A vida não se resume a evitar um vírus

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Se você estava com esperanças de que alguma aparência de vida normal retornasse em 2021, seja devido ao desenvolvimento de vacinas ou à pandemia se extinguindo por conta própria, o New York Times e 700 epidemiologistas têm novidades para você. O artigo que apareceu no jornal em 4 de dezembro de 2020, intitulado “Como 700 epidemiologistas estão vivendo agora e o que eles acham que virá a seguir”, com o subtítulo “Eles estão indo ao supermercado novamente, mas não acham que vacinas irão fazer a vida voltar ao normal de imediato”, revela que grande parte da profissão, ou pelo menos a grande maioria dos entrevistados para o artigo, acredita que as máscaras e algum distanciamento social devem continuar por anos, senão para sempre.

À parte, eu me pergunto como esses cientistas acreditam que os mantimentos chegam à sua porta, se não por outro ser humano cuja segurança é, aparentemente, menos digna de consideração.

Embora uma minoria de epidemiologistas entrevistados para o artigo acredite que “se vacinas altamente eficazes fossem amplamente distribuídas, seria seguro para as pessoas começarem a viver mais livremente neste verão”, esses relativamente otimistas são amplamente superados em número por aqueles que pensam que a vida não deveria voltar ao normal por muitos anos, ou nunca. Na verdade, apenas um terço dos 700 planejam “retornar a mais atividades da vida diária” depois de vacinados. Os demais pretendem restringir severamente as viagens, reunir-se apenas em pequenos grupos com parentes próximos, trabalhar de casa pelo menos meio período, evitar locais lotados e usar máscara, tudo indefinidamente, porque eles estão preocupados com a eficácia de uma vacina, e também com questões relacionadas à distribuição e relutância em toma-la.

Um epidemiologista declara que “[estar] bem perto de pessoas que não conheço sempre parecerá menos seguro do que antes.”

Posso não ter formação em psicologia ou psiquiatria, mas estou bastante confiante de que antes de março de 2020, essa mentalidade teria sido reconhecida como alguma forma de doença mental que justifica uma intervenção. Esses epidemiologistas abraçam implicitamente o princípio de que evitar o vírus é uma meta singularmente importante. Se não é a única prioridade da vida, certamente está entre seus objetivos mais cruciais.

Este é um dogma que deve ser rejeitado com veemência. Como eu (e muitos outros) escrevi antes, não há razão para atribuir ao SARS-CoV-2 um status especial de vírus assassino, ou vê-lo como significativamente pior do que muitos outros problemas do mundo que normalmente passam despercebidos por profissionais qualificados no mundo desenvolvido. Durante este ano, cerca de 1,5 milhão de mortes em todo o mundo foram atribuídas ao SARS-Cov-2. Em média, 1,35 milhão de pessoas morrem em acidentes de trânsito, 1,7 milhão de pessoas morrem de AIDS e 1,4 milhão de tuberculose, a cada ano (sabemos que o combate a isso – que se não tivéssemos tomado medidas extremas de mitigação, o vírus iria se multiplicar fora de controle e tropeçaríamos em cadáveres pelas ruas – não é corroborado pela realidade).

De volta aos nossos 700 epidemiologistas. Infelizmente, por causa de sua profissão – especialização na incidência, difusão e controle de doenças dentro de uma população – há o perigo de que suas ideias sejam dotadas de autoridade imerecida. Embora não expressamente declarado, esse é, presumivelmente, o objetivo do artigo: encorajar os leitores a concluir que, se é isso que os especialistas estão fazendo, talvez eu devesse também. É por isso que o Times não publicou um artigo sobre como 700 advogados, jogadores de beisebol ou recepcionistas estão vivendo agora.

Peço aos leitores que não prestem atenção às ideias propagadas naquele artigo. Esses epidemiologistas não estão melhor preparados para pesar os valores concorrentes que informam como alguém escolhe viver durante a era do coronavírus do que os indivíduos para fazer suas próprias escolhas. Ao contrário, devemos desconsiderar totalmente as opiniões desses epidemiologistas sobre o assunto, pois parece que a imersão no mundo do controle de doenças infecciosas os privou de uma perspectiva ampla.

