A política é uma mentira e a antipolítica é uma verdade

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Enganar, mentir e ludibriar estão entre as principais atribuições da política. Não há qualquer verdade na política, porque a política é um conjunto de falácias, mentiras e irracionalidades combinadas em ideologias variadas — de forma a fazer sentido para determinados públicos, igualmente variados —, que se prestam a ser enganados, iludidos e cativados por populistas coletivistas que acreditam serem anjos iluminados e ungidos, predestinados a governar o rebanho. Indubitavelmente, a ignorância generalizada da população com relação à real natureza da política é fundamental para que ela continue existindo.

A política, no entanto, só existe e é passível de se perpetuar indefinidamente porque a população aprecia ser enganada e ludibriada, sendo constantemente cativada pela ilusão de que todas as suas utopias, fantasias e sonhos irão se concretizar se o populista da sua preferência vencer as próximas eleições. A política é uma fábrica de utopias e todo político é, essencialmente, um vendedor de ilusões. O único real “trabalho” de um político é levar o seu eleitorado a acreditar que, se votarem nele, todas as ambições de progresso e prosperidade do rebanho irão se realizar.

As pessoas inteligentes, no entanto, sabem perfeitamente que a classe política nada mais é do que uma coalizão de bandidos oportunistas, cuja ocupação primária é enganar a população, em nome da mais aviltante demagogia ideológica, onde o que conta de verdade são aspirações ostensivamente egoístas, autoritárias e carreiristas.

Especialmente em uma democracia, as pessoas que ingressam na política o fazem unicamente com o propósito de adquirir inúmeras vantagens às custas de terceiros, para tornarem-se indivíduos ricos e abastados, e assim usufruir de uma vida de abundante luxo, suntuosidade, conforto material e imensurável prestígio. O truque está em ingressar nessa carreira parecendo embarcar em uma missão benigna e altruísta. O candidato precisa parecer tudo aquilo que ele não é — um sujeito incrivelmente abnegado, generoso e benevolente, genuinamente preocupado com o próximo. Na política, imagem é tudo. Você não precisa ser. Precisa apenas parecer.

A política como um meio de vida serve perfeitamente às ambições e aspirações de quem deseja enriquecer com facilidade, sem ter que fazer esforço algum. Políticos não são indivíduos produtivos, nem precisam atender demandas reais para atingir os seus objetivos. Tudo o que aspirantes a parasitas precisam para ter uma duradoura carreira na política é ter uma boa oratória, capaz de cativar o populacho com discursos patrióticos, sentimentais ou que apelam para a consciência de classe.

A única coisa que a classe política faz com formidável competência, rapidez e eficiência é aumentar os próprios salários, privilégios e benefícios. Políticos apreciam viver um estilo de vida nababesco, onde quem trabalha e paga a conta é você, mas quem usufrui de todos os privilégios e benefícios são eles. Mas é claro que para o grande público, eles fazem uma propaganda diferente, frequentemente ostentando uma humildade e modéstia que não são verdadeiras.

Infelizmente, é especialmente difícil fazer o brasileiro perceber que a política não existe para beneficiá-lo de forma alguma. Antes o contrário. Qualquer percepção benévola ou positiva acerca da política é resultado de maciça e sistemática lavagem cerebral. A política existe para beneficiar quem faz parte da máquina de espoliação estatal, cujos integrantes vivem muito bem — com um padrão de vida suntuoso, superior ao de monarcas de países de primeiro mundo —, graças às riquezas ostensivamente surrupiadas e subtraídas da sociedade produtiva e de todos aqueles que efetivamente trabalham para criar, gerar e agregar valor através da proficiência do mercado.

A política não existe e nunca existiu para beneficiar o cidadão comum; sua função primordial é roubá-lo e deixá-lo sempre em uma condição de privações e depauperamento crônico. A política na prática é uma ferramenta das grandes oligarquias econômicas, criada unicamente com o objetivo de prejudicar a maioria, em benefício de uma minoria privilegiada. Qualquer percepção em contrário é uma falácia ideológica criada para diminuir à resistência da população à soberania do establishment e da espoliação estatal.

