Como é realmente a vida na China? Quais são as partes boas e ruins?

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Transmitir aos leitores ocidentais um sentimento de como a vida na China difere do que eles estão acostumados a ouvir inevitavelmente requer não apenas descrever a China, mas também, em alguns casos, identificar os elementos da vida “ocidental” que se diferem dramaticamente. O fato de que também existem diferenças significativas entre os próprios países ocidentais torna isso difícil de fazer em um breve espaço.

Talvez a diferença mais gritante seja a confiança no futuro e nos fatores econômicos que levam a essas diferenças. Para esclarecer este ponto em particular, vamos nos concentrar principalmente em uma comparação com os EUA. Este artigo não é especificamente sobre dinheiro e economia, mas para transmitir esse ponto importante, é inevitável citar alguns números.

Salários reais de produção nos EUA de 1947 a 2010

Nos Estados Unidos, em particular, para a maior parte da população, os níveis de riqueza e renda não melhoraram significativamente nas últimas décadas. Enquanto em 1974 a maioria das famílias americanas conseguia manter uma alta qualidade de vida com um assalariado, agora é cada vez mais difícil conseguir isto com dois. Enquanto os 10% mais ricos dos americanos se saíram muito bem, o poder de compra da classe média despencou. A pobreza e o crime são comuns e muitas famílias vivem de salário em salário.

Ao mesmo tempo, os níveis de endividamento aumentaram drasticamente e é bastante comum que as pessoas estejam sofrendo com altos níveis de dívida de cartão de crédito. Entre 2010 e 2020, a taxa média de poupança das famílias nos EUA ficou em torno de 7%.

Taxas de Poupança Familiar na China 1996-2016

Na China, por outro lado, tanto os salários quanto os níveis de riqueza aumentaram nos últimos 30 anos. As taxas de poupança nunca caíram abaixo de 27%. Tendo em mente o fato de que a China não exige a declaração de imposto de renda nem tributa as pequenas empresas com base no lucro ou volume de negócios, os números reais são uma questão de conjectura. No entanto, se usarmos os números oficiais do governo como a melhor proxy disponível, entre 2010 e 2020 a taxa média de poupança das famílias chinesas foi de cerca de 38% da renda. No mesmo período, a renda quintuplicou em termos nominais. Como o índice de preços ao consumidor subiu cerca de 50%, o aumento real em termos reais foi de cerca de 3,3x.

O resultado? De acordo com uma pesquisa da Pew Research realizada em 2007, 83% dos chineses declararam estar “satisfeitos com a forma como as coisas estão indo”, em comparação com 25% dos americanos, 33% dos alemães e 22% dos japoneses. Os níveis de confiança chineses foram os mais altos de qualquer país na pesquisa. Estas são diferenças gritantes. Embora a Pew Research não pareça ter repetido essa pergunta exatamente da mesma forma novamente, os números de outras pesquisas semelhantes realizadas em anos posteriores parecem indicar que desde então não houve muita mudança.

A confiança e/ou falta de confiança no futuro colore tudo. Embora poucos chineses estejam satisfeitos com TODOS os aspectos da sociedade em que vivem (veja o ponto 6 abaixo para obter um exemplo), a maior parte da história os levou a acreditar que as coisas ficarão cada vez melhores. Não só a maioria das famílias tem grandes contas de poupança e riqueza significativa em propriedades, mas também vê estradas melhores, trens mais rápidos, céus mais azuis, muito menos corrupção e, na maioria das cidades, quase um completo desaparecimento de crimes violentos e leves. Mesmo 7 anos atrás, enquanto já havia muitas rodovias bem pavimentadas, as ruas em muitas cidades mais pobres estavam cheias de buracos. Fora das cidades, às vezes as saídas das autoestradas levavam diretamente a estradas de terra. Hoje isso mudou drasticamente. Essas melhorias muito visíveis afetam diretamente a confiança no futuro.