Se você tem menos de 70 anos e tem uma saúde razoavelmente boa, não há razão para reorganizar sua existência e sacrificar atividades que são cruciais para sua felicidade e prosperidade em nome da prevenção de vírus, a menos que, talvez, esse fosse seu estilo de vida antes de 2020. E se a preocupação são os outros, pode-se dedicar recursos para salvar algumas das vinte e cinco mil pessoas que morrem de fome todos os dias ou o milhão de crianças que morrem anualmente de malária, com consideravelmente menos interrupções na vida. É intrigante que esses epidemiologistas, tão preocupados com a disseminação do coronavírus, não tenham optado por dedicar seu tempo e dinheiro a essas causas.

Felizmente, mais e mais pessoas parecem estar chegando à mesma conclusão (incluindo muitos dos políticos que vêm exortando as pessoas a ficarem em casa e humilhando-as por se recusarem a fazê-lo), como evidenciado pela mudança insubstancial em quantos americanos deixaram suas casas e viajaram longas distâncias para o Dia de Ação de Graças este ano em relação ao último.

Tem havido um aumento da resistência a medidas ilógicas e disruptivas como o fechamento de escolas, playgrounds e restaurantes ao ar livre.

Claro, estamos longe de triunfar sobre a opressão que nos infligem os políticos e os chamados especialistas, mas recusar-se a ceder diante de seus ditames absurdos é o único caminho para a vitória. Quanto mais rejeitamos a ideia de que evitar o coronavírus deve ser prioridade em virtualmente todos os aspectos da vida, mais difícil será para esses epidemiologistas atingir seu objetivo de fazer o novo normal durar para sempre.

 

Artigo original aqui.

3 COMENTÁRIOS

  1. O estado é uma gangue de ladrões em larga escala, não precisa muito esforço para compreender isso se o sujeito estiver aberto ao conhecimento. Mas a questão vai muito além de ficar gritando que imposto é roubo, pois isso até mesmo os liberalóides randianos do estado mínimo fazem. A questão é compreender sempre os mecanismos ideológicos que a máfia estatal se utiliza para se legitimar e expor-los para o público. É não ficar passível no único meio que ainda temos para combater o leviatã estatal: a liberdade de pensamento.

    Eu particularmente não sabia da existência de uma profissão chamada epideomologia, assim com 100% da humanidade provavelmente também não. E isso tem um motivo. Uma sociedade livre jamais sustentaria uma profissão destas, por simples cálculos de custo benefício. Ou seja, esses epideomologistas são burocratas do governo, a única instituição capaz de externalizar seus custos sobre toda a população. É como a guerra, que só passam da fase defensiva para a agressiva – com custos mais altos, porque os estado pode financiar seus exércitos através da taxação.

    Porque nós precisamos de epideomologistas? pra nada. Mas o estado leviatã é uma instituição sofisticada o bastante – subestimar isso é um grave erro, para saber como o mundo opera, e como tirar proveito disso. Na hora que a grande fraude do Covid -19 entrou em marcha, somente o estado tinha os “especialistas” (em nada) capazes de “entender” o que estava acontecendo e propor soluções. Ou seja, na hora da crise, o estado pode argumentar com toda a tranquilidade: “o mercado não sabe lidar com isso, nós temos os especialistas.” E isso é verdade. Para quem não sabe que o estado é uma máfia de genocidas preocupadas apenas com a própria agenda de poder, faz todo o sentido.

    Esse artigo particularmente foi o que eu achei mais grave para descrever a ditadura do “novo normal”. É inacreditável ler que – mesmo esses aloprados sendo coniventes com a fraudemia, e ainda que tomem o placebo do governo não irão retornar a vida de antes.

    Ou seja, concordando com uma frase de um outro artigo que eu li aqui no Instituto: a pandemia só vai acabar quando você disser que acabou.