As crianças do comunismo

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Os Herodes totalitários de hoje estão por toda parte ― e querem mandar na sua família

“Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar.”
(Mt 18, 6)

O truque predileto do diabo é convencer as pessoas de que ele não existe. Quem conhece os movimentos políticos globais ou estudou em profundidade a história dos últimos 150 anos sabe que o comunismo, sob os mais variados disfarces, é uma das piores desgraças que se podem abater sobre a humanidade, provavelmente a pior. Estamos falando de um movimento político e criminal genocida, que hoje domina diretamente 3 bilhões de pessoas e pretende estender esse domínio sobre toda a população mundial. Mas, mesmo depois da pandemia do vírus chinês, a grande mídia e o sistema universitário simultaneamente ridicularizam e censuram qualquer tese ou opinião anticomunista. Esse procedimento dialético ― em que ao mesmo tempo se escarnece do inimigo e se tenta silenciá-lo ― revela o caráter assimétrico e paradoxal da guerra que estamos vivendo. O comunismo, feito o diabo, tenta nos convencer de que não existe para depois nos obrigar a ficar de joelhos diante dele.

Entre o Natal e o Ano Novo, a Igreja celebra o Dia dos Santos Inocentes, festa dedicada às crianças de Belém mortas por ordem do rei Herodes. Conforme narra o Evangelho de São Mateus (capítulo 2), Herodes ordenou a matança dos inocentes por medo de que o Messias viesse a tomar seu trono quando adulto; aqui o rei  covarde simboliza o comportamento natural da maioria dos governantes ao longo da história. Os verdadeiros reis ― aqueles que representam o vínculo com Deus ― são os magos do Oriente, que seguem a estrela-guia para adorar o Menino Jesus, e depois enganam Herodes voltando por outro caminho. Quando o rei usurpador está no trono, os bens das pessoas comuns ― inclusive o maior deles, a vida ― não valem absolutamente nada diante das conveniências do poder. Não foi por acaso que Caim fundou a primeira pólis, ou seja, o primeiro sistema político. O poder deste mundo tem origem na traição e no assassinato. Dos tempos de Caim até hoje, as pessoas devem se preocupar com a política para se defender dela.

O massacre dos inocentes tem aquela estranha beleza das coisas terríveis, beleza que pode ser encontrada em vários outros momentos das Escrituras. De todas as obras inspiradas por essa passagem bíblica, a que mais me impressiona é o quadro do pintor francês León Cogniet (1794-1880), a imagem que ilustra este texto. Assombra-me particularmente o olhar da mãe que tenta proteger o filho.

Mas quem seria o Herodes dos dias hoje? Como bem disse um amigo, o músico Guto Brinholi, os Herodes atuais são múltiplos; seu nome é Legião. Eles estão nos governos, nos tribunais, nas prefeituras, nas grandes corporações, nos veículos de mídia, nas universidades, nas escolas, nas igrejas, às vezes até na loja da esquina. Mas querem mais: hoje, o principal objetivo do sistema herodiano é estender seus mecanismos de controle sobre a vida familiar. Não são mais os pais, ou mesmo os médicos, os responsáveis por tomar a decisão sobre a saúde e o bem-estar das crianças; é o Estado.

O comunismo é um sistema herodiano moderno ― no sentido de que invade o núcleo familiar, desestabiliza as relações entre pais e filhos e utiliza as crianças em benefício do poder. Sobre esse modus operandi, há um episódio histórico bastante elucidativo. Em 3 de setembro de 1932, durante o programa de coletivização forçada da agricultura na União Soviética, um menino chamado Pavlik Morozov, de 13 anos, foi encontrado morto em um bosque nos arredores da aldeia de Gerasimovka, no oeste da Sibéria. Pouco antes, ele havia denunciado seu pai, Trofim Morozov, por supostamente sabotar os planos de coletivização da terra.