Talvez a outra grande diferença com grande parte do Ocidente seja a falta de uma subclasse. Hoje há muito poucas pessoas pobres na China, pelo menos não no sentido ocidental de um grupo empobrecido de pessoas vivendo na miséria. Portanto, também não há nenhum dos problemas sociais tipicamente associados à pobreza. É claro que o crime existe, mas crimes violentos e roubos são raros. Sim, isso é uma generalização e sempre há muitas nuances, bem como diferenças substanciais entre regiões e ambientes urbanos/rurais. Mas no geral, em comparação com países violentos como os EUA ou muitos países europeus com seu enorme número de imigrantes ilegais, a diferença é extremamente palpável. A maioria das grandes cidades chinesas está entre as mais seguras do mundo, praticamente sem crimes violentos ou roubos. Todos os dias você pode ver pilhas de pacotes empilhados nas calçadas sem ninguém tomando conta. Estes são estoques provisórios de pacotes destinados a entrega em algum lugar. Como essas pilhas são tão comuns, podemos ter certeza de que esses pacotes quase nunca são roubados. Vale a pena notar que isso só é possível porque basicamente também não há imigrantes ilegais. Antes de 2020, a China estava aberta a visitantes, familiares, professores e profissionais especializados, mas NÃO à imigração ilegal. (Agora ela não está aberta a ninguém além de residentes.) Quando perguntado sobre as liberdades que a China oferece, a liberdade de andar pelas ruas a qualquer hora sem ter medo de assalto ou roubo é uma liberdade considerável.

Com isso em mente, aqui estão alguns outros aspectos importantes da sociedade chinesa contemporânea:

1) Não existe nenhum “sistema de crédito social”.

Toda a narrativa do “sistema de crédito social” é uma invenção ocidental e provavelmente uma arma de guerra psicológica visando o Ocidente e não a China. Ou isso ou é tão secreto que nenhum chinês que vive na China jamais ouviu falar dele, e nesse caso seria preciso se perguntar qual é o objetivo. Qual é a utilidade de ter uma pontuação de crédito social se ninguém conhece sua pontuação?

Os leitores que foram expostos a essa narrativa devem se perguntar: Por que, com todos os milhares de artigos escritos sobre o tema, além de inúmeros vídeos feitos, nenhum desses artigos ou vídeos MOSTRA esse suposto aplicativo de crédito social? Com ele é? Como ele se chama?

Lidar com este tópico em qualquer detalhe excederia o escopo deste artigo que serve para dar uma visão geral de como é a vida na China, mas deve ser mencionado porque, caso contrário, essas crenças preconcebidas arriscam afetar quase todo o resto. Existem sistemas de classificação de crédito, embora sejam muito menos desenvolvidos do que sistemas comparáveis ​​em muitos países ocidentais e certamente não envolvem a classificação de pessoas com base em sua propensão à obedecer regras. Alguns são administrados pelo governo, enquanto outros são administrados por empresas privadas, como a Alipay. A maioria dos sistemas governamentais pode ser acessada através do site creditchina.gov.cn, embora estranhamente a página inicial do site nem sempre funcione. Este link parece ser mais confiável. Lá você pode, por exemplo, procurar empresas na lista negra por não pagar seus funcionários, ou por empresas na lista negra por arrecadação ilegal de fundos. Você também pode verificar se alguém está sujeito a restrições de viagem, embora isso exija o número de identificação da pessoa. As restrições de viagem podem ser impostas a pessoas que tenham decisões judiciais contra elas pessoalmente ou contra empresas pelas quais tenham responsabilidade legal. (Normalmente, isso só acontece se o tribunal acredita que a pessoa realmente tem os meios para pagar, mas simplesmente se recusa a fazê-lo.) Por meio de outros aplicativos de terceiros, também é possível verificar se o CEO de uma determinada empresa tem restrição de viagens. Isso pode ser muito útil ao decidir se deve ou não fazer negócios com uma empresa. Se o CEO tiver restrição de viagens, você pode deduzir que a empresa não tem muito compromisso com a satisfação de clientes.

Os leitores que encontram essa contranarrativa pela primeira vez podem compreensivelmente não estar dispostos a confiar em nossa palavra sobre isso. É justo. Portanto, basta dizer que neste ponto, no mínimo, apenas sugerimos aos leitores não ASSUMIREM que ele é parte da vida. Abordaremos esse tópico em um artigo separado posteriormente.