Políticos vivem para enganar, roubar, mentir e ludibriar os eleitores. Eles realmente não se importam nem possuem compromisso algum com a ética, com a verdade ou com princípios morais. Se possuíssem, não estariam na política. Todos os incentivos da política — como roubar, dominar e mentir — são essencialmente iníquos; portanto, todas as suas prerrogativas básicas serão sempre inerentemente sórdidas e  oportunistas. A política é a arte do autoengano por excelência, estimulada por imorais e cínicos demagogos populistas que estão preocupados unicamente em continuar sua ascensão na hierarquia de comando, em uma busca frenética, ensandecida e permanente por poder absoluto.

Por essa razão, candidatos frequentemente apelam para determinados recursos políticos popularescos, usando e abusando de ideologias variadas, como patriotismo, nacionalismo e discursos antissistema — até mesmo empregando quando apropriado o sentimentalismo vulgar —, para tentar despertar emoções e cativar eleitores.

De fato, para se manter, a política — a arte de dominar e subjugar seres humanos de forma não-violenta — precisa necessariamente ignorar ativamente a realidade e incentivar a população a fazer exatamente o mesmo; pois, se analisarmos profundamente sua estrutura e sua natureza, ficará muito evidente que a política causa muito mais prejuízos do que benefícios para a sociedade.

A principal estratégia da política consiste sempre em mentir indefinidamente, com o nítido objetivo de desviar a atenção da população para problemas menores e irrelevantes, criando distrações que não permitam à sociedade perceber que a maior parte dos problemas dos quais ela sofre são criados pelo próprio estado, responsável por aplicar na prática as abstrações defendidas pela política.

A política sempre troca os fatos e a realidade por narrativas ideológicas oportunistas. Eis aqui dois exemplos, a começar pela coronazismo.

No caso da ditadura do coronavírus, o governo — através de medidas totalitárias, como quarentenas e lockdowns — proibiu a população ativa de trabalhar e produzir, para induzir empresas a irem à falência. Depois o estado ofereceu uma esmola assistencialista aos cidadãos, na tentativa de se promover como o grande salvador de um problema que ele mesmo causou. Como Harry Browne declarou, “O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!”.

Ao afirmar que a crise econômica foi causada pelo coronavírus, o governo e os veículos oficiais de comunicação da mídia mainstream estão deliberadamente mentindo. E é justamente esse o maior sustentáculo do estado e da política — a mentira. A recessão que sofremos foi causada pelas medidas arbitrárias das quarentenas e lockdowns, que nunca foram eficazes para conter a disseminação do vírus. Adicionalmente, é completamente imoral, antiético e tirânico obrigar pessoas a ficarem reclusas em cárcere privado, condenando-as a ficarem desempregadas, morrerem de fome ou induzindo-as ao desespero — que frequentemente leva ao suicídio —, porque os dirigentes políticos unilateralmente decidiram que essa era a medida apropriada a ser adotada.

O armamento civil é outro assunto a respeito do qual o estado difunde mentiras em níveis tão alarmantes quanto patológicos. A maioria dos integrantes da classe política afirma falsamente que quanto mais armas houver na sociedade, mais violência haverá, quando isso é uma mentira descarada. Armas nas mãos de cidadãos comuns garantem proteção à sociedade.

A verdade obscura por trás das mentiras que tentam coibir ativamente o armamento civil buscam ocultar a ambição do estado de arregimentar o monopólio da violência. Por temer insurreições populares, a classe política se opõe ao armamento da população, pois tem plena consciência de que cidadãos armados podem deflagrar uma guerra civil e depor todos os dirigentes que estão no poder, se o nível de descontentamento da sociedade com o governo for grande. A probabilidade de uma reação popular radical, no entanto, é drasticamente reduzida quando a população está desarmada. O governo na verdade desarma os cidadãos em nome da sua própria estabilidade e segurança. É o medo de uma insurreição popular que leva o estado a engajar-se em sórdidas campanhas contra o armamento civil e a impor aberrações como o estatuto do desarmamento.

