Dia da Bastilha: sangue, morte e a aniquilação do belo

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A semana do Dia da Bastilha em Paris apresentou um homem voando em um protótipo de flyboard super novo, projetado pelo inventor Franky Zapata. Este “soldado do futuro” zuniu pelo ar sobre a multidão e abaixo de um céu nublado nas cores da bandeira da França. Em suas mãos brandia um rifle, visando demonstrar as aplicações táticas desta nova tecnologia para a polícia e o exército. À primeira vista, este espetáculo impressionante pareceu uma prévia de um futuro promissor e avançado de maravilhas científicas. Mas após alguns minutos de reflexão, tendo tido tempo de digerir e entender as implicações desta tecnologia, um sentimento desconfortável paira dentro de nós, e começamos a entender que talvez – apenas talvez – o que estamos assistindo é uma amostra de um horrível futuro distópico de opressão e medo.

Não seria errado vivenciar estes tipos de sentimentos negativos em relação ao poder da polícia francesa no Dia da Bastilha. Este não é um dia para celebrar; nem para o mundo e nem para a França. Este é um dia que celebra atrocidades cometidas contra o povo católico – atrocidades que inspiraram os assassinatos em massa de cristão cometidos pelos bolcheviques na Rússia pré-soviética. Que inspiraram o extermínio em massa nazista dos inimigos de Hitler. Na verdade, não seria surpresa alguma se víssemos este período sangrento ser celebrado por arruaceiros da Antifa, que provocam violência em diversas cidades grandes pelo mundo.

Os horrores do “Iluminismo” que ocorreram na França foram um ataque direto contra o Logos. Foi um ataque contra o Catolicismo, um ataque contra a monarquia cristã, e um ataque contra a liberdade de franceses decentes tementes à Deus. Aqueles exércitos malignos da República, liderados por radicais “modernos, progressistas”, mataram mais de 300.000 camponeses católicos. O rei e a rainha foram decapitados, o jovem filho deles foi deixado na prisão para morrer. Igrejas foram saqueadas. O clero foi colocado para correr. Todos os padres que sobraram foram obrigados a jurar lealdade ao estado francês ao invés do Papa – bem parecido como os chineses são obrigados a aceitar a igreja estatal hoje em dia. E depois deste período horrível, os exércitos franceses foram enviados para o resto da Europa para “livrarem” o continente da inconveniência das tradições católicas.

Os horrores que se originaram daquele dia não podem ser sobrestimados. Fizeram desfiles com cabeças em pontas de lanças ou até jogaram cabeças em seus parentes. Turbas de revolucionários selvagens – como uma insurreição de zumbis – escalaram os muros de mosteiros para chacinar sacerdotes com paus, lanças e machados. Pessoas comuns, fiéis frequentadores da igreja, eram marcados e mortos. Mais de 1.800 pessoas foram afogadas em Nantes, jogadas na água congelante e afundadas para morrerem.

Alguns tentaram reagir, tamanha era a fé católica em Vendeia. Não havia misericórdia com os inimigos. Os que fizeram emboscadas contra os matadores revolucionários nas florestas foram capturados e esquartejados como porcos. Líderes foram fuzilados, decapitados ou enforcados. A Convenção Nacional exigiu a execução de cada homem, mulher e criança que restara na Vendeia. Nenhum deveria ser deixado com vida.

 “Os instrumentos de fanatismo e superstição devem ser destroçados.” – Convenção Nacional Francesa

Não permitiram nem mesmo que os falecidos fossem deixados em paz. Corpos de membros da família real foram desenterrados e reenterrados sem cerimônia em covas comunitárias. Muitas pessoas que foram mortas tiveram seus corpos despedaçados ou profanados de alguma outra forma. As vezes seus corpos eram recheados com palha. As vezes suas cabeças seriam colocadas em exibição. Um líder da Vendeia em particular teve seu corpo cortado em pedaços e distribuído para cientistas. Sua cabeça foi colocada em conserva em uma jarra e seu cérebro examinado em busca de sementes de rebelião.

