A conquista sionista da opinião pública americana

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O foco deste artigo não será a conquista sionista da Palestina e a criação do Estado de Israel, mas sim a condição essencial para essa conquista: a conquista praticamente total da opinião pública americana pelos sionistas. Tão completa é essa vitória que se tornou literalmente impossível, na vida pública ou mesmo intelectual americana, ser minimamente crítico do sionismo ou de Israel. Quando, por exemplo, o General George S. Brown, ao tentar explicar a uma plateia a dominância do sionismo sobre a política americana, mencionou o controle ou a propriedade judaica da mídia, a tempestade que se abateu sobre ele foi tamanha que todos sabemos muito bem que o General Brown jamais repetirá essas observações. É notável, e um indicador da dominação sionista sobre os canais de opinião, que nenhum dos críticos virulentos de Brown se preocupou em discutir a veracidade ou falsidade de suas generalizações empíricas; e, além disso, que ninguém se importou ou ousou defendê-lo publicamente. A acusação de que a afirmação empírica de Brown era, ipso facto, “antissemita” bastou para silenciar quaisquer possíveis defensores (inclusive o próprio Brown) e para garantir a vitória automaticamente.

Esse controle absoluto da opinião pública pelos sionistas, que conseguiu sufocar qualquer tipo de investigação livre sobre esses temas, é uma história de sucesso notável para um movimento minoritário cujos objetivos eram outrora radicais (isto é, radicalmente diferentes do status quo original). Como essa conquista da opinião pública americana foi alcançada?

Primeiramente, devemos separar a história de sucesso sionista em duas áreas distintas, embora interligadas: a conquista sionista da opinião judaica dentro da comunidade judaica; e a conquista sionista da opinião dos gentios americanos. As duas estão intrinsecamente ligadas, pois um dos métodos eficazes de controle sionista sobre a opinião dos gentios tem sido identificar o sionismo com os judeus e o judaísmo; portanto, se os dois forem percebidos como idênticos, qualquer crítica ao sionismo ou a Israel por parte dos gentios torna-se, ipso facto, “antissemita”.

Nem sempre foi assim; de fato, quando o movimento sionista começou, no final do século XIX, ele consistia de uma minoria impopular dentro da comunidade judaica, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Desde o início do século XIX, a religião judaica estava dividida em dois grupos amplamente distintos, cada um contendo muitas variantes e ramificações. O primeiro era o judaísmo ortodoxo que, embora também contivesse muitas variantes, se mantinha fiel às leis talmúdicas que dominam todos os aspectos da vida judaica ortodoxa. A grande cisão com a ortodoxia foi o movimento reformista no início do século XIX, que foi particularmente forte entre os judeus alemães e entre os judeus nos Estados Unidos, quase todos de ascendência alemã. A razão era que, enquanto o judaísmo ortodoxo era uma religião clânica, nascida em guetos (pois o judaísmo talmúdico, que envolvia os judeus em uma rede de leis, era muito diferente do judaísmo antigo e pré-medieval da Palestina), os judeus da Alemanha e dos Estados Unidos haviam se assimilado com sucesso à vida de seus respectivos países e viam o judaísmo ortodoxo como uma força guetizadora e reacionária, inadequada ao seu novo papel como cidadãos individuais de uma sociedade moderna. O judaísmo reformista descartou o hebraico e praticamente todos os aspectos do ritual judaico e da língua iídiche, transformando o judaísmo em uma religião praticamente indistinguível do unitarismo ou da cultura ética. O judaísmo então estava praticamente confinado aos Dez Mandamentos e à Regra de Ouro.

