Descanse em Paz, Walter E. Williams

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Fiquei profundamente triste e deprimido ao saber que meu velho amigo, o professor Walter E. Williams, faleceu ontem de manhã aos 84 anos. Nos últimos quarenta anos, Walter foi o ilustre professor de economia John M. Olin na George Mason University; um dos maiores colunistas libertários do mundo; um professor fabulosamente inspirador; um dos melhores oradores públicos que poderia existir sobre assuntos de economia e libertarianismo; e o apresentador convidado mais popular do programa de rádio Rush Limbaugh.

Walter já estava há uma ano na George Mason University quando cheguei lá como um jovem professor assistente de economia em 1981. Ele e eu éramos os dois membros do corpo docente que ensinavam princípios de economia a mais de 300 alunos. Eu rapidamente percebi que levaria muitos anos antes que eu pudesse chegar perto das performances magistrais de Walter em sala de aula. (E você precisa ser um pouco performático diante de um público tão grande que pode facilmente morrer de tédio com uma multidão tão grande e tantas distrações).

Walter nunca se conteve, na sala de aula ou em qualquer outro lugar. Quando ele chegou à parte do curso sobre economia do trabalho e economia da discriminação, ele chocou seu público de estudantes calouros de economia básica ao lembrá-los de que “discriminação” nem sempre é algo ruim ou negativo. Por exemplo, ele dizia, quando estava procurando uma esposa, ele discriminou mulheres gordas, mulheres feias e mulheres brancas. Isso foi muito antes de os jovens serem condicionados, desde o jardim de infância, a desmaiar por causa dessa linguagem, instigar tumultos ou incendiar prédios de campus.

No início dos anos 80, a diretoria da George Mason anunciou que todo departamento acadêmico deveria ter um “oficial de ação afirmativa”. Naturalmente, escolhemos Walter. Seu trabalho era reportar à diretoria uma vez por ano sobre como o departamento havia feito um bom trabalho no recrutamento de mulheres e professores de minorias. Em seu primeiro ano com essa atribuição, Walter informou à administração que (parafraseando) “Tentamos contratar uma loira alta e escultural da UCLA [história verídica], mas a diretoria foi muito muquirana para oferecer um salário digno para competir por seus serviços”. Rapaz, os hipócritas esquerdistas do campus odiavam Walter por esse tipo de conversa – uma grande medalha de honra em seu peito.

Naquela época, o escritório de Walter era adornado com uma foto emoldurada de sua filha, por quem ele era apaixonado, e uma bandeira dos Confederados! Quando um visitante perguntou por que um negro como ele tinha uma bandeira dos Confederados em seu escritório, ele disse que era para lhe dar a oportunidade de explicar as virtudes da secessão a quem perguntasse sobre ela. Isso foi cerca de quinze anos antes de eu escrever qualquer coisa sobre Lincoln, secessão ou a Guerra para Prevenir a Independência do Sul. Foi também um dos motivos pelos quais pedi a Walter que escrevesse o prefácio de The Real Lincoln, o que ele fez, com um ensaio muito eloquente. (Até hoje, de todas as centenas de críticas a The Real Lincoln, não tenho conhecimento de que algum crítico tenha mencionado o grande prefácio de Walter).

Pouco depois da publicação de The Real Lincoln, recebi um telefonema de Walter às 7:00 da manhã. Ele disse que Rush Limbaugh estava doente, que ele era o apresentador do programa, e perguntou se eu estaria interessado em participar do programa para uma entrevista sobre o livro. Passei uma hora inteira conversando com o público de Rush Limbaugh sobre o livro e respondendo a perguntas de quem ligava para Walter. Naquela noite, minha classificação de vendas na Amazon.com estava em segundo lugar. Enviei a Walter uma garrafa de vinho de cem dólares como um presente de agradecimento.

Walter não foi apenas um fabuloso professor de sala de aula, orador público e colunista; ele também produziu muitos estudos excelentes. Ele era um produto da velha UCLA School of Economics, uma espécie de desdobramento da velha tríade Milton Friedman/George Stigler/Gary Becker da Escola de Chicago da época. (É um pecado que o mentor da UCLA de Walter, Armen Alchian, nunca tenha recebido o prêmio Nobel de economia). Armado com uma grande educação econômica da UCLA (depois de ser convocado e, em seguida, expulso do Exército dos EUA – não desonrosamente dispensado – por ser muito espertinho e pensador independente, outra medalha de honra!) Walter escreveu muitos artigos importantes em jornais sobre economia do trabalho e outros tópicos, bem como livros como O Estado Contra os Negros; A Guerra da África do Sul contra o capitalismo [também conhecido como Apartheid]; Mais liberdade significa menos governo; Raça e Economia; Liberdade contra a tirania do socialismo; e O desprezo americano pela liberdade. Sua autobiografia é intitulada Up from the Projects.