Pavlik Morozov, em retrato artístico dos anos 30

A polícia secreta soviética ― na época, NKVD ― identificou cinco parentes de Pavlik como responsáveis pelo assassinato do menino. O tribunal condenou todos os réus ― um tio, um padrinho, uma prima e os avós paternos ― à morte por fuzilamento. Imediatamente, o caso ganhou imensa repercussão na imprensa soviética (totalmente controlada pelos comunistas). Nos anos seguintes, o menino que denunciou o próprio pai transformou-se em um mártir da coletivização e numa peça de propaganda do regime. O escritor comunista Maksim Górki pediu a construção de um monumento ao jovem herói e declarou: “Pavlik compreendeu que um parente de sangue também pode ser um inimigo do espírito, e que essa pessoa não pode ser poupada”. Inúmeros filmes, livros, poemas, peças teatrais, biografias e canções retratavam Pavlik como o herói do povo russo. Segundo o historiador britânico Orlando Figes, autor do monumental Sussurros – A vida privada na Rússia de Stálin, “o culto a Pavlik teve um impacto enorme nas normas e sensibilidades de toda uma geração de crianças, que aprendeu com Pavlik que a lealdade ao Estado era uma virtude maior do que o amor familiar e outros laços pessoais”. Investigações realizadas pelo professor Yuri Druzhnikov, ao longo dos anos 70, demonstraram que Pavlik Morozov não foi morto por seus avós e tios. Druzhnikov suspeita que o autor do assassinato tenha sido um primo, comunista fervoroso.

Delatar os amigos e parentes, na Rússia comunista, não era um ato vergonhoso ― e sim um dever cívico. Nos anos seguintes à morte de Pavlik, a delação de membros da família multiplicou-se em todo o país. Milhões de pais e mães foram deportados para os campos de trabalho forçado, onde encontravam a fome, a tortura e a morte. O Grande Terror comunista matou, nas estimativas mais moderadas, 10 milhões de pessoas. Essa carnificina gerou uma onda sem precedentes de órfãos, que eram encaminhados para abrigos estatais e educados como apoiadores cegos do regime. Tudo isso aconteceu há menos de 90 anos, numa época em que grande parte da imprensa ocidental celebrava os “avanços de Stálin” e rejeitava as denúncias dos anticomunistas como “propaganda imperialista” ― a teoria da conspiração da época.

Nos últimos dias, diversos formadores de opinião e especialistas da mídia têm afirmado que os críticos da vacinação de crianças no Brasil são “criminosos” e merecem ser repudiados socialmente. Aqueles que optaram por não ser inoculados são apresentados como párias sociais, tipos indesejáveis e egoístas. O não vacinado é proibido de frequentar diversos ambientes. Pais que não vacinam seus filhos ― mesmo com o risco de complicações sendo maior do que o risco da covid ― são ameaçados com a perda da guarda das crianças. Uma virologista “antifascista” afirmou que as crianças não inoculadas tendem a se tornar “depósitos de vírus” e ameaças à coletividade. Um secretário de saúde esquerdista escreveu uma carta às crianças do Brasil, praticamente incentivando a delação: “Infelizmente há quem ache natural perder a vida de vocês, pequeninos, para o coronavírus”.  Exercer o direito de escolha, aos poucos, vai se tornando um crime tão grave quanto o de esconder uma saca de trigo nos tempos da coletivização soviética. O não vacinado de hoje é equivalente ao “sabotador da revolução” na época de Stálin.

E você continua acreditando que o diabo não existe e o mal não passa de uma teoria da conspiração?

4 COMENTÁRIOS

  1. O comunismo é uma doença degenerativa que torna o estado pior do que ele é. Em tempos normais o estado é uma gangue de ladrões em larga escala, ou seja, apenas ladrões. Quando os comunistas estão no poder, além de larões, o estado se torna perverso, sádico e cruel.

  2. A população está sendo sutilmente imposta ao comunismo e socialismo. “Conhecereis a Verdade e a Verdade Vós libertará”. João 8:32

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