Portanto, o sionismo se deparou com uma recepção totalmente hostil entre os judeus reformistas americanos, que consideravam o místico “retorno à Palestina” e à Terra Santa um nacionalismo tribal reacionário, incompatível com sua condição de americanos e com os preceitos éticos universais do que os reformistas consideravam o núcleo válido da religião judaica. A resposta irada e comum dos rabinos americanos ao sionismo era: “A América é a nossa Sião”. O sionismo encontrou uma recepção mais amigável entre os judeus mais numerosos da Rússia e da Polônia, onde o gueto ainda prevalecia sobre quaisquer tendências tênues em direção ao liberalismo clássico, um liberalismo que havia acabado com o gueto na Europa Ocidental. Entre os judeus ortodoxos, muitos sentiam que o sionismo atendia à antiga oração de “no próximo ano em Jerusalém”. Mas mesmo aqui, a ortodoxia não acolheu os sionistas de forma universal. Por um lado, os ultraortodoxos (o que ainda se verifica hoje) consideravam o sionismo gravemente herético; a ortodoxia sustenta estritamente que o Estado judeu só ressurgirá na Palestina quando for estabelecido pelo Messias e o Templo for reconstruído. Como o Messias claramente não chegou, esses ultraortodoxos resistiram ao sionismo. De fato, a única maneira pela qual a maior parte da ortodoxia tenha se tornado pró-sionista foi reinterpretando o “Messias”, transformando-o de um advento pessoal em uma vaga e nebulosa “Era Messiânica”.

Além disso, com a virada do século XX, o sionismo teve que enfrentar oponentes mais fortes na disputa pela opinião judaica na Europa Oriental: especificamente, o movimento bundista, que desejava um estado socialista judeu na Europa Oriental (por exemplo, em Vilnius, onde os judeus constituíam a maioria da população); os socialistas, universalistas que defendiam um estado socialista não especificamente judeu; e os anarquistas, que não queriam estado algum. Destes, os bundistas foram os mais fortes até a Primeira Guerra Mundial. Ademais, mesmo dentro do movimento sionista, provavelmente a maioria simplesmente desejava uma colônia judaica (não necessariamente um estado) em qualquer lugar do mundo que não estivesse ocupado; a insistência na Palestina como terra judaica era minoritária até mesmo dentro do sionismo (os dois grupos se separaram pouco antes da Primeira Guerra Mundial, com as forças anti-Palestina formando a outrora poderosa Organização Territorialista Judaica).

A maioria dos não judeus pensa no sionismo como algo imposto pelo judaísmo ortodoxo. O que poucos sabem é que a maioria dos sionistas são ateus, incluindo o Partido Trabalhista, que domina a política israelense desde a sua fundação, e incluindo líderes como David Ben-Gurion e Golda Meir. O judaísmo ortodoxo é influente em Israel porque o Mizrachi, o Partido Nacional Religioso, exerce um papel de equilíbrio de poder dentro da coligação governamental trabalhista. O Partido Trabalhista é composto por socialistas e ateus; e a religião desempenhou um papel mínimo ou nenhum na oposição de “direita”, o movimento revisionista sionista. Qual, então, tem sido a base do sionismo de todos esses grupos dominantes? A resposta é uma ideologia que só pode ser descrita como racista, devotada à entidade étnica do “povo judeu” e à sua suposta reivindicação histórica sobre o solo sagrado da Palestina. Assim, o sionismo, seja na vertente socialista do Partido Trabalhista ou na economia mista corporativista dos revisionistas, está próximo da mística nacionalista de “sangue e solo” dos movimentos nazistas e fascistas do início do século XX.

Aliás, uma das razões para o sucesso sionista é que, mesmo desde seus primórdios como uma pequena minoria, e mesmo no decorrer de concessões táticas, os sionistas sempre mantiveram em mente o objetivo final — embora tenham se dividido taticamente entre os Revisionistas, que desejavam avançar rapidamente em direção a esse objetivo, e o Partido Trabalhista, que sempre foi taticamente mais cauteloso. Esse objetivo final é um estado exclusivamente governado por judeus (seja livre de árabes, seja com árabes em um papel de súditos) que inclua toda a Palestina bíblica, em ambos os lados do Jordão (incluindo grande parte da atual Jordânia e Síria).