2) A poluição da água, do ar e do solo são problemas, mas com melhora significativa desde 2015.

Em 28 de fevereiro de 2015, Chai Jing, ex-apresentadora da CCTV da China, lançou um documentário sobre o problema da poluição do ar na China (título em inglês: “Under the Dome”). Sem surpresa, o governo não foi retratado muito bem. Inteligentemente, ela lançou em um sábado, transmitindo em 2 das principais plataformas de vídeo e no site do Diário do Povo, prevendo que o governo provavelmente não iria derrubá-lo até a segunda-feira seguinte. No entanto, na noite de domingo, surgiram as primeiras limitações – comentários e reportagens sobre o documentário foram bloqueados. Embora alguns membros do governo tenham expressado apoio ao trabalho de Chai Jing, em poucos dias ficou claro que os mais altos escalões do governo o consideravam prejudicial ao seu prestígio. No final da semana ele foi finalmente banido. Naquele momento, no entanto, cerca de 300 milhões de pessoas já haviam assistido o documentário.

Em 2015, a poluição do ar foi um problema grave em toda a China, com o nordeste da China, incluindo Pequim, sendo o mais severamente impactado. Under the Dome provou ser um grande catalisador para a mudança, porque (a) claramente enumerou uma lista de causas, e (b) mostrou que o governo estava ciente da maioria delas, mas não agiu. Em uma parte do filme, o chefe da Agência de Proteção Ambiental da China afirmou que gostaria de agir, mas que suas mãos estavam atadas. Sem surpresa, dois dos principais culpados eram as duas maiores empresas estatais de petróleo, bem como instalações estatais de queima de carvão. Apesar da proibição do documentário, medidas decisivas foram tomadas e hoje a qualidade do ar foi drasticamente melhorada, ao ponto em que a qualidade do ar em muitas cidades chinesas está consistentemente na faixa de bom a excelente (0-100). Os números de Xangai são excepcionalmente bons, com o nível de qualidade do ar de acordo com o aplicativo Weather da Apple na maioria dos dias na faixa de 20 a 40. Sobre este tópico, é importante lembrar os leitores mais uma vez de estarem alertas para o problema das reportagens falsas. As notícias falsas são onipresentes. Especificamente neste caso, existem alguns sites que relatam números radicalmente mais altos: Um exemplo proeminente é o site aqicn.org, cujos números geralmente são cerca do dobro do que a maioria dos outros sites relatam.

Após o lançamento do documentário de Chai Jing, o governo chinês aprovou uma série de leis de proteção ambiental e fez da “proteção ambiental” um de seus principais temas. Em particular, uma lei de proteção do ar foi aprovada em 2015, uma lei de proteção da água em 2017 e uma lei de proteção do solo em 2018. Claramente, algum progresso real foi feito, mas sem dúvida há um longo caminho a percorrer.

Para citar apenas um exemplo, a contaminação do solo é um problema real na maioria dos antigos países socialistas, e a China não é exceção. O governo formulou um plano para restaurar as áreas contaminadas, mas o custo estimado é de mais de US$1 trilhão. No entanto, este fato não deve ser mal interpretado para implicar que TODOS os solos chineses estão contaminados. Nem deve ser confundido com a questão da segurança alimentar. A maioria dos solos contém alguns contaminantes; a questão-chave é, o que acaba passando para as culturas cultivadas nesses solos. A China tem um extenso programa de verificação pontual para monitorar a toxicidade dos alimentos, com divulgação pública dos resultados. Em seu site, os resultados para nomes de marcas individuais e categorias de produtos podem ser verificados. Eles também operam um call center para reclamações relacionadas à toxicidade alimentar. A agência governamental responsável é a Agência de Supervisão de Mercado (市场监管总局).

