Uma manchete de 20 de março no New York Post declarava: “Os cigarros estão de volta!” Parece que, em uma Hollywood progressista e preocupada com a saúde, celebridades estão fumando em público e nas capas de revistas, e os cigarros estão muito presentes nos eventos, inclusive em alguns casos são oferecidos aos convidados pelo anfitrião. Isso é um bom sinal para aqueles de nós que se opõem ao estado-babá, já que o ódio obsessivo ao tabagismo tem sido uma das mais graves violações à liberdade pessoal nos últimos quarenta anos.
A pretensão da legislação antitabagismo, em que fumantes são sistematicamente hostilizados, é que os fumantes custam muito dinheiro ao pagador de impostos devido a despesas de saúde e outras despesas, embora estudos tenham mostrado o contrário. O fato de esse argumento existir demonstra o ponto libertário de que o governo grande cria situações em que todo o seu comportamento pessoal é de interesse público. Ainda não estou disposto a acreditar que qualquer uma das graves leis antitabagismo será revogada, mas, mesmo assim, considero um bom sinal para a liberdade pessoal que as elites culturais estejam fumando publicamente após décadas tentando marginalizar e ostracizar fumantes em nome da “saúde pública”.
Os perigos do tabaco têm sido conhecidos de várias formas desde que ele foi introduzido na Europa. No entanto, só na década de 1990 o governo e outros poderes da sociedade começaram a tomar medidas firmes contra os cigarros. Em 1994, o teórico libertário Murray Rothbard escreveu um ensaio chamando os fumantes de “a minoria mais perseguida do país”, onde escreve:
“Qual grupo, que ‘saiu do armário’ há muito tempo, foi literalmente forçado a voltar para o armário depois de séculos andando orgulhosamente na praça pública? E qual grupo internalizou tragicamente o sistema de valores de seus opressores, de modo que eles se sintam profundamente envergonhados e culpados por praticar seus ritos e costumes? Qual grupo é tão intimidado que nunca pensa em se defender, e qualquer tentativa é publicamente condenada e ridicularizada? Qual grupo é considerado tão pecador que o uso de estatísticas adulteradas contra eles é considerado um meio legítimo em uma causa digna?
Refiro-me, é claro, àquela raça outrora orgulhosa, os fumantes de tabaco, um grupo outrora reverenciado e invejado, mas agora não há ninguém tão por baixo a ponto de reverenciá-los.”
Rothbard relaciona a cruzada antitabagismo à história do puritanismo americano. Ele escreveu na época que “Chegamos à terra terrível do Puritanismo de Esquerda… que se propõe a criar um mundo perfeito, livre de tabaco, desigualdade, ganância e pensamentos de ódio.” Foi exatamente isso que aconteceu, embora os sermões deles sobre obesidade e carne (que levaram a uma reação semelhante a favor do bacon), claro, não se aplicassem aos seus camaradas ideológicos, para quem a obesidade deveria ser celebrada como “beleza de qualquer tamanho.” É uma regra para os compradores do Wal-Mart e outra para quem chora por ser maltratado no YouTube.
Sofremos não só com uma campanha interminável de propaganda — grande parte às custas dos pagadores de impostos — mas também os dominós realmente caíram rapidamente contra os fumantes. Fumar foi segregado a áreas especiais e depois totalmente proibido na maioria dos locais de trabalho. Foi proibido em bares e restaurantes, restrições que se espalharam rapidamente pelo país e pelo mundo a partir de pouco mais de vinte anos atrás. Os impostos aumentaram exorbitantemente tanto em nível federal quanto na maioria dos estados. Barack Obama, Joe Biden e Donald Trump restringiram o acesso a produtos de tabaco de várias maneiras; algumas dessas regulamentações forçadas foram totalmente contraproducentes para a redução do tabagismo, como a proibição da venda de cigarros unitários, que muitos diziam que ajudava a fumar menos, mas que os antifumantes consideravam um “cigarro de entrada”. Muitos estados buscaram indenizações absurdas em processos civis contra empresas de tabaco. Chegou a um ponto em que é raro nos Estados Unidos um homem poder beber álcool e fumar um cigarro no mesmo estabelecimento. Muitas vezes, isso nem é permitido do lado de fora devido às leis de recipientes abertos e às “proteções” contra fumo no local de trabalho.
Em 2003, os antitabagistas atingiram níveis tão altos de arrogância e absurdo que o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um fanático antitabagismo, mandou invadir o escritório do editor da Vanity Fair por relatos de fumo no local de trabalho, onde apreenderam um cinzeiro limpo que o editor tinha como lembrança. Anos depois, Eric Garner foi morto em um confronto policial iniciado pelo fato de que os cruzados antitabagismo taxaram os cigarros tão severamente que um homem poderia ganhar a vida comprando cigarros de fora do estado e vendendo cigarros individuais na rua. Meus próprios avós, embora fossem ex-fumantes progressistas com problemas pulmonares que teoricamente estavam protegidos por restrições ao fumo, achavam tudo isso uma violação flagrante da liberdade pessoal, inimaginável para pessoas da época deles.