O sionismo obteve seu primeiro sucesso, apesar de seu início aparentemente pouco promissor, graças à influência das elites britânicas e, secundariamente, dos Estados Unidos. Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo britânico planejava retirar do Oriente Médio o domínio imperial turco. Em consonância com a suposta devoção dos Aliados à autodeterminação nacional, os britânicos prometeram aos árabes a independência nacional no Oriente Médio; mas, ao mesmo tempo, na famosa Declaração Balfour, prometeram ao movimento sionista “ver com bons olhos” um “lar nacional” para os judeus na Palestina, supostamente sem violar os direitos dos árabes nativos. A Declaração Balfour, juntamente com a anexação da Palestina pelos britânicos como mandato da Liga das Nações após a Primeira Guerra Mundial, foi a peça fundamental para a tomada do poder sionista na Palestina. Por que os britânicos fizeram isso? Primeiro, como uma forma de viabilizar a ocupação imperial britânica da Palestina e a “proteção” do Canal de Suez, administrado pelos britânicos. A liderança sionista, encabeçada por Theodor Herzl, apresentou explicitamente o sionismo à Grã-Bretanha como um aliado indispensável do Império Britânico no Oriente Médio. Em segundo lugar, devido à influência política exercida por judeus pró-sionistas ricos e influentes na Grã-Bretanha, notadamente a poderosa família Rothschild de banqueiros internacionais; um dos líderes do Imperialismo Liberal, por exemplo, Sir William Harcourt, era casado com uma Rothschild. E, em terceiro lugar, porque os britânicos acreditavam que os judeus americanos eram influentes na política americana e que os judeus americanos, que tendiam a ser pró-alemães devido à sua oposição à Rússia czarista, agora se tornariam pró-britânicos e persuadiriam o presidente Wilson a entrar na guerra ao lado dos britânicos. Sabia-se, por exemplo, que um dos conselheiros mais próximos de Wilson era Louis Brandeis, que, embora de ascendência alemã, era pró-sionista. De fato, a Declaração Balfour foi influente na mudança da opinião dos judeus americanos em relação aos lados beligerantes na Primeira Guerra Mundial.

O sionismo recebeu seu primeiro impulso devido à pressão das elites e às motivações do imperialismo britânico; ainda assim, não havia conquistado a opinião pública entre os judeus ou gentios americanos. Um instrumento indispensável para a conquista da opinião pública entre os judeus americanos foi a ascensão de uma terceira força dentro da religião judaica: o conservadorismo. Os conservadores queriam, em graus variados, descartar grande parte da lei ortodoxa, mas não desejavam chegar ao ponto de desjudaizar completamente o judaísmo reformista.

Mas se alguém deseja descartar a visão ortodoxa de que todas as leis talmúdicas eram mandamentos divinos, sem, no entanto, chegar ao ponto da Cultura Ética, que justificativa poderia ser desenvolvida para um conservadorismo moderado? A resposta foi desenvolvida por uma ala intelectual do conservadorismo chamada Reconstrucionismo, liderada pelo rabino Mordecai Kaplan. Os reconstrucionistas defendiam que grande parte do rito e ritual judaico, incluindo o hebraico, deveria ser preservada, não por ser lei divina, mas por ser a tradição do “povo judeu”. Essa ênfase na “identidade judaica” fundamentava a religião não na lei divina da Ortodoxia nem na ética universal do Reformismo, mas no tribalismo étnico. Isso, naturalmente, se encaixava perfeitamente no sionismo e fornecia um respaldo religioso básico para a ideologia sionista.

O Reconstrucionismo, e a ênfase mais ampla no “povo judeu”, ganharam força entre os judeus americanos na década de 1930 e se encaixavam nas atitudes da grande onda de imigrantes judeus russos e poloneses que chegaram aos EUA nas duas décadas anteriores à Primeira Guerra Mundial. Recém-saídos do gueto, ainda sujeitos ao trauma da imigração e lutando para ascender socialmente a partir de níveis de renda de subsistência (em contraste com o nível de renda muito mais alto dos judeus germano-americanos mais antigos), os novos judeus do Leste Europeu, enfrentando atitudes de hostilidade estética não apenas de gentios, mas também de judeus germano-americanos (que, por exemplo, inventaram o famoso epíteto “kike” para se referir aos judeus russo-poloneses), não estavam dispostos a abandonar as tradições culturais judaicas e ainda não se sentiam seguros o suficiente na vida secular americana para se assimilarem à sociedade e à cultura americanas. Portanto, o conservadorismo, e a ênfase na preservação das tradições culturais e religiosas do “povo judeu”, foi muito mais atrativo para esses novos imigrantes.

