O que deve ser feito

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A impossibilidade de um governo limitado

Nessas circunstâncias, assim que o monopólio de proteção esteja instaurado, uma lógica própria é desencadeada. Todo monopolista tira vantagem de sua posição. O preço da proteção irá aumentar, e, o que é mais importante, o conteúdo da lei — isto é, a qualidade do produto — será alterado em benefício do monopolista e à custa dos outros. A justiça será pervertida, e o protetor se torna cada vez mais um explorador e um expropriador. Mais especificamente, como resultado da monopolização territorial da proteção, duas tendências são geradas. Primeiro, uma tendência em direção à extensificação da exploração, e segundo, uma tendência em direção à intensificação da exploração.

Originalmente instituições locais, os estados possuem uma tendência inerente, estimulada pelo interesse próprio, de querer mais rendimentos ao invés de menos — em direção à expansão territorial. Quanto mais súditos um estado protege — ou melhor, explora — melhor para ele. A competição entre estados — isto é, monopolistas territoriais — é uma competição eliminatória: ou sou eu o monopolista do roubo ou é você o monopolista do roubo.

Além disso, existindo inúmeros estados, as pessoas podem facilmente se mudar. No entanto, uma perda de população é um problema incômodo do ponto de vista do estado. Portanto, estados quase que automaticamente entram em conflito uns com os outros, e uma maneira de se resolver este conflito, do ponto de vista estatista, é com a expansão territorial: ou através de guerra ou de casamento entre cortes, e às vezes por compra direta. Em última instância, esta tendência só iria cessar com o estabelecimento de um único estado mundial.

A segunda tendência é a intensificação da exploração. Extensificar a exploração — assaltando as pessoas — de um monopólio estatal, implica por si só uma intensificação, porque quanto menor o número de estados concorrentes — isto é, quanto maior o território do estado fica — menores são as oportunidades de se votar com os próprios pés, ou seja, migrar. E sob o cenário de um estado mundial, aonde quer que uma pessoa vá, a estrutura de impostos e regulamentações é a mesma. Ou seja, com a ameaça de imigração eliminada, a exploração monopolística irá naturalmente aumentar — quer dizer, o preço da proteção subirá e a qualidade cairá.