Ação Humana – Um Tratado de Economia

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PREFÁCIO À TERCEIRA EDIÇÃO

É com grande satisfação que vejo este livro em sua terceira edição, com uma bela impressão e por uma editora tão bem-conceituada.

Cabem aqui duas observações terminológicas.

Primeira: emprego o termo “liberal” com o sentido a ele atribuído no século XIX e, ainda hoje, em países da Europa continental. Esse uso é imperativo, porque simplesmente não existe nenhum outro termo disponível para significar o grande movimento político e intelectual que substituiu os métodos pré-capitalísticos de produção pela livre empresa e economia de mercado; o absolutismo de reis ou oligarquias pelo governo representativo constitucional; a escravatura, a servidão e outras formas de cativeiro pela liberdade de todos os indivíduos.

Segunda: nas últimas décadas, o significado do termo “psicologia” tem ficado cada vez mais restrito a psicologia experimental, uma disciplina que emprega os métodos de pesquisa das ciências naturais.

Por outro lado, tornou-se usual desprezar os estudos que anteriormente haviam sido chamados de psicológicos, considerando-os “psicologia literária” ou uma forma não científica de entendimento. Sempre que se faz referência a “psicologia” em estudos econômicos, tem-se em mente exatamente essa psicologia literária. E, portanto torna-se aconselhável introduzir um termo especial neste sentido. Sugeri em meu livroTheory and History (New Haven, 1957, p. 264-274) o termo “temologia”. e o uso em meu ensaio The Ultimate Foundation of Economic Science (Princeton,1962), recentemente publicado. Entretanto, a minha sugestão não teve a intenção de ser retroativa e de alterar o uso do termo “psicologia” em livros já previamente publicados; portanto, continuo a empregar o termo “psicologia” nesta nova edição da mesma forma como empreguei na primeira.

Existem duas traduções publicadas da primeira edição de Ação Humana: uma tradução italiana feita pelo Sr. Tullio Bagiotti, professor da Universidade Boconni em Milão, sob o título L’Azione Umana,Trattato di economia, publicada pela Unione Tipografico-Editrice Torinese, em 1959; e uma tradução espanhola feita pelo Sr. Joaquin Reig Albiol, sob o título de La Acción Humana (Tratado de Economia), publicada em dois volumes pela Fundação Ignácio Villalonga, em Valença (Espanha), em 1960.

Sinto-me em dívida com muitos amigos pela ajuda e por conselhos que recebi durante a preparação deste livro.

Antes de tudo, gostaria de lembrar dois estudiosos já falecidos, Paul Mantoux e William E. Rappad, que – por me terem dado a oportunidade de ensinar no famoso Graduate Institute of International Studies em Genebra, Suíça, proporcionaram-me o tempo e o incentivo para iniciar os trabalhos de um plano tão em longo prazo.

Gostaria de expressar meus agradecimentos ao Sr. Arthur Goddard, Sr. Percy Greaves, Dr. Henry Hazlitt. Prof. Israel M. Kirzner, Sr. Leonard E. Read, Sr. Joaquin Reig Albiol e Dr. George Reisman. Pelas valiosas e Úteis sugestões.

Mas, acima de tudo, quero agradecer a minha esposa pelo seu firme estímulo e ajuda.

LUDWIG VON MISES

 

Nova Iorque

Março, 1966

 

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Ludwig von Mises foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de 'praxeologia'.