Como o Papa Francisco não entende o “bem comum”

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Em uma opinião editorial do New York Times cheia de reflexões sobre como “construir um futuro melhor, diferente e humano,” o Papa Francisco elogiou os governos mundiais por colocarem “o bem comum de seus povos em primeiro lugar”, enquanto ridicularizou os críticos das quarentenas da covid-19.

Justaposta à condenação de Francisco aos céticos no prestigioso jornal, o discurso antiquarentena, “O Culto Covid, de Tom Woods foi removido pelo YouTube dois dias antes. Esse vídeo, que já havia viralizado, abordava o argumento do “bem comum” que o papa faria.

Considerando o quão errados ambos o legado e a nova mídia têm estado sobre a covid e as quarentenas desde o início, não é surpresa que plataformas como o YouTube discordem de Woods ou de sua mensagem sóbria denunciando a pseudociência que tem sido usada para destruir a vida e os meios de sustento das pessoas.

Com o apoio da Times e outros meios do establishment, Francisco incitou os leitores a considerarem o “bem comum” como um chamado ao sacrifício. A covid, uma doença respiratória semelhante à gripe que impacta apenas uma pequena parcela da população, e em geral não fatalmente, é a desculpa perfeita para sacrifício em massa.

Francisco escreveu que os governos estão “agindo decisivamente para proteger a saúde e salvar vidas” ao “impor medidas rígidas para conter o surto.” Mas, se você fosse basear sua compreensão do que as quarentenas e os lockdowns realizaram apenas no que Francisco tem a dizer, você pensaria que estamos vivendo, ou morrendo, em 1347, sob a Peste Negra.

“Os governos que desprezaram as dolorosas evidências de mortes crescentes” causaram muita dor, escreveu o sumo pontífice.

Enquanto o júri ainda está decidindo sobre o que deveria ser considerado morte por covid, há, de fato, evidências suficientes para sugerir que “as medidas rígidas para conter o surto” que ele elogiou simplesmente não funcionaram.

A abordagem errada

Durante seu discurso, Woods argumentou que a resposta à covid foi e permanece completamente desproporcional, especialmente à medida que entendemos mais sobre como o vírus opera. Ele também explicou como as quarentenas praticamente universais causaram mais dor e sofrimento do que o vírus em si.

“Há outras preocupações no mundo além da covid”, disse Woods, fato completamente ignorado por Francisco em sua opinião editorial.

Woods argumentou ainda que países como Espanha e Itália, que “confinaram [rápida] e duramente” não viram nenhum benefício ao fazê-lo. Países como a Suécia, que nunca confinaram a população, viram uma fração das mortes que a multidão “ouça a ciência” estimou, mas não viram nenhum sofrimento por conta das quarentenas nem mortes em excesso.

Na verdade, até os pesquisadores médicos acham que as quarentenas foram um erro.

No que ficou conhecido como a Declaração de Great Barrington, epidemiologistas em doenças infecciosas e cientistas em saúde pública conceituados explicaram que o número de mortes causado pelos lockdowns superará, em muito, qualquer coisa provocada pela covid.

As políticas de lockdown atuais estão produzindo efeitos devastadores no curto e longo prazo para a saúde pública. Os resultados (para citar apenas alguns) incluem baixas taxas de vacinação infantil, piora nos resultados de doenças cardiovasculares, menos ressonâncias magnéticas, e deterioração da saúde mental – levando a um grande excesso de mortalidade nos anos por vir, com a classe trabalhadora e os membros mais jovens da sociedade pagando o preço mais alto.

Permitir que as paralisações estritas permaneçam, acrescentou o grupo de cientistas, “causará danos irreparáveis, com os desprivilegiados sendo desproporcionalmente prejudicados.”

A despeito dos avisos, que apareceram online pela primeira vez em 4 de outubro de 2020, Francisco não hesitou em zombar dos críticos das quarentenas pela suposta confiança excessiva na “liberdade individual” para justificar suas opiniões. Eles estão indo contra o bem comum, escreveu o pontífice, e estão servindo “ídolos”.

Após os governos imporem quarentenas “responsáveis”, Francisco argumentou, “alguns grupos protestaram, recusando-se a manter o distanciamento, marcando protestos contra restrições de viagem – como se as medidas que os governos devem impor para o bem das pessoas constituísse algum tipo de ataque político à autonomia e liberdade individual!”

Eles estão errados, alfinetou.

Olhar para o bem comum é muito mais do que a soma do que é bom para os indivíduos. Significa levar em consideração todos os cidadãos e buscar responder efetivamente às necessidades dos menos afortunados.

Então porque ele não está fazendo isso?

O que foi visto e o que não foi visto

No seu famoso ensaio “O que se vê e o que não se vê”, o economista liberal francês Claude-Frederic Bastiat escreveu que quando se trata de economia, um ato ou lei provocados pelo governo “dão à luz não apenas a um efeito, mas a uma série de efeitos.”

Desses efeitos, o primeiro só é imediato; se manifesta simultaneamente com sua causa – é visto. Os outros se desenrolam em sucessão – não são vistos.

O que muitos críticos da quarentena consistentemente têm argumentado é que é o efeito que não é visto imediatamente que seria mais custoso para a sociedade do que a covid em si. É exatamente essa preocupação que tem levado os profissionais médicos associados à Declaração Barrington a se manifestarem, assim como inúmeros americanos e europeus da classe trabalhadora que não encontraram outra forma de desafogar suas frustações senão indo para as ruas, como destacado por Woods:

Na Itália e no Reino Unido, ao menos algumas pessoas estão revidando. O último lockdown tirou tudo que eles tinham.

Um vídeo que viralizou mostra uma mulher italiana dizendo aos prantos que perdeu tudo e que não tem nada com que alimentar sua criança. Talvez fosse melhor ela ouvir a ciência, certo?

Ainda assim, para Francisco o bem comum dita que devemos confinar o globo, comprometendo o futuro dos jovens, o meio de vida da classe trabalhadora, e condenando incontáveis crianças à uma vida de sofrimento psicológico.

Se a preocupação com “os menos afortunados” é o que motiva Francisco, atacar um espantalho no New York Times não é como ele vence.

Se ele é honesto ao pedir por mais solidariedade na era da covid, ele deveria começar sendo mais caridoso com aqueles que estão orando pelo fim das quarentenas. Enquanto inúmeras pessoas sofrem dor tanto física como emocional por causa das restrições draconianas às liberdades básicas, o número de vidas perdidas pelo que Woods chama de “culto covid” só vai subir.

 

Tradução de Carla Caroline 

Artigo original aqui.