Não obstante, desarmar cidadãos — além de ser terrivelmente contraproducente — é uma atitude absurdamente imoral e antiética. O estado é ostensivamente ineficiente ao tentar oferecer segurança à população; além da segurança precária, proibir e privar os cidadãos de recursos para a autodefesa contra bandidos e criminosos constitui um bárbaro e deplorável crime contra a humanidade.

Ao proibir o armamento civil, o governo não está promovendo a segurança, mas na verdade está institucionalizando a vulnerabilidade dos cidadãos. Os crimes violentos na verdade aumentarão, porque criminosos terão plena certeza de que os cidadãos estarão desarmados — e portanto, totalmente vulneráveis e indefesos. Isso irá encorajar a ocorrência de crimes, e não diminuí-los. Uma medida terrivelmente arbitrária como o estatuto do desarmamento, portanto, vai na contramão da segurança, tanto individual quanto coletiva.

E evidentemente — ao contrário do que muitas pessoas pensam —, convém enfatizar que mesmo quando o armamento civil é proibido, isso não impede criminosos de andarem armados. Como criminosos não seguem leis, o proibicionismo acaba coibindo apenas pessoas moralmente decentes de possuírem armas. O que invariavelmente só agrava o problema.

O proibicionismo não acaba com as armas, apenas restringe sua circulação entre pessoas corretas. Leis que promovem o desarmamento simplesmente fazem com que o maior número de armas em uma sociedade acabe nas mãos de bandidos, criminosos e contraventores, ao passo que o número de pessoas decentes com armas será desproporcionalmente inferior.

Esses exemplos ilustram efetivamente a real natureza da política. Ela não resolve os problemas da sociedade, ela cria problemas, que os indivíduos invariavelmente terão que resolver sozinhos.

A verdade que a política deliberadamente busca ocultar a todo custo, no entanto, é que o estado é uma instituição autocentrada — que busca ativamente saciar os seus próprios interesses —, sendo completamente indiferente a realidade e as necessidades da população. Para o estado, o que realmente importa é mentir para manipular informações e manter o poder.

Da mesma forma que a mentira, a demagogia é uma parte indissociável da política. Para parecer relevante, um político precisa se mostrar como tudo aquilo que ele não é: aguerrido, combativo, prudente, destemido, corajoso e audacioso. Mas a verdade é que essas criaturas do pântano — legítimos produtos do sistema —, na realidade buscam proteger os seus senhores, os oligarcas corporativistas que são os verdadeiros detentores do poder.

Por essa razão, a política jamais ataca as reais causas dos problemas que afligem a sociedade — o establishment, o corporativismo, o banco central, o intervencionismo, a estrutura de poder estatal, os privilégios das oligarquias e a carga tributária excruciante que sufoca e escraviza cada singular cidadão brasileiro são algumas das inúmeras dificuldades que o sistema impõe a sociedade. Mas a política — por mais que tente negar isso —, de um modo geral está altamente comprometida em manter o sistema exatamente como ele está. Por essa razão, a política estará sempre atacando os sintomas dos problemas, mas nunca as suas verdadeiras causas.

Em virtude desse fato, é evidente que a intenção da política não é, jamais, resolver problemas, mas criar continuamente espantalhos através de narrativas falaciosas, que desviem a atenção da população para as reais causas dos problemas.

A política é a arte de criar dificuldades, fazendo com que elas pareçam soluções. No final das contas, seu objetivo será sempre um só — beneficiar a elite governamental. O sistema existe para prejudicar a muitos, em benefício de poucos.

É muito fácil perceber a realidade quando damos um pouco de atenção para a classe política, que usufrui de um estilo de vida suntuoso e nababesco. Enquanto os marajás da fauna estatal permanecem vivendo como senhores onipotentes, devidamente encastelados em suas esplêndidas torres de marfim, ganhando salários extravagantes, superiores até mesmo ao de parlamentares europeus — completamente indiferentes ao sofrimento de grande parte da população, que banca com o dinheiro confiscado através de impostos extorsivos todos os custos excruciantes da elite governamental —, no mundo real, a sociedade tem que lidar com todas as deploráveis arbitrariedades que o sistema deliberadamente coloca em suas vidas. E todas essas dificuldades foram exponencialmente multiplicadas e potencializadas pelas funestas e criminosas medidas restritivas implantadas pela ditadura do coronavírus.

