidade evidente: o governo federal pretende realmente te prejudicar em um nível máximo. Ele pretende te roubar, te expropriar, te assaltar, te espancar, te vilipendiar, te restringir, te censurar e te limitar de todas as formas e maneiras possíveis e até mesmo te matar. A sua vida não vale absolutamente nada para o bandido estacionário. Você realmente não passa de um micróbio desprezível, descartável e insignificante.

Sendo uma entidade ostensivamente autocentrada e imersa nos seus próprios interesses escusos, o governo federal vê os cidadãos como recursos que estão à sua disposição, para ele usurpar e aproveitar da forma que achar melhor. Uma coisa que deixa isso extremamente evidente está no fato de que o governo constantemente faz leis que beneficiam a ele mesmo, e que expandem os seus próprios poderes, de forma irrestrita e ilimitada. Atualmente, não existem limites para o governo federal brasileiro. Ele pode fazer o que quiser, quando quiser, a hora que quiser, quantas vezes desejar.

Extremamente dissimulado, o governo pretende transmitir constantemente a impressão de que ele está sempre buscando atender os interesses do povo, mas na prática, o inverso é verdadeiro: o governo se serve da população e de seus recursos, para fazer aquilo que atende aos seus próprios interesses.

Por exemplo, o governo pode se apropriar legalmente de qualquer propriedade sua (seja residência, apartamento, sítio ou fazenda). Mas, para passar a impressão de que ele faz isso “democraticamente”, ele alega que irá indenizá-lo, se tomar alguma propriedade sua. Mas quando rouba a propriedade de alguém, o governo se dá o direito de ressarci-lo quando ele quiser, pagando-o da forma que ele quiser, pelo valor que ele mesmo estabelecer. Isso é simplesmente uma forma mais sofisticada de roubo.

Esse tipo de conduta governamental autocrática e monolítica deixa muito evidente o fato incontestável de que não existe propriedade privada no Brasil. De fato, praticamente tudo o que existe em território brasileiro é propriedade do governo federal. Vivemos, de fato, em um socialismo totalitário.

Neste país, você não é dono de absolutamente nada. Tudo é do governo, que lhe dá a generosa concessão de fazer o usufruto de determinados bens materiais, contanto que você pague as devidas taxas (como IPTU e IPVA). Mas você não precisa fazer nada de “errado” para ter alguma propriedade sua confiscada pelo governo federal. Basta que o governo acredite que seria melhor utilizado por ele, para ele expulsá-lo de sua propriedade.

Por que você acha que o Ministério da Fazenda tem esse nome? Bom, podemos supor que, talvez, isso se deva ao fato de que eu e você somos parte de um grande rebanho, e o dono do gado é o governo federal.

Isso não é ironia ou sarcasmo. O governo realmente administra a população como uma grande fazenda humana, e todo o planejamento central executado pelo governo federal nas mais diferentes áreas da sociedade se deve ao fato de que — lá no fundo — existe, com toda a certeza, o ódio institucional pelo indivíduo. A certeza elementar e fundamental do governo federal de que o indivíduo é burro, estúpido, medíocre e insignificante, e não precisa e não deve ser consultado à respeito de nada. E que o governo tem o direito inalienável de fazer tudo o que ele quiser. Afinal, ele é o governo… ou seja, ele é deus. É uma divindade suprema, soberana e absoluta, que tem o direito constituído de reinar majestosa sobre toda a sociedade, e nem eu nem você temos o direito de questionar isso.

Como o governo federal é deus, ele é muito maior e muito mais importante do que o indivíduo. Consequentemente, seguindo essa lógica deturpada e maléfica, é totalmente correto que o governo federal atropele o indivíduo — e também a propriedade privada e a livre iniciativa — na execução do “bem maior”. Uma abstração desprovida de real sentido, e que apenas o governo, é claro, tem condições plenas de concretizar.

Para o governo federal, vale tudo para atingir os seus objetivos. Para construir estradas, ele pode expropriar propriedades, pode exigir pagamento de multas e indenizações exorbitantes de determinadas pessoas, porque elas simplesmente falaram algo que o governo não gostou, pode estabelecer agências reguladoras com o objetivo de criar reservas de mercado para os amigos do rei (como foi o caso da JBS), pode invalidar contratos privados que prejudicam empresas estatais deficitárias, pode aumentar os impostos para financiar essas mesmas empresas estatais deficitárias, pode dar dinheiro do BNDES para corporativistas associados ao sistema de troca de favores, pode invadir comércios e residências particulares, pode fazer apreensões ilegais e pode até mesmo espancar vendedores ambulantes no exercício da sua atividade comercial, por não terem um papelzinho chamado “alvará” — o que significa que eles estão simplesmente tentando vender seus produtos e sobreviver, sem a devida licença dos poderes estabelecidos.

Evidentemente, todo governo, até certo ponto, vai ter uma hostilidade natural contra os cidadãos do seu país. Isso não é e nunca foi uma exclusividade do Brasil. Mas é inegável que o governo federal brasileiro tem, em sua gênese, uma hostilidade muito particular contra os indivíduos. Uma malevolência incognoscível, que pretende se estabelecer como o poder superior. De fato, não há dúvida de que, para o governo federal, o indivíduo não passa de um escravo ignóbil e insignificante, que deve ser manejado de acordo com a vontade do poder soberano.

