Por que você não deve precisar de permissão de um médico para obter medicamentos

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Imagine se esse sistema fosse extrapolado para outros campos.

O atual sistema de medicamentos farmacêuticos exige a receita de um médico como condição prévia para a sua venda ao público.

À primeira vista, isso parece razoável. Afinal, a maioria das pessoas simplesmente não tem as informações necessárias para determinar se precisa ou pode se beneficiar de medicamentos como Penicilina, Vicodin, Albuterol, Lisinopril, Levotiroxina, Gabapentina, Metformina, Lipitor, Amlodipina, Tamsulosina, Digoxina, Metoprolol, Celecoxib, para nomear uma pequena amostragem das drogas abrangidas por esta regra. Além disso, mesmo que as pessoas tivessem esse conhecimento, coisa que o homem médio certamente não tem, elas estariam totalmente perdidas no que diz respeito à dosagem adequada.

No entanto, nem tudo está dentro dos conformes no atual arranjo institucional. Pois aqui não estamos falando de recomendações e conselhos de um médico para um paciente. Não há nada de mal nisso. Em vez disso, o problema é que o boi é colocado diante da carroça: o cliente deve buscar a permissão de uma pessoa que é para todos os efeitos um empregado dele, não um empregador.

Essa deveria ser a relação adequada entre os dois, e na sociedade livre isso é exatamente o que ocorreria. Em vez disso, hoje em dia, o paciente não está buscando, nem obtendo, informações, conhecimentos, conselhos. Em vez disso, ele deve ficar de joelhos para implorar a permissão de seu médico.

Imagine se esse sistema fosse extrapolado para outros campos de atuação. Então, em vez de o proprietário de automóvel dizer ao mecânico quais de seus serviços ele precisa, as coisas seriam invertidas: o dono do carro teria que obter a aprovação do mecânico quanto aos procedimentos adequados a serem seguidos. Em vez de o passageiro dizer ao taxista para onde ir, o passageiro teria que buscar a aprovação do taxista quanto ao destino que ele considere o mais adequado.

Da mesma forma, o cliente teria que pedir permissão ao garçom sobre que tipo de refeição pedir; se este considerasse a escolha do primeiro problemática, ele simplesmente rejeitaria seu pedido. Os viajantes proporiam destinos às companhias aéreas; a companhia diria sim ou não. Afinal de contas, os médicos hoje em dia às vezes se recusam a prescrever receitas para os pacientes se considerarem que essas prescrições são prejudiciais; eles determinam o pedido do paciente.

Sim, sim, há certos exageros de analogias aqui. Os produtos farmacêuticos têm implicações para uma boa saúde e até de vida e morte. Alguns, mas nem todos esses exemplos são totalmente apropriados. Mas esta é uma maneira dramática e precisa de descrever exatamente o que está acontecendo no sistema de medicamentos vendidos sob prescrição médica.

Como as coisas deveriam funcionar, idealmente? Arquitetos aconselham construtores. Mecânicos dão conselhos aos proprietários de automóveis. Essa é exatamente a relação que deve prevalecer entre um médico e um paciente. O primeiro deve orientar o segundo quanto à medicação adequada. Mas o paciente deve ser livre para ignorar o que o médico diz, buscar uma segunda opinião e ter acesso a qualquer droga (legal) que exista por aí. (Todas as drogas deveriam ser legais, mas isso é uma questão totalmente diferente.)

Os advogados sabem mais do que nós sobre direito; a mesma coisa segue; eles são nossos empregados, não empregadores. Físicos, químicos, matemáticos, economistas, músicos, encanadores e eletricistas também conhecem melhor suas próprias especialidades do que nós, leigos; ainda assim, isso não lhes dá um pingo de justificativa para mandar em nós.

Sim, os médicos também sabem mais do que nós, especificamente sobre medicina. Mas isso não deveria torná-los nossos chefes. Sua tarefa não deve ser permitir ou negar permissão. Nós, seus clientes, não somos crianças. Não devemos ser tratados como tal.

 

 

 

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