Completamente alheios e indiferentes a tudo o que se passa no mundo real, a classe política e a elite governamental são totalmente indiferentes às dificuldades que acometem os cidadãos comuns. Com as quarentenas e lockdowns, a população passou a sofrer adversidades severas de forma contumaz, sendo a fome e o desemprego as dificuldades que mais afligiram os brasileiros desde que começou a ditadura do coronavírus.

Essas adversidades — em sua maioria — foram criadas, disseminadas e potencializadas pelo prepotente, autocrático e mafioso estado brasileiro, que nunca para de gerar dificuldades para os cidadãos, enquanto garante um extenso cabedal de privilégios e benefícios para os seus.

A verdade é que políticos não se importam com a população. Eles estarão sempre em busca de poder e controle absolutos. É isso o que os motiva. Eles jamais buscarão qualquer coisa além disso. Desejo irrefreável por poder e riquezas são intrínsecos à política. Políticos e burocratas não querem justiça, prosperidade, progresso e desenvolvimento. Eles querem uma população pobre, iletrada e miserável que dependa da “benevolência” deles. Eles querem uma população pobre e destituída que acredite nas mentiras deles e vote neles. Isso é a política. A política não é e nunca foi absolutamente nada além de um grotesco e degradante festival de mentiras, hipocrisia e demagogia em larga escala, onde candidatos a tiranos com vocação para iludir as massas fazem multidões de imbecis acreditarem que um projeto pessoal de poder é na verdade uma passagem para o paraíso.

Lamentavelmente, muitas pessoas acreditam na suprema farsa da política. Os populistas e os psicopatas carreiristas que fazem parte do sistema político sabem perfeitamente como enganar o populacho e usam de todos os seus astuciosos ardis retóricos para se tornarem verdadeiros mestres na arte da manipulação e da dissimulação — que são justamente os principais ingredientes da política.

Infelizmente, em função de extrema credulidade, a população acredita cegamente em todos os seus líderes, e se dispõe a aceitar a servidão pacificamente, em virtude de exacerbada doutrinação. Os indivíduos que efetivamente questionam o sistema são minoria, os que realmente tentam ser independentes são ainda mais raros.

Políticos demonstram enorme preocupação com a população e dão fervorosa atenção ao seu público em época de eleições, mas quando chegam ao poder, não tem pudor algum em fazer tudo aquilo que for politicamente vantajoso, não importa se isso contradiz sua ideologia ou suas promessas de campanha. Por não compreenderem como de fato funciona a política, os eleitores realmente se iludem achando que o governo se interessa pelas demandas populares e realmente tem algum interesse em servir o povo.

Posteriormente, quando veem que todas as promessas de campanha do seu ídolo não foram realizadas, alguns eleitores ficam amargurados e desiludidos. Mas a grande maioria continua acreditando na política e permanece disposta a votar nas próximas eleições.

Infelizmente, a população foi tão doutrinada pela propaganda política que tentar despertar os cidadãos para a realidade é uma tarefa bastante ingrata, para não dizer quase impossível. Diante dos fatos, é razoável constatar que a grande maioria das pessoas realmente não se importa com a realidade; elas querem simplesmente continuar sendo escravas de um sistema vil, pérfido e degradante, que as tiraniza das formas mais malignas e deploráveis possíveis.

Não obstante, isso não deve nos desencorajar, tampouco nos impedir de enxergar a verdade ou de compreender a realidade como ela realmente se apresenta. De uma forma ou de outra, individualmente, podemos e devemos continuar resistindo contra a implacável tirania do sistema político.

Por essa razão, é necessário continuar resistindo. O espírito crítico, intelectual e independente é uma ferramenta essencial do indivíduo para se proteger da manipulação do sistema político, que cativa, conquista e aprisiona as massas com grande facilidade, sem que elas percebam.

Contra a tirania do estado democrático de direito, a razão continua sendo uma ferramenta fundamental de resistência pacífica. Da mesma forma, a informação, a autonomia e a iniciativa individual são elementos essenciais para emancipar a sociedade, libertando-a da escravidão política.