Rothbard: homem, economista, e antiestatista

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[Este artigo foi retirado da introdução do livro Crestomatia rothbardiana, publicado hoje pelo Instituto Rothbard, uma antologia de textos de Murray Rothbard selecionados por Joe Salerno e Matthew McCaffrey]

Poucos economistas conseguem produzir um conjunto da obra que ostente seguidores sérios vinte anos após suas mortes. Murray N. Rothbard é uma rara exceção. Mais de duas décadas desde sua morte, sua influência continua viva, tanto no trabalho de uma nova geração de cientistas sociais quanto entre um número crescente do público em geral.

Uma razão para a popularidade contínua de Rothbard é sua capacidade de explorar diferentes disciplinas e conectá-las: ao contrário de muitos economistas contemporâneos, que se especializam em campos cada vez mais específicos dentro da ciência, a agenda de pesquisa de Rothbard era expansiva e interdisciplinar, cobrindo a maioria das ciências sociais e humanas.

Alguns leitores deste livro já estarão familiarizados com as principais obras de Rothbard, como seu tratado pioneiro sobre economia: Homem, Economia e Estado. No entanto, Rothbard também produziu centenas de obras mais curtas para o público acadêmico e popular. Infelizmente, muitos não têm tempo para explorar seus escritos; além disso, sua obra é tão volumosa que muitas vezes é difícil saber por onde começar.

Este livro visa resolver esses problemas, fornecendo uma janela para as realizações de Rothbard nas ciências sociais, humanidades e além. Inclui material introdutório, intermediário e avançado, para garantir que o livro possa ser apreciado por leitores de todos os níveis de compreensão e familiaridade com o trabalho de Rothbard. Portanto, embora seja destinado principalmente aos recém-chegados, os leitores veteranos também terão muito o que descobrir (ou redescobrir) nestas páginas.

Os artigos individuais desta coleção podem ser lidos em qualquer ordem; com isso em mente, propomos duas formas de explorá-los. Aqueles que conhecem pouco de Rothbard podem querer começar com os capítulos mais curtos e acessíveis que mais lhes interessam, antes de prosseguir para tópicos mais difíceis. No entanto, organizamos intencionalmente os artigos e as seções para que os leitores que preferem uma discussão sistemática, ou que já estejam familiarizados com as ideias de Rothbard, possam ler o livro de cabo a rabo. O volume começa com uma visão pessoal da vida e obra do autor, contada em suas próprias palavras. A seção de abertura, “Rothbard: homem, economista, e antiestatista”, reúne três entrevistas raras, cada uma destacando diferentes aspectos de sua personalidade e visão de mundo únicas. Os leitores logo reconhecerão um tema abrangente que percorre sua vida e sua obra: uma paixão pela liberdade, um princípio unificador em seu pensamento, não importa a disciplina.

Esse compromisso pode ser visto mais adiante na próxima seção, “Fundamentos da Ciência Social e da Sociedade Livre”. No primeiro ensaio, Rothbard enfatiza “A Disciplina da Liberdade” como a base para o estudo da humanidade. Este interesse central serve de inspiração e fundamento para o projeto que se segue, a saber, um esboço das ciências humanas e seu principal método de investigação: a praxeologia.

Embora Rothbard tenha escrito sobre muitos assuntos, seu treinamento – e paixão – foram em economia, assim como a maioria dos escritos desta coleção. As duas seções seguintes fornecem uma exposição concisa da teoria econômica, começando com o valor e a escolha individual. Elas exploram, por sua vez, os insights de Rothbard sobre os “Princípios de Economia e Intervenção Governamental” e “Moeda, Bancos e os Ciclos Econômicos”. Juntos, esses capítulos fornecem uma breve visão geral do relato mais abrangente de Rothbard sobre a teoria econômica em Homem, Economia e Estado.

Os economistas austríacos sempre foram fascinados pela história de sua ciência, e Rothbard não foi exceção. De fato, seus escritos sobre o assunto estão entre os mais originais e controversos. A seção dedicada à “História do Pensamento Econômico” examina as contribuições de muitos economistas influentes, delineando o desenvolvimento da economia desde o mercantilismo até a moderna escola austríaca.

No entanto, os interesses históricos de Rothbard se estenderam muito além da história das doutrinas econômicas. A seção sobre “História Econômica” ilustra como ele aplicou consistentemente a teoria econômica à experiência histórica para explicar eventos como a Revolução Americana, a Era Progressista e a ascensão do banco central nos Estados Unidos.

É claro que nenhuma coleção das principais ideias de Rothbard poderia estar completa sem uma seção dedicada à sua filosofia política. Baseado firmemente na ideia de direitos de propriedade, Rothbard desenvolve um relato da sociedade livre e seus inimigos, especialmente a guerra e o estado. Essas discussões são seguidas pela avaliação de Rothbard sobre o movimento libertário e suas armadilhas, acompanhado de alguns de seus pontos de vista sobre estratégias eficazes para criar uma sociedade livre.

A coleção termina com outra nota pessoal. Muitos dos amigos de Rothbard atestam que, ao encontrá-lo pela primeira vez, ficaram impressionados com a personalidade do homem que conheciam anteriormente apenas através de seu trabalho acadêmico. Rothbard incorporava um raro vigor e humor, e seu amor pela liberdade abrangia mais do que interesses acadêmicos: ele também usufruía dos frutos da liberdade. Isso incluía ouvir jazz e ir ao cinema, ambos os quais ele adorava, embora talvez não tanto quanto se deleitasse em escrever sobre eles. A seção final, “Resenhas de filmes”, reúne algumas das críticas mais divertidas de Rothbard ao longo dos anos.

 

Joseph T. Salerno
Universidade Pace

Matthew McCaffrey
Universidade de Manchester

 

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