Ainda assim, a principal influência que levou ao triunfo total do sionismo sobre a opinião judaica e não judaica americana foi, naturalmente, Adolf Hitler, que “objetivamente” foi o maior aliado que o sionismo já teve. (Tanto que, em uma das mais absurdas “teorias da conspiração” já registradas, o jornalista britânico Douglas Reed, outrora correspondente do London Times, chegou à conclusão de que Adolf Hitler era um agente consciente e dedicado da conspiração sionista mundial, empenhado em destruir a Alemanha.) A perseguição aos judeus por Hitler, embora inicialmente inserida em uma antiga tradição europeia, serviu a dois propósitos sionistas: despertou antigos temores de perseguição entre os judeus americanos, unindo-os ainda mais em torno da identidade judaica e da ideia de uma Palestina para os judeus; e também tornou os não judeus americanos incapazes de pensar, muito menos de fazer, qualquer coisa que pudesse ser interpretada como “antissemita”.

Dentro da opinião judaica e também entre os gentios, os sionistas podiam agora se apresentar como um movimento humanitário, nascido como uma resposta humanitária para salvar os judeus da Europa e lhes proporcionar um refúgio da perseguição nazista. Porém, na verdade, os sionistas exerceram enorme pressão sobre o governo australiano para que ele rejeitasse um plano que começara a aceitar, proposto pelo último remanescente do Territorialismo judaico, para uma colônia judaica não estatal no norte da Austrália (Kimberley), apesar de muitos judeus europeus poderem ter sido salvos por meio dela. Pois os sionistas só estavam interessados ​​nos refugiados judeus na medida em que estes pudessem e quisessem ir para a Palestina e pressionar a Grã-Bretanha a estabelecer um Estado judeu na Palestina. De fato, sentindo-se em alta durante a Segunda Guerra Mundial, a Organização Sionista Mundial, em seu famoso Programa Biltmore de 1943 (adotado em convenção no Hotel Biltmore em Nova York), abandonou sua máscara de moderação em defesa de apenas um “lar” judaico na Palestina — que poderia ser interpretado como uma mera pátria não estatal para refugiados e imigrantes — descartando moderados como o químico britânico Chaim Weizmann, e adotou abertamente o apelo revisionista por um estado administrado por judeus na Palestina.

Nos Estados Unidos, tornou-se importante para os sionistas identificarem-se com os judeus e o judaísmo para os gentios americanos, de modo que a equação antissionismo = antissemitismo (e, portanto, implicitamente pró-nazismo) pudesse ser amplamente adotada pelos gentios. Consequentemente, a opinião dissidente dos judeus americanos precisava ser silenciada ou privada de canais de mídia. Um fator importante nesse processo foi uma mudança radical dentro do judaísmo reformista, que desde a Segunda Guerra Mundial se tornou conservador, readotando grande parte do antigo ritual judaico e, com ele, o conceito de identidade judaica, juntamente com um fervoroso pró-sionismo. Todas as peças se encaixam. Temos o espetáculo comum, por exemplo, de judeus reformistas ou ateus, que cresceram na década de 1930, mudando-se para os subúrbios e enviando seus filhos para escolas dominicais judaicas, enquanto eles próprios se juntavam a sinagogas judaicas conservadoras ou a sinagogas reformistas conservadoras. Os livros didáticos e a literatura religiosa judaica foram uniformemente reescritos para se tornarem pró-sionistas e, assim, identificar a religião judaica, seja ortodoxa, conservadora ou reformista, como intimamente ligada ao sionismo e, posteriormente, a Israel. Mas o ponto importante é que o judaísmo reformista “clássico” não existe mais e agora é indistinguível do Conservadorismo. (Não é por acaso que o último dos rabinos antissionistas, o Dr. Elmer Berger, também está entre os últimos rabinos reformistas ultraclássicos.) O influente Comitê Judaico Americano, reduto de judeus reformistas ricos e intelectuais, primeiro passou de uma posição antissionista para uma posição “não sionista” durante a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, tornou-se abertamente pró-sionista. acompanhando seu influente periódico mensal, Commentary). De fato, a pequena, mas importante organização antissionista, o Conselho Americano para o Judaísmo (cujo diretor executivo é o rabino Elmer Berger), nasceu durante a guerra, em desespero com a crescente sionização do Comitê Judaico Americano.

