Desmascarando sete críticas comuns à economia austríaca

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Vamos esclarecer alguns equívocos sobre a economia austríaca.

Se as pessoas querem descartar essa escola de pensamento, o que muitos parecem inclinados a fazer por razões políticas (não teóricas), pelo menos deveriam fazê-lo com base em fatos e conhecimento, não em falsidades. Aqui estão as correções:

1- “A economia austríaca não é empírica.”

Falso.

Os estudos empíricos (“história”) são importantes na economia austríaca e têm um escopo maior do que na economia convencional. Mises trabalhou com pesquisa aplicada na Câmara de Comércio de Viena e fundou o Instituto Austríaco para Pesquisa dos Ciclos Econômicos, para o qual nomeou Hayek como o primeiro diretor. Foi aqui que Hayek fez grande parte da pesquisa dos ciclos econômicos, que mais tarde lhe valeu o Prêmio Nobel. O que os críticos não conseguem entender é a definição mais restrita dos austríacos de teoria, que não é uma coleção de hipóteses, mas afirmações verdadeiras e gerais. A ‘teoria’ econômica austríaca não pode ser desenvolvida usando medições incompletas e imprecisas de observações. Mas isso não significa que os austríacos não possam ou não farão pesquisas empíricas.

2- “A teoria econômica austríaca não está relacionada ao mundo real.”

Falso.

Os austríacos, seguindo Mises, derivam afirmações verdadeiras da natureza da ação humana: que é um comportamento intencional, ou seja, os agentes objetivam alcançar algo que consideram alcançável e valioso usando os meios que reconhecem como apropriados e eficazes. A ação sempre ocorre no mundo real e é por meio de nossa experiência no mundo real que reconhecemos que a natureza da ação é de fato verdadeira. O que é logicamente derivado de uma afirmação verdadeira sobre a ação não pode perder magicamente sua relevância empírica apenas porque é derivado logicamente, em vez de “deixar os dados falarem”. Os austríacos defendem a visão típica dos economistas desde, pelo menos, Adam Smith: essa teoria não pode ser derivada de observações. A teoria austríaca, como teoria econômica tradicional/clássica, é mais matemática do que física empírica. A matemática produz afirmações a priori verdadeiras que usamos para entender o que observamos. O fato de podermos calcular derivativas parciais, mas não observá-las, não as torna menos verdadeiras no/sobre o mundo real. É o mesmo com a economia austríaca.

3- “A teoria econômica austríaca não pode explicar os fenômenos do mundo real.”

Falso.

Semelhante ao equívoco anterior, esta declaração avalia a teoria austríaca usando uma definição diferente de teoria. A economia mainstream diz explicar mais, até mesmo casos específicos, ao adotar uma definição de teoria mais vaga e, portanto, mais ampla, o que apenas a torna menos confiável. Simplificando, a economia mainstream não pode reivindicar a verdade. A economia austríaca pode, porque sua teoria deriva unicamente de um axioma verdadeiro (ação como comportamento intencional) – nada além do que pode ser derivado logicamente goza do status de teoria. Os austríacos afirmam com mais firmeza, mas ficam dentro de limites mais restritos da teoria. Isso não torna a teoria não relacionada ao mundo real, mas apenas mais confiável. Assim como, por exemplo, os engenheiros podem usar matemática verdadeira para fazer cálculos confiáveis ​​sobre projetos do mundo real, os austríacos usam a teoria econômica verdadeira como uma estrutura para descobrir os acontecimentos reais na economia real.

4- “A economia austríaca não consegue explicar por que as pessoas agem.”

Falso.

O axioma da ação afirma exatamente por que as pessoas agem: elas visam alcançar algo que valorizam pessoalmente, buscando mudar sua situação presente para uma que se espera ser melhor. Mas é verdade que os austríacos não tentam explicar os processos mentais que fazem uma pessoa valorizar uma coisa em detrimento de outra. Esse não é o papel do economista, entretanto. Sendo lógicos, os austríacos usam definições e distinções muito rigorosas e claras. Eles distinguem claramente entre os domínios da economia e da psicologia, sendo o primeiro o estudo da ação e seus efeitos e o último o estudo das motivações para o comportamento. Da mesma forma, dentro da economia, os austríacos distinguem entre teoria, que é a priori e verdadeira, e história, que é o estudo de dados empíricos através das lentes da teoria. É lamentável que outras escolas de pensamento sejam comparativamente desleixadas em suas definições e distinções, o que as torna muito menos confiáveis, menos eruditas e, portanto, menos científicas.

5- “Não há como saber se a teoria econômica austríaca está correta.”

Falso.

Se fosse esse o caso, também não haveria como saber se as afirmações de lógica, matemática, geometria etc. são verdadeiras. Isso claramente não é o caso. A declaração comete o erro de presumir que a teoria econômica é indutiva e empírica, o que não é verdade para a escola austríaca (veja acima) – e não era verdade para a economia até meados do século XX. A economia era (e é propriamente) uma ciência dedutiva.

6- “A economia austríaca é uma abordagem idiossincrática da economia.”

Falso.

A economia austríaca continua a tradição de raciocínio econômico da economia clássica, mas acrescenta a análise marginalista e a subjetividade de valor de Carl Menger. É a economia moderna que rompe com as raízes da disciplina na teorização social dedutiva por sua inveja da física, matematizando, perdendo-se no reino da psicologia e objetivando uma engenharia social eficiente por meio de políticas, em vez de compreender a economia de mercado.

7- “A economia austríaca é ideológica.”

Falso.

Este é o mais ridículo e ignorante dos equívocos. Observe como a teoria econômica austríaca é a priori dedutiva e baseada na lógica. Não há espaço para ideologia. Na verdade, isso torna a economia austríaca muito menos ideológica do que as escolas de pensamento econômico que se baseiam na análise empírica para teorizar, uma vez que tal análise necessariamente inclui um alto grau de interpretação (de modo que a visão pessoal do teórico pode entrar facilmente, e frequentemente entra). O que essa crítica significa é que o crítico tem um ressentimento ideológico ou emocional em relação aos mercados livres, normalmente afirmando que “os mercados não funcionam”. Os austríacos não fazem essas declarações normativas, mas apenas explicam (descobrindo) como os mercados funcionam: livres, intervencionistas e planejados de forma centralizada. O julgamento de valor do que é melhor não faz parte da teoria, mas os austríacos podem apontar habilmente se um meio é apropriado para o fim declarado. Além disso, os austríacos teorizam primeiro sobre o mercado livre (ou seja, [inter] ação desimpedida) para então descobrir o impacto de influências específicas (regulamentações, mudanças nas preferências, etc.). Você não pode entender como uma influência muda as coisas a menos que você primeiro entenda como a economia funciona sem ela.

 

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