Essa supervisão levou a uma eliminação completa dos problemas? Provavelmente não, mas em casos de adulteração sistemática e intencional de alimentos, é fato que as consequências de ser pego podem ser drásticas. O exemplo mais conhecido disso é o escândalo de adulteração de melamina que se tornou público em 2008. 21 empresas de laticínios usaram melamina, um aditivo perigoso, para aumentar o teor de proteína de alguns de seus produtos e, em particular, de fórmulas infantis. 6 bebês morreram de pedras nos rins e outros danos nos rins e cerca de 54.000 foram hospitalizados. Vários julgamentos foram realizados, resultando em duas execuções, três sentenças de prisão perpétua, duas sentenças de 15 anos de prisão e a dispensa ou demissão forçada de sete funcionários do governo local, bem como do chefe da agência governamental de segurança alimentar na época.

Vale a pena ter em mente que as reportagens ocidentais sobre adulteração de alimentos na China também incluem muitas falsidades. Um bom exemplo disso é a suposta venda do chamado “arroz de plástico”. Em novembro de 2016, o Daily Mail do Reino Unido publicou uma versão dessa história, embora admitindo que era um boato infundado que não parecia fazer muito sentido econômico. Tanto Snopes quanto a BBC relataram que a história era falsa.

A China proibiu a maioria dos cultivos de OGM há mais de uma década. Existem alguns produtos que incluem ingredientes OGM, mas todos são marcados como tal e tendem a obter preços mais baixos do que os produtos sem eles.

3) Conceitos tradicionais sobre gênero e família.

Não há 59 gêneros. Apenas os dois gêneros antiquados. As famílias são bastante tradicionais e muitas vezes multigeracionais, com muitas acolhendo pais idosos em suas casas.

4) Nenhum apoio do governo ao racismo.

Não há racismo anti-branco, anti-negro ou anti-asiático promovido ou apoiado pelo governo. A China não só tem mais de 1 milhão de residentes estrangeiros legais, bem como centenas de milhões de migrantes internos, mas também mais de 50 grupos minoritários oficialmente reconhecidos. Alguns chineses individuais são racistas? Certamente. Por exemplo, às vezes os chineses são conhecidos por discriminar os negros, e houve alguns incidentes desagradáveis ​​no início de 2020, quando o medo estava no auge. Mas, até onde sabemos, o governo central sempre os condenou explicitamente e repreendeu os funcionários envolvidos. O racismo é sempre publicamente condenado, nunca endossado, ao contrário do que vemos com a teoria crítica racial nos EUA hoje.

5) Nenhuma politização da vida cotidiana, mas há um conflito geracional palpável.

Ninguém, por exemplo, diria: “Isso é apenas propaganda de direita/esquerda”. Não há divisão da sociedade em “nós e eles”. Não há nada remotamente comparável à divisão ideológica nos Estados Unidos e em muitos países ocidentais. A maioria das pessoas é completamente apolítica. Isso ocorre porque (a) não há partidos políticos nem campanhas eleitorais, (b) não há campanha organizada para mudar ou abolir os valores tradicionais e (c) poucos chineses percebem que o governo exerce muita influência direta sobre suas vidas. Na medida em que as pessoas têm contato com autoridades governamentais, ele tende a se limitar a autoridades locais que aplicam regras triviais – como o departamento de saúde no caso das pequenas empresas. O governo não paga benefícios de bem-estar social e os policiais não têm incentivos para abordar as pessoas. Indivíduos pagam impostos indiretamente por meio do imposto sobre valor agregado pago por empresas maiores, bem como impostos sobre folha de pagamento e previdência social pagos por seus empregadores, mas há pouca interação financeira direta percebida com o governo.

Há, no entanto, uma divisão palpável entre as gerações. Enquanto as gerações mais velhas guardam na memória a pobreza e do fracasso abjeto do socialismo, a maioria dos jovens carece de toda essa experiência. É, portanto, muito mais fácil promover a ideologia socialista para eles. E, pouco a pouco, é exatamente isso que o governo está fazendo. Na realidade, é claro, a influência indireta do governo na vida das pessoas é enorme, especialmente se elas optarem por enviar seus filhos para escolas públicas. Mas lembre-se, estamos falando de percepção aqui, não de realidade.

6) Níveis crescentes de censura que afetam as mídias sociais, sites de notícias e criadores de conteúdo individual.