Repare nos projetos de lei que estão sendo produzidos. De todas as leis que o governo federal vem consistentemente criando, nenhuma é para beneficiar de fato o cidadão comum. Todas elas são exatamente iguais, no sentido de que possuem exatamente o mesmo propósito: todas elas são implementadas para prejudicá-lo deliberadamente, extorquir ainda mais o seu dinheiro e restringir a sua liberdade, de alguma forma. E isso, com toda a certeza, não pode ser uma sequência de tristes coincidências, tampouco algo meramente acidental. Existe muito planejamento e um cálculo sistemático por trás de tudo isso.

Para o governo federal, você não passa de um escravo, que vive na fazenda administrada por eles. E você deve se resignar a fazer exatamente tudo o que eles mandam. Caso contrário, você vai para a cadeia — e isso, na melhor das hipóteses. Na pior, nem digo o que eles poderiam fazer (e talvez até mesmo gostariam de fazer), pois seria algo bastante nefasto. Mas pode ter certeza que, para a máquina de destruição, mortandade, carnificina e expropriação em larga escala que é o governo, a sua vida não vale absolutamente nada.

De fato, tudo o que o governo faz tem como motivação fundamental a hostilidade contra o indivíduo, e a vontade de subjugá-lo de forma cada vez mais opressiva e implacável, para prejudicá-lo em um nível máximo. Humilhar o indivíduo, em todas as circunstâncias possíveis, é um dos elementos mais predominantes da conduta adotada pelo governo federal. As autoridades que representam o poder bestial parecem ter um desejo sádico, malévolo e insaciável de oprimir o indivíduo, em toda e qualquer ocasião propícia.

Não há dúvida alguma de que o governo federal é uma máfia capaz de congregar as piores pessoas que existem na sociedade, selecionando dentre as mais iníquas e perversas. Esqueça organizações criminosas convencionais como o Comando Vermelho e o PCC (que, em determinadas atividades, se associam ao governo federal). Quando o assunto é mortandade, fatalidade e elevado poder de destruição em larga escala, absolutamente nada supera o governo federal brasileiro no território nacional.

Você pode achar que é do interesse do governo mantê-lo vivo, para ele poder extorqui-lo de forma sistemática e recorrente. E ainda que o governo enxergue cidadãos produtivos como uma fonte de renda viável, ainda assim ele os encara como descartáveis. Afinal, sempre haverá alguém para substituí-los, e outros tantos para depredar ainda mais. Um país como o Brasil — com as suas dimensões e possibilidades —, apresenta sempre novas vítimas a serem exploradas pelo bandido estacionário.

De fato, o governo não precisa aderir à realidade ou seguir uma lógica convencional. Ele só precisa fazer constantemente o que ele vem fazendo de forma natural e corriqueira há muito tempo: mentir, destruir, matar, expropriar, saquear, censurar, ludibriar, torturar, sequestrar, roubar, perseguir, intimidar e ameaçar.

E ele faz tudo isso porque uma de suas motivações fundamentais é o ódio implacável contra o indivíduo. Há no governo federal uma hostilidade visceral dirigida a tudo aquilo que é humano, decente, salutar e benigno. Como apoio ideológico para justificar os seus crimes, o governo constrói uma narrativa que glorifica os poderes estabelecidos e demoniza o indivíduo. De maneira que — não importa o que aconteça — o indivíduo é sempre considerado o vilão, o culpado de algum ato aparentemente ilegal (mesmo que não tenha cometido nenhum crime). O governo federal, por outro lado, é sempre retratado como “justo”, “correto” e “bom”. Ele quer “proteger” a todos. Não é demagogo, populista, oportunista, tirânico, opressivo, extorsivo, pedófilo ou psicopata. O problema é sempre o indivíduo.

Infelizmente, essa falsa crença foi tão bem absorvida pelo coletivo, que muitas pessoas realmente acreditam que o problema é o indivíduo desobediente, e não o governo iníquo, autoritário e opressivo. Não faltam entre cidadãos brasileiros pessoas ostensivamente iludidas, que vivem pela bizarra crença de que o governo é um deus supremo, soberano e absoluto, que merece toda a nossa confiança, devoção e respeito. Delírio psicótico de um coletivo totalmente doutrinado pela ideologia da subserviência incondicional ao sistema.

2 COMMENTS

  1. Existe sim, um caso em que o indivíduo é valorizado (ou, pelo menos, recompensado): quando faz parte da elite da máfia estatal e cumpre suas obrigações para a manutenção do sistema.

  2. Na verdade o próprio Estado progressista é um Duplipensar: é um carrasco satânico, brutal, ímpio contra o homem branco cristão heterossexual cisgênero conservador/liberal e até mesmo contra as mulheres conservadoras, com todas as descrições cirúrgicas feitas pelo Wagner, enquanto é o paizão, amante, maridão, namorado do povo chamado “colorido”. Se há um segmento que reivindica proteção constante em face de qualquer palavrinha que fira os sentimentos tão rígidos quanto cristal, é este, de longe. A mulher média (apesar de algumas terem tendências esquerdistas) é uma quase libertária, se compararmos com a tribo da sopa de letrinhas colorida, que não hesita em exigir amor incondicional, coisa que nem mesmo os cristãos podem reivindicar, ainda que (ao menos teoricamente) considerem como Senhor de suas vidas a figura que mais manifestou amor nesta Terra, haja vista o aviso do próprio quanto às possíveis perseguições. Ato contínuo, é o grupo que mais fomenta o politicamente correto, disparado. Mesmo um T-lover com idéias não-progressistas (como quem vos escreve) percebe que a interação com a maior parte das T-girls pode tornar-se um pisar em ovos, se o tema “política” entra na equação. Quem vos escreve já foi insultado gratuitamente em situação similar, a ponto de perder a atração quando descubro que a mesma “fez o L” ou defende pautas do gênero.

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