A Economia Austríaca contra o coletivismo do pensamento progressista

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Recentemente, publiquei um artigo, “O igualitarismo ‘Woke’ e as elites”, no qual apresentei as verdadeiras intenções por trás do igualitarismo woke. O artigo também descreveu como as elites tentam reconstruir a sociedade por meio do coletivismo. Porém, mais do que discutir os objetivos do progressismo, precisamos discutir a base intelectual dessas tentativas. Que pressupostos e estrutura intelectual orientam essas ações?

O progressismo é baseado no desrespeito aos indivíduos, suas ações e sua capacidade de escolha. Primeiro, o progressismo agrupa as pessoas em coletivos com base em um critério específico (por exemplo, raça, gênero e orientação sexual). Além disso, o progressismo homogeneiza seus pensamentos, valores e ações com base nessas classificações coletivas. Para os progressistas, os indivíduos não podem escapar dessas classificações.

Essa homogeneização reflete as visões do progressismo sobre a humanidade. Os progressistas não entendem a ação humana e a individualidade humana. Eles não percebem que cada indivíduo é único e soberano. Além disso, os indivíduos têm a capacidade e a liberdade fazer seus próprios julgamentos, escolhendo as opções que consideram melhores e se comportando da forma que julgarem mais adequada.

Os austríacos, em seu debate com os pesquisadores objetivistas positivistas, há muito afirmam que os indivíduos não são átomos. Os indivíduos não reagem com base em relações causais objetivas probabilísticas que possam ser descritas matematicamente.

Cada mente individual tem uma capacidade única de perceber e criar oportunidades, agindo com base em uma escala de preferência individual e na capacidade de perceber a relação entre meios e fins.

Além disso, os indivíduos não podem ser classificados em grupos. Grupos não agem. O que torna a ação coletiva uma composição de ações individuais? Coletivos são abstrações criadas pela mente humana para analisar fenômenos. Mas eles não têm existência ontológica.

O progressismo também não entende como esses indivíduos podem mudar suas ações ao longo do tempo. Os indivíduos não são máquinas que repetem alguns procedimentos impostos por alguma pessoa ou pelo ambiente. Os indivíduos possuem autonomia e utilizam seu raciocínio lógico para mudar o rumo de suas ações. Em consequência, eles também mudam a história.

Os indivíduos não são programados para se comportar de uma determinada maneira. Os indivíduos estão continuamente criando conhecimento. Os indivíduos aprendem. Essa capacidade de aprender é o que orienta o desenvolvimento institucional. O mecanismo de tentativa e erro que orienta a evolução da ação individual é o que tornou possível o desenvolvimento de instituições como a moeda, a lei, o sistema de preços e assim por diante.

Para as elites progressistas, os indivíduos são “estúpidos” e podem ser facilmente enganados. É assim que os progressistas explicam porque alguns indivíduos não os apoiam: falta-lhes consciência (de classe, gênero, raça, etc.). É assim também que eles justificam sua própria existência: os movimentos progressistas devem defender esses grupos. Mesmo que tais grupos não queiram apoio, esses movimentos devem existir para aumentar a conscientização sobre a opressão existente.

Os progressistas desconsideram completamente o papel dos indivíduos na construção da história. Para eles, as pessoas reagem como átomos. Para eles, as pessoas não criam e não se envolvem em um processo de evolução social. Eles não percebem que os homens não podem ser moldados como o barro. Os indivíduos são únicos, possuindo a capacidade de decidir e criar. O mundo humano não é dado, mas construído através das ações humanas.

Esse desrespeito prejudicial pelo indivíduo é baseado em uma caracterização errônea da humanidade. Progressismo é construtivismo. O construtivismo se baseia na ideia de que os homens respondem a incentivos e regras externas. O construtivismo afirma que a sociedade pode ser moldada de cima para baixo por um engenheiro social.

O construtivismo não concebe os indivíduos como agentes criativos que constroem a história. Ele desconsidera a capacidade dos seres humanos de desenvolver instituições que regem seu comportamento social. Ele concebe os indivíduos como brinquedos com os quais os reguladores e engenheiros sociais podem brincar.

A humanidade está passando por mais uma tentativa socialista de destruir a civilização ocidental. No século XX, eles usaram os “proletários”; agora eles usam as “minorias”. Combater essas tentativas exige uma defesa estruturada da liberdade e da criatividade humanas.

E esse é o lugar da Escola Austríaca, com sua compreensão da subjetividade humana. É por isso que devemos espalhar a Escola Austríaca pelo mundo. A humanidade precisa de ideias que empoderem os indivíduos e respeitem sua liberdade de forma que seja possível desafiar o progressismo e suas consequências maléficas.

 

 

Artigo original aqui