Abordaremos essa questão detalhadamente em um artigo posterior, mas deve-se dizer que a deterioração da liberdade de expressão pública após 2020 tem um efeito assustador na capacidade dos cidadãos chineses de trabalharem juntos por um hoje e um amanhã melhores. Embora seja verdade que a censura costuma ser um pouco desajeitada e não muito rápida, o efeito na sociedade permanece. Só para citar dois exemplos, este ano o governo multou o Douban.com 20 vezes, num total de 9 milhões de yuans. O governo também forçou as lojas de aplicativos a remover o aplicativo móvel do Douban. O maior site de blogs da China, Weibo.com, foi multado 44 vezes, com multas totais no valor de 14,3 milhões de yuans. Conforme projetado, tal punição financeira leva essas plataformas a níveis extremos de paranoia ao bloquear qualquer conteúdo que possa de alguma forma ser percebido como politicamente incorreto.

7) Altos níveis de comodidade na vida cotidiana.

A China é o centro da produção mundial de muitos itens, o que significa que, na maior parte, a China desfruta dos preços mais baixos e das linhas de fornecimento mais curtas do que de qualquer país do mundo. Isso se reflete na amplitude das ofertas nas plataformas chinesas de comércio eletrônico líderes mundiais Taobao e JD.com. (Taobao pertence ao Alibaba.) Embora sempre existam alguns itens específicos do país que não podem ser encontrados, na maioria das vezes a variedade de produtos excede significativamente o que está disponível na Amazon nos EUA, incluindo medicamentos e suplementos que geralmente são proibidos ou estritamente controlado no Ocidente.

Em termos de comodidade, outro aspecto é o tempo de entrega. Devido aos altos níveis de densidade populacional na maioria das cidades chinesas, muitos itens podem ser adquiridos em ½ dia após o pedido.

E enquanto centenas de milhões de produtos são entregues todos os dias, o que realmente domina as ruas da China são as motocicletas entregando pedidos de restaurantes. Podemos estimar que existem tantos pedidos de comida quanto de produtos. Funcionários de escritórios às vezes vão almoçar em restaurantes locais, mas com a mesma frequência pedem comida para viagem. A comida preparada é, na maioria das vezes, incrivelmente barata, de modo que a maioria das famílias poderia pedir todos os dias, se quisesse.

Entregadores de comida da Meituan em uma pausa para descanso

Todos esses itens, assim como praticamente todas as outras compras de bens e serviços, são pagos usando um dos dois sistemas de pagamento de propriedade e operação privada: Alipay ou Wechat. Até agora, todas as tentativas por parte do persistente cartel bancário afiliado ao governo de se intrometer nesse duopólio falharam. Os pagamentos são feitos exclusivamente através de smartphones. Cartões de crédito quase nunca são usados, e até mesmo cartões bancários são raros. O dinheiro ainda pode ser usado na maioria dos casos, mas é cada vez mais raro para compras diárias. Embora existam obviamente alguns possíveis problemas de privacidade, a maioria das pessoas opta claramente pela conveniência em vez da privacidade.

 

 

Artigo original aqui

4 COMENTÁRIOS

  1. Interessante tema, de fato é difícil saber algo sobre a China.

    Entretanto, o autor (ou autora) se equivoca em tentar ligar imigração “ilegal” e criminalidade, principalmente porque isso tem vários fatores, não sendo uma coisa simples. Por exemplo, a guerra contra as drogas, assistencialismo e impunidade. Há um estudo que mostra justamente o contrário (ao menos nos EUA: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/imigrantes-cometem-menos-crimes-nos-eua-do-que-americanos). Nos EUA há a encrenca dos conflitos raciais, que foram perpetrados pelo próprio estado. Esse é um dos fatores que, se não me engano, o Ryan McMaken abordou, para se falar sobre as taxas de homicídios. E a taxa de criminalidade nos EUA caiu nas últimas décadas.