Talvez devêssemos refletir sobre o fracasso quase total do antissionista Conselho Americano para o Judaísmo (CAJ) em fazer sua voz ser ouvida e, assim, informar a opinião pública sobre outra corrente antissionista dentro do judaísmo americano. Além de seu pequeno tamanho, o CAJ era composto por judeus ricos, quase todos de ascendência alemã, e, portanto, alheios à esmagadora maioria dos judeus americanos de origem europeia oriental. (De fato, o rabino Berger me informou recentemente, com pesar, que a principal motivação do CAJ não era tanto a oposição ao sionismo, mas sim a aversão aos judeus russo-poloneses.) Em segundo lugar, em contraste com o radicalismo inflamado e determinado dos sionistas, o CAJ era tímido e hesitante; aliás, recusava-se sistematicamente a criticar o Estado de Israel, limitando-se a tentar salvar a religião judaica (quase exclusivamente a religião reformista) da influência sionista. Em outras palavras, o CAJ se restringia a se distanciar dos sionistas nos EUA, em vez de criticar o sionismo como um todo ou as ações do Estado de Israel. Esses conflitos dentro do CAJ chegaram ao auge na guerra de 1967, quando o Rabino Berger foi expulso do CAJ por ousar criticar o papel agressivo de Israel naquela guerra. Desde então, o CAJ caiu em uma inatividade inócua, enquanto o Rabino Berger trabalha anonimamente na área antissionista em seu projeto individual, American Jewish Alternatives to Zionism (Alternativas Judaicas Americanas ao Sionismo). Outro problema estratégico que o CAJ enfrentou para influenciar os judeus americanos de origem europeia oriental foi sua insistência contínua de que o judaísmo “é apenas uma religião” e não uma identidade nacional; Mas, como a maioria dos judeus reconhece que os movimentos judaicos do século XX — em particular o sionismo e o conservadorismo — são de orientação étnica ou racial, e não “puramente religiosos”, houve uma falha de comunicação inerente. Isso porque o ACJ não enfrentou diretamente o conceito de “povo” (ou “condição de povo”), nem o criticou por existir, mas de uma forma equivocadamente tribal, reacionária ou o que quer que fosse. Em suma, não constitui uma crítica moral a um fato existente persistir incorretamente em negar sua própria existência.

Tendo conquistado a opinião judaica nos EUA, controlar a opinião dos gentios americanos tornou-se muito mais fácil. Mas aqui precisamos considerar os detalhes; pois como esse controle total foi alcançado? Em primeiro lugar, há o fator que Leonard Liggio enfatizou recentemente: a culpa dos gentios americanos pelas perseguições de Hitler. Contudo, essa culpa, explorada ao máximo pelos sionistas, não foi analisada adequadamente por ninguém além do professor Liggio. Geralmente, os analistas a restringem à culpa sentida pelos americanos por não terem intervindo antes para derrotar Hitler. Como o isolacionismo, especialmente em relação à Segunda Guerra Mundial, obteve uma péssima reputação entre o público e os acadêmicos (estes últimos até muito recentemente, e ainda dominantes), então tal culpa, embora não sentida na época, torna-se retroativamente plausível. Mas há outro fator, mais subliminar, na culpa americana que tem uma base objetiva muito melhor: as restrições à imigração impostas à Europa Oriental e Meridional após a Primeira Guerra Mundial, e que permaneceram em vigor durante a Segunda Guerra Mundial. Essas restrições à imigração, embora reforçadas, é claro, pelo desejo da AFL de conter a imigração para aumentar os salários no país, eram predominantemente racistas e antissemitas, impulsionadas por uma ideologia racista adotada pela maioria dos cientistas sociais durante as duas ou três primeiras décadas do século XX. O governo e a opinião pública dos EUA, durante e após a Segunda Guerra Mundial, podiam apresentar-se como ardentemente pró-semitas ao destacar as atrocidades de Hitler e as aspirações sionistas na Palestina, ao mesmo tempo que continuavam a impedir a entrada de judeus europeus no país onde a maioria deles desejava — e ainda deseja — ingressar: os Estados Unidos, a tradicional pátria de portas abertas para os oprimidos de todas as nações. Ao aceitar a associação entre sionismo e semitismo, o governo dos EUA podia, na prática, conservar uma postura antissemita ao manter em vigor as restrições à imigração. A real dimensão desse fator imigratório no contexto dos EUA requer uma investigação histórica mais aprofundada.

