A corrupção não exclusividade do governo brasileiro ou do PT; ela é endêmica. Na semana passada, testemunhamos vários escândalos graves de corrupção envolvendo o governo americano. Kimberly Guilfoyle — apresentadora da Fox News que se tornou embaixadora de Trump na Grécia — ganhou destaque recentemente ao afirmar a uma autoridade grega, em tom que soou como uma ameaça, que Washington pode derrubar qualquer governo que quiser.
Embora não seja exatamente uma notícia bombástica, tal admissão normalmente não é considerada parte do diálogo diplomático. Mas para Guilfoyle, isso foi apenas o começo. Há relatos de que ela pressionou um doador a pagar sua fatura de US$ 100.000 do cartão American Express antes de assumir o cargo. Mais recentemente, ela se envolveu em uma polêmica ainda maior por supostamente usar seus laços com a família Trump – ela já foi noiva de Donald Trump Jr. – para fechar negócios para um rico empresário grego que, coincidentemente, financiava seu suposto estilo de vida luxuoso na Grécia.
Da mesma forma, na semana passada, a imprensa noticiou que David Millstein — braço direito do embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee — estava abusando de seu cargo para promover suas próprias inclinações políticas. Millstein, que inicialmente atraiu escrutínio por solicitar a cidadãos israelenses “presentes de casamento em dinheiro”, também estaria suprimindo ou até mesmo falsificando relatórios da Embaixada que criticam Israel. Em uma administração que supostamente adota a política de “América em primeiro lugar”, é chocante ver autoridades abusando de seu poder em benefício de um país estrangeiro em detrimento do seu próprio.
A mancha da corrupção é ainda mais profunda. Relata-se que o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, dobrou seu patrimônio líquido enquanto ocupava o cargo. Da mesma forma, diz-se que a própria família Trump lucrou bilhões com negócios escusos — incluindo contratos militares em meio a uma guerra — durante o mandato de Donald Trump. O próprio presidente Trump, que fez questão de recusar seu salário presidencial, teria faturado mais de dois bilhões de dólares no primeiro ano de seu segundo mandato. Isso está muito acima do salário presidencial de 400 mil dólares!
Embora haja muito alarde na direita sobre o perigo do socialismo – e isso não deve ser ignorado –, o que não se discute o suficiente é o “socialismo” para os ricos e influentes. Uma palavra para isso é “corporativismo”. Trata-se da fusão – ainda que temporária – do poder estatal com interesses “privados”.
Empresários gregos ricos não estão cobrindo a Embaixadora Guilfoyle de presentes porque ela é uma pessoa simpática. Eles buscam favores que apenas aqueles que detêm as alavancas do poder político podem conceder.
O ideal seria que as autoridades governamentais, eleitas ou nomeadas, se assemelhassem mais ao deputado Thomas Massie — um empresário bem-sucedido antes de assumir o cargo e que, por isso, não via o “serviço público” como uma espécie de cofrinho. No entanto, vivemos no mundo real, e esperar padrões dessa natureza é, provavelmente, exigir demais.
Então, qual é a solução? Funcionários corruptos abusam de seus cargos porque o governo é tão enorme e invasivo que oferece inúmeras oportunidades para suborno e corrupção. Se realmente queremos acabar com a corrupção no governo ou reduzi-la, precisamos restaurar o tamanho do governo ao que ele era quando este país foi fundado. Em vez de esperar por um governo de santos para liderar o país, precisamos eliminar os incentivos que levam homens e mulheres comuns a enxergarem cargos eletivos e nomeados como uma oportunidade para ganho pessoal e financeiro.
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