Os dois passatempos favoritos de Walter eram fumar cigarros e andar longas distâncias de bicicleta, um dos quais provavelmente encurtou sua vida. Ele também gostava de se gabar de suas supostas proezas no basquete. Ele nunca deixou a casa de sua amada família em Valley Forge, Pensilvânia, indo para Fairfax, Virgínia todos aqueles anos (na manhã de segunda-feira, voltando na quinta-feira). Ele iria enfrentar o trânsito do subúrbio da Filadélfia ao amanhecer em seus passeios de bicicleta, mesmo no clima mais frio da Pensilvânia.

A última vez que vi Walter foi quando patrocinei uma palestra dele na Loyola University Maryland sobre “O papel legítimo do governo em uma sociedade livre”. Era o clássico Walter Williams, uma combinação de profundo aprendizado sobre a fundação americana, filosofia política e economia e a filosofia da liberdade, tudo explicado de uma forma que qualquer um pudesse entender e apreciar. Os alunos estavam me parando no campus dias depois para me agradecer por trazê-lo ao campus. A maioria deles me disse que, após 13-15 anos de “educação”, sua palestra foi a primeira vez que eles encontraram os argumentos filosóficos para um governo constitucional limitado. Como a maioria dos estudantes universitários hoje, eles aprenderam desde a pré-escola que quanto mais ilimitado o governo, melhor.

Depois de pegar Walter em seu hotel e dirigir até o campus, indiquei os edifícios que abrigavam o corredor da morte em Maryland. No típico estilo de Walter Williams, ele olhou pela janela para os edifícios e disse: “eles não são grandes o suficiente.”

Uma das coisas que me deixaram interessado em economia em primeiro lugar como um calouro da faculdade foi que em minha primeira aula de economia o professor usou um livro texto padrão intitulado An Economist’s Protest de Milton Friedman. Era uma coleção de artigos de Friedman da revista Newsweek. No final dos anos 60 e 70, Friedman e Paul Samuelson escreveram artigos econômicos populares na revista em semanas alternadas. Eu gostaria de pensar que as milhares de colunas de Walter tiveram um efeito semelhante em muitos jovens, um “efeito multiplicador” gigante para a causa de uma sociedade livre. Nesse sentido, Walter foi o Frederic Bastiat de nossos dias. Descanse em paz meu amigo.

 

Artigo original aqui.

Artigos de Walter Williams publicados no Instituto Rothbard ao longo dos anos aqui.

2 COMENTÁRIOS

  1. Interessante esta passagem do Thomas DiLorenzo sobre o seu livro, “The real Lincoln”. Para um alienado randiano que se acha um intelectual liberal refinado chamado Rachewski – amigo do Hélio Petrolão, a Guerra da Secessão americana foi uma conquista civilizatória, devido a libertação dos escravos. Na mais justo para um ignorante e apoiador de genocida admirador do Churchil. É gente da estirpe do Yaron Brook – belo e moral bombardear Hiroshima e Nagazaki, ou do Leonard Peikoff – bombardear civis no Iraque. (indicações dos irmãos Chiocca em um post no Facebook).

    Na minha opinião, a Guerra da Secessão foi o primeiro caso de imperialismo americano da história, algo que eles fariam posteriormente em larga escala mundo a fora. O Lorenzo toca em um ponto interessante, que parece óbvio a primeira vista, mas que pra mim foi uma abordagem interessante, o que confirma minhas teses: uma guerra preventiva.

    Porque a democracia é algo inventado pelo demônio? porque sabia-se antes da eleição do Linconl que em caso de vitória deste, a guerra era algo bem provável. E como os alemães escolheram a guerra ao votar em Hitler, os americanos escolheram a guerra ao votar em Linconl. Simples assim.

    A guerra nunca foi sobre a escravidão. As tropas americanas tinham ordens para devolver ao sul os negros que fugiam para o norte, algo que durou efetivamente até a abolição formal. Mas o imperialismo está expresso da seguinte maneira: o Sul tinha o direito de se separar, a constituição não negava isso, ou seja, Linconl rasgou a constituição (mais uma prova da impossibiladade de um governo limitado). Seria mais ou menos como se a máfia de Bruxelas fosse a guerra contra os ingleses por causa do Brexit; foi uma guerra de agressão, já que os estado do Sul formaram uma Confederação, ou seja, uma união de estados independentes; um general yankee chamado Shermam, foi um legítimo criminoso de guerra, sendo responsável por destruir a cidade de Atlanta – algo visto no filme “E o vento levou”, após esta se render, por objetivos “psicológicos”; curiosamente, o único criminoso de guerra condenado e morto era sulista, um pobre alemão, guarda de um campo de prisioneiros do norte; o período pós guerra é conhecido no sul como ocupação, ou seja, sob intervenção militar.

    Enfim, quando eu quero saber onde está a verdade primeiro eu procuro os artigos deste glorioso instituto. Em segundo lugar, penso tudo ao contrário do que dizem liberalecos e randianos.