Apêndice I

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Quando revisava o texto principal [Análise Prática, Lógica e Filosófica da Ética dos Lambedores de Botas] tomei conhecimento das obras de Robert Nozick, mais especificamente, da obra O Conto do Escravo do referido autor. Embora Nozick não tenha sido totalmente libertário, posto que suportou uma forma enxuta de estado, argumenta n’O Conto defensivamente à existência de direitos invioláveis e contrariamente à coerção estatal excessiva, e, idem, de forma bastante acertada no que diz respeito ao tema da escravidão moderna, sustentou que a relação contribuinte-estado é substantivamente indistinta da escravo-mestre.

Desta maneira, considerei conveniente citá-lo separadamente, porque os exemplos comparativos que concebeu n’O Conto com a finalidade de elucidar o porquê de o pagador de impostos (“contribuinte”) ser fundamentalmente nada além de um escravo são praticamente iguais aos que aqui concebi.

Por isso, machucou-me temporariamente a especulação de que muitos leitores frisariam que estaria eu o plagiando ao comparar exemplificativamente o pagador de impostos atual com o escravo antigo, já que Nozick o faz quase equivalentemente n’O Conto, apesar de tê-lo conhecido tão-somente enquanto revisava o texto principal à procura de falhas gramático-ortográficas acidentais. Por ter suposto, talvez errônea e inutilmente, que os leitores que o conhecessem induziriam que estaria eu o plagiando ao exemplificar comparativamente a escravidão atual de forma argumentativamente quase homóloga à que Nozick fê-lo, estava decidido em citá-lo adicionando uma passagem que o referisse de maneira alusiva num ponto anterior à exposição dos exemplos comparativos, todavia falhei miseravelmente na tentativa de encontrar algum ponto no qual fosse perfeitamente conveniente adicionar tal passagem.

Por essa razão, resolvi esclarecer com franqueza o fato de que não tinha conhecimento de Nozick, tampouco das suas obras, quando exemplificava comparativamente a escravidão moderna. Ademais, confessamente, fiquei bastante surpreso por ter elegido, a fim de clarificar o quão escravo é o pagador de impostos (“contribuinte”), uma maneira quase perfeitamente homogênea à que pela qual fê-lo muito adequadamente um autor tão bem-conceituado em países no quais a intelectualidade é mais vívida, o que opera, acredito, premiando enormissimamente o modo através do qual o presente trabalho foi concretizado.