Esse ano de 2026 completam-se 100 anos do nascimento de Murray Rothbard, economista, filósofo, ativista, intelectual e professor com conhecimento enciclopédico sobre uma gama tão vasta de assuntos que é uma das poucas pessoas da história que podem ostentar o título de polímata.
Na definição, o polímata é aquele que conhece profundamente sobre diversos temas e Rothbard, além de se encaixar perfeitamente na definição, tinha a clareza para expor esse conhecimento como outra qualidade marcante.
É assim que Rothbard conseguiu tantos amigos e admiradores para celebrar seu centenário, mesmo após seu falecimento precoce em 1995, aos 68 anos. A enorme quantidade de livros, publicações acadêmicas, vídeos e aulas deixaram alunos e leitores espalhados pelo mundo inteiro e foi um grupo desses “amigos” de Rothbard que organizou a festa de seu centenário.
Antes de falar da festa, deixe-me falar um pouco sobre esse grupo, improvável grupo, eu diria. Improvável por que o grupo é de portugueses, uma nação intoxicada até o pescoço de progressismo cultural, controle econômico, subsídios e pouca liberdade. Porém, esses valentes portugueses na figura de Manuel Ogando, criaram o instituto Mises local e cultivam o tesouro civilizacional da Escola Austríaca com muito esmero.
Mas só isso seria pouco, esse núcleo lusitano agrupa outras características que propiciaram essa festa: são calorosos, receptivos, amigáveis e muito competentes – o evento não foi só impecável tecnicamente, ele foi também uma reunião de amigos; é como se eu me sentisse na sala de casa de tão acolhedor que foi. As poderosas ideias de Rothbard também têm esse efeito, você reconhece amigos quando as comunga.
Então, já falando do evento, ele reuniu palestrantes de diversos lugares do mundo e alguns que inclusive foram alunos e amigos pessoais de Rothbard como Hoppe, que hoje é o mais importante farol do legado de Rothbard. Mas falar dos palestrantes seria pouco, a energia do evento veio de uma plateia contagiante, um público jovem, interessado e interessante e isso denota outra característica de Rothbard: apesar de ter falecido há mais de 30 anos, seus escritos são atualíssimos e é impossível compreender o mundo de hoje sem ler o que ele escreveu décadas atrás – a obra de Rothbard está viva e atual.
Das palestras, veio o presente para o movimento libertário, Hoppe, Ammous e Fernando Chiocca, tocaram o dedo na ferida da causa palestina e da manipulação das guerras causadas por Israel sem meias palavras, como fazia Rothbard. Podemos dizer que, com esse evento, a causa palestina, uma causa de justiça, liberdade e propriedade privada, temas caros à Rothbard, foi resgatada pelo movimento libertário e não é mais identificada apenas como uma causa da esquerda ocidental.
Mesmo as maiores injustiças e opressão podem acabar com o vento das ideias e esse vento soprou no Porto.