    Esse gráfico apresentado é algo clássico e que os esquerdistas adoram usar para tentar dizer que o padrão de vida dos americanos está em queda, como na verdade é justamente o contrário, e isso é mundial, até no Brasil intervencionista (tem um texto que fala sobre isso aqui: https://fee.org/articles/the-pay-productivity-gap-is-an-illusion/). Apesar da destruição do poder de compra da moeda (que é sim um fator que atrapalha ou diminui o padrão de vida), isso não quer dizer que hoje deixamos de ter uma maior oferta de bens e serviços do que naquele ano. Quantas marcas de carros existiam na década de 1960? Quantas há hoje? E as necessidades e valores familiares também mudaram com o tempo, o que vai incluir despesas com Internet e afins, afinal não existia Internet e smartphone na década de 1960.

    Esse fenômeno de otimismo na China é bastante interessante, embora eu tenha minhas dúvidas se os chineses estejam realmente sendo sinceros e não mentindo por temer represálias do governo.

    O texto parece ser uma propaganda a favor da China, ao menos pela minha impressão.

    Como não tenho a mínima ideia das taxas de criminalidade, crédito social e afins na China, então nesse ponto não há o que dizer.

    Apesar dessas pontuações, confesso que tenho vontade de visitar a China.

    • “O texto parece ser uma propaganda a favor da China, ao menos pela minha impressão.”

      O artigo definitivamente parece favorecer á China com umas comparações sem pé nem cabeça, mas acho que possuí níveis aceitáveis de imparcialidade, apesar de que poderia ter sido feito melhor, mais ainda é superior à grande parte dos artigos “informativos” que se vê por ai. Além do mais, acho que o senhor inconscientemente possuí certo preconceito em relação aos chineses, o que é natural, considerando o tanto quanto ouvimos falar de lá em nossas bolhas sociais, até eu ainda possuo uma certa barreira psicológica em aceitar qualquer informação que eu ouço sobre lá, ainda mais considerando à imensa cortina de fumaça promovida pelo governo chinês.

      Mas concordo quê á menção aos imigrantes ilegais é um total equívoco por parte do autor, provavelmente porquê ele deve viver lá, logo naturalmente convive em sua própria bolha social.

  2. “A comida preparada é, na maioria das vezes, incrivelmente barata, de modo que a maioria das famílias poderia pedir todos os dias, se quisesse.”

    Uma realidade completamente fora do que se vê aqui no Brasil. De fato, uma informação relevante.
    Estou surpreso com esta série de artigos. O primeiro foi muito bom e o segundo pareceu um tanto quanto propaganda. Esse aqui retoma o bom nível de esclarecimento sobre a China. E eu destaco a questão do crédito social, algo bem presente na mídia ocidental e de maneira evidentemente negativa, o que parece ser propaganda anti-China e não informações confiáveis. Estou surpreso mesmo, já que este tópico é muito explorado por conservadores que imaginam a sua aplicação por aqui.

    A China nunca me interessou particularmente, mas o fato é que eu nunca havia parado para pensar que eu posso ter sido um idiota útil na mão de interesses que eu desconheço. Não sei. É difícil saber o que acontece de verdade, afinal a China ainda é um país comunista. Mas o fato surpreendente é que em muitos aspectos – a partir da leitura dos artigos, é concluir que China é uma importante economia de mercado lutando para permanecer desta forma contra a radicalização crescente do Partido Comunista. Isso é muito doido, pois é o mesmo país de Mao, do massacre da Praça da paz celestial, da invasão do Tibet e que a qualquer momento pode invadir Formosa.

    Mas de todo o modo, tempos atrás eu li um blog obscuro, onde um americano descrevia uma viagem feita a
    China antes da ditadura nazicovidiana. O que me chamou a atenção é ele ter passado por um museu estatal – inclusive já visitado pelo Xi Jinping, onde existia um setor dedicado aos crimes do comunismo errado – radical, que seria correspondente ao período anterior a Deng Xiaoping, ou seja, o maoísmo. O comunismo certo seria hoje, socialismo. Isso é completamente fora do que se espera de uma ditadura brutal e totalitária. No final, acho que não corremos nenhum risco de sermos obrigados a falar mandarin no futuro, mas inglês sim…