Deixando de lado o fator generalizado e bastante vago da culpa dos gentios, quais são os mecanismos específicos de controle e domínio sionista sobre a opinião pública americana? Primeiro, há o ponto óbvio, mas importante, de que os votos judaicos são importantes nas eleições americanas, particularmente em estados-chave como Nova York, Illinois e Califórnia. Considerando que a opinião judaica é agora praticamente toda ardentemente pró-sionista, e que a proporção de eleitores judeus que de fato votam é excepcionalmente alta entre todos os grupos étnicos, isso certamente desempenha um papel significativo para os políticos americanos. Poderíamos perguntar, por exemplo, onde está o voto árabe, caso nos inclinássemos a indagar por que, digamos, Ford e Carter tentam desesperadamente superar um ao outro em fervor sionista durante seus debates televisivos.

Mas o controle sionista total vai muito além da influência eleitoral; afinal, os eleitores católicos, embora mais numerosos, não são tão influentes na política americana, mesmo em questões nas quais tendem a estar unidos, como a questão do aborto. Isso nos leva à “tese de Brown”. Primeiro, os judeus realmente são donos e/ou controlam a mídia? Esta é uma questão puramente empírica e, portanto, deve ser considerada por seus próprios méritos e sem viés ideológico. A resposta é: primeiro, que os dois jornais mais influentes do país — o New York Times e o Washington Post — são de propriedade judaica (assim como o St. Louis Post-Dispatch), e também a Newsweek e (pelo menos anteriormente) o US News and World Report.

Em segundo lugar, as três principais redes de televisão: CBS, NBC e ABC, são todas de propriedade judaica. Em terceiro lugar, devemos considerar a alta proporção de judeus, muito além de sua proporção na população, na mídia como repórteres e comentaristas, e também em cargos acadêmicos influentes, particularmente em universidades da Ivy League, em departamentos de ciências sociais, em revistas intelectuais influentes, em grupos de reflexão e, de fato, entre os intelectuais em geral, e, portanto, entre os formadores de opinião. (Aliás, o único artigo a discutir a tese de Brown, na revista New York Magazine, foi mais afundo na tese de Brown para apontar um número enorme de judeus influentes na mídia e em profissões que moldam a opinião pública.)

Por fim, quanto à mídia — e particularmente à imprensa —, embora seja verdade que a maioria dos jornais pertença a não judeus, existe o papel de enorme influência desempenhado pelos anunciantes. Na maioria dos jornais, os principais anunciantes são lojas de departamentos, e a maior parte dessas lojas e das de vestuário em todo o país pertence a judeus. Isso confere aos anunciantes — não uma posição de domínio sobre todos os aspectos da linha editorial, mas — um poder de veto em questões que os afetam profundamente, especificamente o sionismo e Israel. (Assim, Harry Elmer Barnes, um intelectual de grande influência e colunista da rede Scripps-Howard na década de 1930, foi literalmente afastado de sua coluna de grande circulação em 1940 devido à pressão de anunciantes judeus de Nova York, que se opunham à sua postura isolacionista em relação à Segunda Guerra Mundial — e isso apesar de o proprietário, Roy Howard, simpatizar com as opiniões isolacionistas de Barnes.)

Por fim, há o contra-argumento apresentado pela revista New York ao analisar a propriedade, a influência e a presença de judeus na mídia: a saber, “e daí?”. A New York ressaltou que nem todos os judeus, per se, participam de uma conspiração e que suas opiniões sobre diversos temas políticos não são idênticas; portanto, embora Brown pudesse estar correto quanto aos fatos sobre judeus e a mídia, sua generalização empírica seria irrelevante. No entanto, há uma falha fundamental nesse contra-argumento da New York em relação a esse tema específico: embora os intelectuais e profissionais de mídia judeus de fato divirjam em muitos — se não na maioria — dos temas, eles se mostram unidos no apoio ao sionismo e na dedicação ao Estado de Israel. Assim, não é necessária uma conspiração secreta para que essas influências e esses profissionais judeus ajam espontaneamente, e praticamente em uníssono, na defesa e na promoção do sionismo.