A televisão dos anos 1990 é informativa sobre a rapidez com que isso tomou conta da sociedade. Por exemplo, tanto em Seinfeld quanto em Friends ninguém fuma a menos que a trama seja sobre como outras pessoas não gostam de cigarros e eles levam sermão de todos os amigos enojados. No episódio do King of the Hill sobre fumar, Peggy diz “hoje em dia só tem fumaça de trailer”, diferente de pouco mais de uma década antes, quando os Hills tinham parado. Mais revelador ainda é a aclamada série Homicide: Life on the Street, onde, na primeira temporada de 1993, a maioria dos personagens fuma, mas com o tempo ou teve enredos sobre parar ou o personagem fumante deixou o programa para ser substituído por personagens não fumantes — além disso, fumar em escritórios foi proibido naquela época, o que foi retratado na série. Ainda em 2019, a Netflix afirmou que trabalharia para reduzir o tabagismo em seus programas após reclamações dos incansáveis ativistas antitabaco sobre a frequência do tabagismo no sucesso Stranger Things . Claro, a série se passa nos anos 1980 e fumar é necessário para retratar a época com precisão, mas o puritanismo não se importa com arte. Por algum motivo, fumar deve ser classificado sob orientação dos pais, como se alguém estivesse protegendo seus filhos da premissa de que o tabagismo existe.
Apesar de tudo isso, os americanos ainda têm alguma crença na liberdade pessoal, então esses puritanos tiveram que encobrir seus ataques ao tabagismo em nome do bem comum. Eles certamente tiraram o maior proveito de alegações duvidosas sobre os danos da fumaça passiva em todos os ambientes (embora, por exemplo, se você trabalha em um depósito, os tetos são altos que é como se você estivesse ao ar livre), mas eles mesmos tiveram que atacar os fumantes. Foi decidido que fumar custava aos pagadores de impostos, e à economia em geral, enormes quantias de dinheiro em despesas médicas, que foram a raiz de todos os processos estatais. Isso foi refutado em estudos tanto na Holanda quanto nos Estados Unidos há cerca de duas décadas. Essas despesas podem ser medidas de várias maneiras, e se você se esforçar o suficiente investigando o absenteísmo devido a doenças e coisas do tipo, pode ser descoberta uma redução no custo, mas o problema é óbvio: os não fumantes vivem mais durante o período de vida em que recebem a Previdência Social e usam o sistema de saúde. É verdade que talvez um fumante tenha uma doença grave e cara relacionada ao tabagismo e morra aos 65 anos, mas isso é muito menos caro — e consome menos cuidados de saúde — do que um não fumante vivendo até os 90 anos recebendo a Previdência Social, indo ao médico toda semana nos últimos dez anos de sua vida e, mesmo assim, talvez passando semanas em leito de morte hospitalar. Aumentar os impostos para reduzir o tabagismo também prejudica principalmente os pobres sem ajudar as finanças do estado, já que qualquer diminuição no tabagismo que isso cause reduz tanto os impostos que arrecadam quanto, mais importante, faz com que as pessoas vivam mais tempo e usem mais recursos. Nada disso, é claro, quer dizer que o estado deveria incentivar o tabagismo para reduzir o custo de fornecer serviços sociais, mas essa alegação central justificando o alvo dos fumantes é falsa.
Por causa de tudo isso dito acima, assim como pelo fato de eu ser um fumante assíduo e ter interesse pessoal nisso, é que fiquei feliz ao ler que “Os cigarros estão de volta!” Talvez minha maior alegria de todas tenha sido que a Vanity Fair, antes tão perseguida pelo prefeito Bloomberg, estava literalmente oferecendo cigarros para os convidados da festa em uma bandeja de prata. O público finalmente se cansou das constantes broncas que por muito tempo levaram os fumantes a esconder seu prazer outrora celebrado. Não sou tão do contra a ponto de afirmar que não é bom se menos crianças fumem, mas também precisamos viver em uma sociedade onde os adultos possam tomar suas próprias decisões, e de qualquer forma grande parte da cruzada antitabagismo foi construída sobre mentiras. Espera-se que, pelo menos por enquanto, sejam os puritanos que terão que conviver com o medo de que, como disse H. L. Mencken, “alguém, em algum lugar, possa ser feliz.”
Artigo original aqui









