Incentivar a produção, não o “garantidor”

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Por que o incentivo a cargos estatais com forças de dissociação de poder, prestigio e vantagens econômicas, são péssimos pra uma economia saudável?

É com esse incentivo que a pessoa, ao calcular o risco de empreender no mercado de trabalho, desiste e procura cargos públicos. Quando o mercado não apresenta vantagens tão atrativas quanto o governo, todas as forças que impulsionam alguém a tomar uma decisão financeira e de conforto, o afastam do mercado, gerador de riqueza, e o atraem para cargos burocráticos e não geradores de riqueza. A partir da premissa que a função do estado é a de “garantir” que os trabalhadores possam gerar riqueza e conforto, nas trocas de produtos e serviços prestados, a falta de estímulo pra que a função dos indivíduos se concretize, desestabiliza a balança entre quem gera de fato a riqueza e quem “garante” que isto ocorra. A consequência dessa desordem de estímulos, faz com que as pessoas procurem mais o papel de “garantidor” do que de gerador.

Este é um dos fatos que é facilmente observado hoje no Brasil, por exemplo. Certamente, a maioria de nós já ouvimos dos nossos pais, avós, parentes etc., pessoas que se preocupam com nossa vida, de que “você tem que estudar pra passar num concurso bom”. Por melhor que seja a intenção, isso é reflexo de uma economia com a balança desestabilizada. O incentivo maior, com o menor risco de perdas financeiras e maior conforto, deveria ser a de empreender no mercado gerador de riqueza e não nos cargos dispostos pelo estado. Quando se chega num ponto que a maioria não quer produzir e sim “garantir e fiscalizar”, as funções se perdem em excesso burocrático e pouca produtividade, desestimulando cada vez mais a nossa geração de riqueza e nos mantendo num ciclo de prestígios alcançados por alguns (através de estratégias políticas, para manter o povo em constante desejo de pertencer a esta “casta superior”) e sucateando cada vez mais o trabalho do gerador de riqueza.

O modelo econômico top down, isto é, o estado realiza funções econômicas para te sustentar, é a de completa desvalorização do trabalho. Nos olhos do liberalismo, em que parte do resultado do trabalho e da geração de riqueza é utilizado para manter os “garantidores”, ficou no esquecimento. Ao estudar como funciona o sistema de políticas do Brasil, observa-se que toda estratégia adotada é ao contrário do lógico, o estado não fica subordinado aos estímulos de uma economia geradora de riqueza e sim, o próprio estado se coloca como o sustentador das pessoas. Quando a visão é a seguinte: “nós garantimos o que vocês precisam”, quem não é do sistema, é refém e o estímulo para se colocar nesta “casta superior” é abrangido.

Portanto, quando um político se dirige a população e se diz um combatente da corrupção, o que ele realmente faz é mudar o foco do problema. Corrupção, sim, é um problema e há de ser combatido, porém, o maior problema que enfrentamos hoje, é o nível burocrático que os indivíduos enfrentam em sua procura por uma melhor situação econômica. Como parte da estratégia política, atacar a corrupção é o mesmo que desviar os olhos do problema e continuar incentivando cargos públicos e colocando somente quem faz parte dessa máquina como o único possível capaz de combater este mal. Afinal, se você não faz parte da máquina estatal, é impossível combater a corrupção sistêmica que ocorre lá dentro, de acordo com o que os políticos querem que você acredite. Continuam os estímulos que diferenciam os indivíduos geradores de riqueza com os políticos que são messiânicos. Enquanto esta mentalidade não for combatida, a balança se manterá desigual e os trabalhadores continuarão sofrendo as consequências.