Há uma questão final ao examinar o sucesso do sionismo em dominar a política e a opinião pública americanas: a saber, como a “Velha Direita” — a direita anterior a 1955, que era firmemente antissionista e até ligeiramente antissemita em suas margens — foi substituída por uma “Nova Direita” que talvez represente a influência mais ardentemente pró-sionista e pró-Israel na vida dos americanos não judeus? Vários elementos contribuem para explicar essa mudança radical. Em primeiro lugar, à medida que a direita migrava do isolacionismo para o intervencionismo global — sob a influência da National Review, de Bill Buckley e de teóricos ex-comunistas e ex-trotskistas —, a mudança de postura em relação ao sionismo surgiu como uma consequência natural, visto que os isolacionistas sempre haviam entrado em conflito com a opinião pública judaica, que defendia a intervenção na Segunda Guerra Mundial. Assim, a mudança de posição sobre o sionismo e Israel foi, em parte, um desdobramento da mudança mais ampla ocorrida na direita, do isolacionismo para o intervencionismo. Em segundo lugar, enquanto a Velha Direita praticamente não contava com intelectuais judeus, a Nova Direita era dominada por teóricos ex-comunistas e de esquerda, como Frank Meyer, Eugene Lyons, Will Herberg, Willi Schlamm, entre outros.

Em terceiro lugar, nas últimas décadas, a base popular dos judeus americanos tornou-se mais conservadora, particularmente em questões sociais e raciais (em relação aos negros), convergindo assim com grande parte da opinião da Nova Direita. Houve também uma recente guinada conservadora de intelectuais judeus influentes, como Irving Kristol — editor de grande influência da Public Interest — e do grupo da Commentary, incluindo Nathan Glazer e Norman Podhoretz.

A isso se soma um quarto ponto, que promoveu a convergência entre a Nova Direita e a comunidade judaica americana: a mudança de postura do movimento sionista, que passou de uma aliança com a Rússia para uma posição antissoviética e anticomunista. Embora a União Soviética tenha apoiado o sionismo até o momento da votação na ONU para a criação do Estado de Israel, em 1948, ela posteriormente rompeu com o movimento, impulsionada tanto por sua doutrina marxista universalista quanto pelo desejo de exercer influência política sobre as nações árabes do Oriente Médio. Como consequência — e este é o quinto ponto —, a transição de Israel de um país amigável à Rússia para um estado cliente sob influência americana no Oriente Médio fez com que a Nova Direita, motivada por sua preocupação central com o Império Americano e pela oposição ao comunismo mundial, inevitavelmente passasse a apoiar Israel e o sionismo.

Em sexto lugar, em sua busca por poder político e respeitabilidade na política americana — liderada pela revista National Review —, a Nova Direita sentiu a necessidade de romper de forma contundente quaisquer laços com antissemitas de direita. Assim, o “expurgo” de elementos considerados indesejáveis ​​realizada pela National Review — fossem eles antissemitas, membros da John Birch Society ou outros dissidentes — incluiu, logicamente, a adoção de uma postura fortemente pró-sionista. Alguns antissemitas da direita chegaram até a adotar uma visão pró-sionista, na esperança tácita de que os judeus americanos aderissem ao programa sionista de “reunião dos exilados” — a emigração de todos os judeus do mundo para a Palestina —, livrando, dessa forma, os EUA de sua população judaica de maneira pacífica.

Por fim, sem conferir ênfase excessiva a esse aspecto, cabe mencionar o fato pouco divulgado de que a família Buckley detém, há muito tempo, participações significativas no setor petrolífero de Israel; isso serve, ao menos em parte, para explicar o papel de longa data desempenhado pelos Buckley ao conduzir a opinião da direita em uma direção pró-sionista. Ao analisar o fenômeno sionista como um todo, é preciso destacar a importância, para o seu sucesso, de um grupo que — embora tenha começado como uma minoria em um mundo, tanto judaico quanto gentio, que variava da indiferença à hostilidade — obteve êxito ao atuar como uma força determinada e radical, mantendo sempre em vista o seu objetivo de longo prazo.

A história de sucesso do sionismo é um testemunho da trajetória de um grupo que, embora tenha permanecido em minoria por muito tempo, sempre soube o que queria e sempre buscou seu objetivo, conseguindo triunfar sobre uma maioria que, apesar de se opor a ele, mostrava-se desorganizada, confusa, dividida e sem real clareza quanto aos seus próprios propósitos ou mesmo quanto aos motivos de sua oposição ao Sionismo.

 

 

 

 

 

Artigo original aqui

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