Foram tempos de paranoia, histeria e de puro ódio. A Velha Ordem deveria ser destruída. A sociedade, acreditavam os revolucionários, precisava ser culturalmente reconstruída através de um novo programa de engenharia social. As classes odiadas pela esquerda deveriam ser extirpadas, e os oponentes do secularismo e do progresso deveriam ser destruídos. Cientificismo era o novo deus. Notre Dame foi transformada no “Templo da Razão”. Todos os vestígios do Logos foram atacados. Até mesmo o calendário teve que ser refeito. Meses do ano foram renomeados de acordo com a ideologia racionalista, e a contagem dos anos foi separada do nascimento de Cristo e corrigida na inauguração da República. A Democracia foi aclamada como a única forma de governo válida, e todas as monarquias europeias remanescentes eram agora ilegítimas.

Havia uma paranoia de que contra-revolucionários mais sutis iriam se aproveitar de quaisquer tecnicalidades legais remanescentes que pudessem protege-los. Havia uma preocupação de que os oponentes da Revolução pudessem usar brechas para evitar serem detidos e punidos, e que eles pudessem de alguma forma espalhar secretamente suas agendas tradicionalistas. E finalmente, as condições eram tais que informantes ouviam atentamente as conversas, faziam anotações e prestavam atenção as piadas e bate-papos de seus vizinhos. A vigilância foi amplificada na esperança de serem reveladas as localizações de quaisquer padres e nobres escondidos.

Joseph de Maistre define melhor do que ninguém quando ele declara: “Existe uma qualidade satânica na Revolução Francesa que a distingue de tudo que já vimos ou de qualquer coisa que poderemos ver no futuro.”

A invasão da Bastilha – e a Revolução Francesa como um todo – foi um abandono completo da piedade, da humildade e da bondade. Foi a adesão ao orgulho, ao ódio e ao terror. Os apóstolos da Revolução gritavam por liberdade, igualdade e fraternidade. Mas na verdade eles queriam substituir a verdadeira liberdade que eles já possuíam por licenças. Não havia absolutamente nenhum desejo por igualdade; ao invés disso, os revolucionário queriam derrotar seus superiores morais – o mesmo jogo de “nós só queremos tolerância” que a esquerda tem jogado em nosso país nos últimos 100 anos. E com certeza não havia nenhum amor fraternal por quem quer que continuasse se apegando a seus passados tradicionais. Eles seriam varridos da opinião pública para sempre. As instituições que haviam preservado e protegido o povo por mais um milênio foram consideradas obstáculos sufocantes a serem relegados à fogueira. Eles queriam destruir o ancien régime e o substituir pelo mundo doente e distorcido que enfrentamos hoje.

Os ancestrais revolucionários franceses (e a esquerda atual) podem ter inicialmente demandado tolerância e uma chance de coexistir com as pessoas convencionais, mas suas motivações reais foram depois reveladas para todo o mundo. Assim que tomaram o poder, ficou claro que não havia lugar para ninguém mais na França a não ser eles mesmos.

“A proteção social só cabe aos cidadão pacíficos; não há cidadãos na República além dos republicanos”. —Maximilien Robespierre

Aqueles que não cooperassem com o novo controle hostil seriam “forçados a ser livres”, como disse Rousseau. Não poderia haver escapatória se fosse para Revolução funcionar. Todos deveriam se submeter ao novo programa, a história teria que ser reescrita e qualquer um que se prendesse a premissas arcaicas deveria ser esterilizado da memória do público.

Hoje em dia, os ideais revolucionários franceses são consagrados por quase todos partidos políticos ocidentais. (Na verdade, a própria pesada chave da Bastilha foi dada de presente uma vez ao presidente George Washington) Celebrações de períodos históricos fúnebres porém reverenciados deste tipo ainda são frequentes. Nenhuma autoridade foi capaz de desempacotar a história e entender suas implicações e mensagem central.

Celebrar o Dia da Bastilha é como celebrar Hitler. É como um desfile para Stalin. É como festejar os expurgos de Pol Pot no Camboja. O Dia da Bastilha é um vestígio demoníaco de uma época demoníaca. Deveria ser um dia de luto, arrependimento, mortificação e oração. Ao invés disso, nossos soberanos continuam a tratar publicamente este evento com a maior veneração, sabendo perfeitamente que o proletariado ignorante não é capaz de entender o que realmente aconteceu. O quão tenebrosamente adequado foi que neste ano uma figura policial opressiva em um hoverboard tenha sido o símbolo do Dia da Bastilha.

 

Tradução de Fernando Fiori Chiocca

Artigo original aqui.